Justiça suspende indenização bilionária a empresas de energia

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A 7ª Turma do TRF1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região) decidiu anular parte de ​uma portaria do governo federal que trata de uma ​indenização bilionária que vem sendo paga a transmissoras de energia elétrica, via tarifas, e determinou que os valores já pagos às empresas devem ser compensados aos consumidores.A medida se refere ao componente financeiro da chamada RBSE (Rede Básica Sistema Existente) e tem impacto para as receitas principalmente da Axia Energia e ISA Energia, que ainda detinham fluxos bilionários a receber nos próximos anos.De acordo com fatos relevantes publicados por ambas as companhias ⁠nesta quarta-feira (27), a 7ª Turma do TRF1 ​julgou uma série de processos ajuizados por grandes consumidores de energia, como CSN (Companhia Siderúrgica ​Nacional), e geradores de energia em 2017 e 2018 contra a União e a Aneel (Agência Nacional de ⁠Energia Elétrica). Leia Mais Modernização do marco do setor elétrico impõe desafios Aneel aceita correção de R$ 128,82 milhões em recurso da Light Sem Enel, distribuidoras de energia renovam concessões e prometem R$ 130 bi As ações questionam os pagamentos que estão sendo ⁠feitos a algumas transmissoras de energia, como herança da renovação antecipada de uma ​série ‌de contratos do segmento em 2012, no âmbito da Medida Provisória 579, editada no governo Dilma Rousseff.A ⁠discussão sobre o tema se estende há vários anos e, no ano passado, foi encerrada no âmbito regulatório, com a Aneel definindo um recálculo que reduziu em R$ 5,6 bilhões os custos que ainda seriam cobrados dos consumidores nos ‌próximos ⁠anos.Na terça-feira, os desembargadores ‌determinaram a nulidade do artigo da portaria federal que fala sobre a remuneração, pelo custo do capital próprio, dos valores devidos às transmissoras.A 7ª Turma do TRF1 decidiu que esses valores já pagos às transmissoras sejam ⁠compensados via tarifa nos ciclos subsequentes, no mesmo prazo ⁠em que foram cobrados, por meio de instrumento de parcela de ajuste, de modo a ressarcir os autores das ações na ‌Justiça que arcaram com esse encargo.Consumo de energia por data centers ainda é baixo no Brasil, avalia ScalaTambém foi antecipada tutela para suspender a cobrança da remuneração do custo de capital a partir do ciclo tarifário 2026/2027 relativamente aos autores consumidores ou seus associados.Em fato relevante nesta quarta-feira, a Axia disse que, mesmo não sendo parte nos processos julgados pelo TRF-1 na véspera, “a ‌legislação processual admite a interposição de recursos contra os referidos julgados”.Já a ISA Energia disse que “a companhia e seus assessores legais seguem acompanhando o tema e aguardam a publicação do acórdão para analisar o ⁠inteiro teor e aspectos processuais da decisão, que ainda está sujeita a recurso”.Embora cerca de 80% do valor devido às transmissoras nesse caso já tenha sido pago, ainda restavam valores bilionários que seriam incluídos nas tarifas nos ​próximos anos.Em junho do ano passado, após a decisão da Aneel, a Axia divulgou que as últimas três ​parcelas de receita anual, referentes aos ciclos 2025/2026, 2026/2027 e 2027/2028, a serem recebidas do componente financeiro da RBSE, somavam R$5,5 bilhões cada.Já a ISA Energia divulgou no ano passado que teria R$ 3,8 bilhões a receber de componente financeiro até junho de 2028.Eólica offshore pode ser “nova energia hidrelétrica” do Brasil, diz estudo do Banco Mundial