O presidente Donald Trump afirmou que não será pressionado a fechar um acordo com o Irã e indicou que não se importa em encerrar o conflito antes das eleições de meio de mandato, previstas para novembro, que vão renovar parte do Congresso americano.A declaração reacendeu o debate sobre os reais obstáculos para um entendimento entre Washington e Teerã.Em entrevista ao CNN 360°, a especialista em Direito Internacional Priscila Caneparo avaliou que Trump se encontra em uma verdadeira encruzilhada. “De fato, agora o Trump se encontra em uma encruzilhada, porque ele vê que não vai conseguir chegar nos termos que eram o objetivo central”, ponderou. Leia Mais Trump pede que Irã assine acordo e "fique esperto logo" Análise: Trump não está conseguindo o que queria inicialmente com a guerra Trump prevê fim rápido para guerra enquanto Irã analisa proposta dos EUA Segundo ela, o Irã apresentou um conjunto de propostas para a finalização do conflito, estruturado em três pontos principais: o alívio das sanções e o desbloqueio de ativos iranianos estimados em cerca de US$ 24 bilhões; o controle e a vigilância do Estreito de Ormuz, com uma parcela concedida a Omã; e a questão do programa nuclear iraniano.Impasse sobre o programa nuclearO ponto mais sensível das negociações diz respeito ao programa nuclear. Caneparo explicou que o Irã defende seu direito de desenvolver tecnologia nuclear para fins pacíficos e aceita bloquear o programa por no máximo cinco anos. Os Estados Unidos, por sua vez, exigem o encerramento completo do programa, inclusive para fins pacíficos.“O Irã é parte integrante do Tratado de Não-Proliferação Nuclear, que pontua que o direito de um Estado ter capacidade nuclear para fins energéticos é o direito humano, é o direito ao desenvolvimento”, destacou a especialista.Caneparo também ponderou que Trump não conseguirá alcançar seu objetivo original de promover a deposição do regime iraniano. “O regime é muito capilarizado dentro do contexto iraniano, territorialmente e socialmente falando”, afirmou.Ela ressaltou que o Irã é uma nação com estrutura política sólida e bem enraizada em seu território, o que torna inviável uma mudança de regime por pressão externa.Cenário econômico e eleições de meio de mandatoA especialista apontou ainda que o discurso oscilante de Trump — que ora sinaliza proximidade de um acordo, ora indica o contrário — parece ter como objetivo agradar o cenário econômico americano.“Vem chegando o final de semana e ele fala justamente que está o acordo quase saindo. Só que ao longo da semana ele vai dando alguns pontos e algumas indicações que de fato não tem acordo nenhum”, observou Caneparo.Questionada sobre se as eleições de meio de mandato poderiam pressionar Trump a fechar um acordo mesmo que desfavorável, Caneparo foi cautelosa. Ela reconheceu que a proximidade das eleições pode levar Trump a buscar uma “saída honrosa”, mas considerou improvável que ele assine um tratado que não supere o acordo firmado por Barack Obama em 2015 — e do qual o próprio Trump se retirou em 2018.“Existe um fator aí de ego do Donald Trump, que ele quer cunhar seu nome na história a partir de uma conquista no cenário político externo norte-americano que ninguém jamais outrora conseguiu”, disse.Acordos de Abraão e o reconhecimento de IsraelCaneparo também comentou uma publicação recente de Trump em sua rede social, na qual ele afirmou que os países do Golfo Pérsico estariam “obrigados” a ingressar nos Acordos de Abraão — que preveem o reconhecimento do Estado de Israel e o estabelecimento de relações diplomáticas com o país.A especialista foi enfática ao rebater a afirmação: “Os Estados Unidos não podem mandar um Estado ingressar em um tratado, isso é impossível”. Ela acrescentou que, no contexto atual, especialmente após os eventos na Faixa de Gaza, seria ainda mais difícil do que fechar um acordo com o Irã convencer os países do Golfo Pérsico a aderirem a esses acordos. Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.