Depois de levar mais de uma década para atingir o primeiro bilhão de reais sob custódia, a Valor Investimentos projeta um ritmo de crescimento bem mais acelerado nos próximos anos. O plano inclui praticamente dobrar o número de funcionários até 2030, ampliar a presença em cidades fora dos grandes centros e avançar em frentes como crédito estruturado e fusões e aquisições. A estratégia foi detalhada pelo sócio-fundador e diretor da empresa, Paulo Henrique Correa.Segundo o executivo, a virada de chave vem de dois movimentos simultâneos: o amadurecimento do mercado financeiro brasileiro e uma reestruturação interna. “A indústria financeira amadureceu muito nos últimos anos e o investidor passou a demandar soluções mais completas e sofisticadas”, afirma. “Ao mesmo tempo, a Valor entrou em uma nova fase de estruturação: fortalecemos áreas de suporte, ampliamos nossa presença geográfica, expandimos o time comercial e desenvolvemos novas linhas de negócio.”Veja mais: Corretora abre sociedade sem régua formal e mira retenção de assessoresE também: Assessora capta R$ 8 mi na 1ª semana e atrai cliente de R$ 100 mi via redes sociaisEntre essas novas linhas estão produtos financeiros para pessoas físicas e empresas, serviços de banco de investimento, consultoria e gestão de patrimônio. “Isso nos permite crescer em escala, de forma sustentável, sem perder nosso foco no cliente”, diz Correa.O posicionamento atual, na visão do diretor, transcende o modelo tradicional de assessoria. “Hoje nos posicionamos como uma plataforma de soluções financeiras completas para famílias e empresas”, afirma.“A assessoria continua sendo a essência da relação com o cliente, mas evoluímos para uma atuação mais ampla, com gestão de recursos, consultoria, planejamento patrimonial e estruturação de produtos”, continua Correa.Quando ninguém queria, eles compraram — e acertaram em cheioGestor achou R$ 1 bi ‘escondido’ no balanço de empresa e lucrou altoBrasil financeiro fora do eixo Rio–São PauloPara Correa, há um espaço significativo a ser ocupado longe dos grandes centros. “Existe uma concentração histórica da indústria financeira no eixo Rio-São Paulo, enquanto muitas cidades de outras regiões seguem pouco atendidas em relação a investimentos, planejamento patrimonial e serviços financeiros mais sofisticados”, avalia.O executivo reconhece que a interiorização exige preparo.“Não é uma expansão trivial — exige investimento, pessoas qualificadas e presença local —, mas acreditamos que existe um grande espaço de crescimento fora dos grandes centros”— Paulo Henrique Correa, sócio-fundador e diretor da empresa.A consolidação do setor, na visão da empresa, deve seguir acelerada. “Continuaremos expandindo organicamente através da nossa rede de distribuição e abertura de novas praças, mas também enxergamos oportunidades relevantes de crescimento via fusões e aquisições”, afirma o diretor.“O mercado ainda é bastante fragmentado”, sentencia.A parceria com a XP Investimentos (XPBR31), plataforma utilizada por escritórios como o da Valor, segue como pilar do modelo. “A XP foi uma peça importante na transformação do mercado financeiro brasileiro e segue sendo um parceiro estratégico da Valor. Existe um alinhamento relevante de visão de longo prazo, qualidade de serviço e foco no cliente”, diz Correa.Disputa pelos clientes de alta rendaEm um mercado de gestão de patrimônio cada vez mais competitivo, o executivo afirma que o diferencial estará na visão integrada. “O cliente de alta renda hoje busca muito mais do que uma assessoria da carteira de investimentos” comenta.“Ele quer uma instituição capaz de integrar patrimônio, planejamento tributário e sucessório, investimentos internacionais e suporte estratégico aos seus negócios”, avalia Correa.A entrada em operações mais complexas, como crédito estruturado e fusões e aquisições, exige outro nível de preparo. “Estamos investindo na formação dos profissionais, atração de talentos experientes e fortalecimento dos processos internos de controle, risco e conformidade para sustentar essa nova etapa de crescimento”, afirma.Correa também acredita que um eventual ciclo de juros mais baixos deve favorecer a expansão. “Um cenário de juros mais baixos tende a destravar investimentos, atividade econômica, acelerar o mercado de capitais e criar novas oportunidades de alocação”, diz Correa.Sobre o investidor brasileiro, ele nota uma transformação clara nos últimos cinco anos. “O investidor hoje é mais informado, entende melhor os diferentes serviços ofertados e custos envolvidos e busca um relacionamento mais consultivo”, avalia.“Passou a demandar discussões mais sofisticadas sobre sucessão, internacionalização, planejamento tributário e estrutura patrimonial”, prossegue Correa.Tecnologia, esporte e o desafio de formar genteSobre a concorrência dos bancos digitais e das plataformas automatizadas, o sócio-fundador defende que tecnologia e atendimento humano se complementam. “As plataformas digitais evoluíram muito e melhoraram a experiência do investidor, mas relacionamento, confiança e entendimento profundo dos objetivos do cliente continuam sendo diferenciais importantes”, afirma.“Tecnologia melhora eficiência; proximidade e transparência ainda constrói confiança”, complementa.O mercado esportivo, em especial as Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs), também aparece no radar. “O mercado de esporte e entretenimento vem passando por uma transformação importante no Brasil e no mundo, especialmente com a evolução das SAFs e da profissionalização da gestão esportiva”, analisa Correa.“É um segmento que acompanhamos com atenção e inclusive investimos através da nossa gestora de recursos”, informa.O plano de praticamente dobrar o quadro de funcionários até 2030 impõe o desafio de formar e reter profissionais. “O principal desafio é acelerar a formação técnica sem perder qualidade. O mercado financeiro exige profissionais cada vez mais preparados, enquanto as novas gerações também valorizam equilíbrio, desenvolvimento rápido e propósito de longo prazo”, diz.Transparência e a régua para 2030Em um setor frequentemente criticado por conflitos de interesse na distribuição de produtos, o sócio-fundador defende a clareza no modelo de remuneração. “Trabalhamos com diferentes modelos de remuneração, incluindo comissão, taxa fixa, consultoria e gestão, sempre buscando alinhar a solução ao perfil e às necessidades de cada cliente”, afirma Correa.“O mais importante é que o investidor entenda exatamente como está sendo assessorado e remunerado”, continua.Olhando para 2030, Correa afirma que o sucesso não será medido apenas pelo volume sob custódia. “Nosso objetivo é construir uma instituição sólida, rentável e relevante no mercado financeiro brasileiro, admirada pelo nosso time e pelos nossos clientes”, garante Correa.“Crescimento sustentável, qualidade de serviço e fortalecimento institucional são os principais indicadores que buscamos para os próximos anos”, conclui.The post Valor Investimentos quer dobrar equipe até 2030 e acelerar expansão geográfica appeared first on InfoMoney.