SLC Agrícola (SLCE3): ‘Queremos um ROE no nível dos bons bancos’, diz CEO

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O CEO da SLC Agrícola (SLCE3), Aurélio Pavinato, afirmou que a companhia busca entregar um ROE (Retorno sobre Patrimônio Líquido) em torno de 20%, em linha com os melhores bancos do Brasil.Segundo Pavinato, antes da estratégia atual de ampliar a operação em terras arrendadas — que hoje representam cerca de dois terços da área plantada —, a SLC gerava muito valor principalmente pela valorização de suas terras agrícolas.Na época em que 100% da operação era conduzida em terras próprias, o ROE operacional da companhia era menor.“À medida que migramos para um modelo com mais áreas arrendadas, o ROE melhorou bastante. Nos últimos cinco anos, nosso ROE foi de 22%, somando operação e valorização das terras, que responderam por metade desse retorno. Nossa estratégia é gerar um ROE no padrão dos bons bancos”, afirmou Pavinato, durante participação no programa Money Minds, do Money Times (assista a íntegra acima).A companhia segue focada em ganhos de eficiência, expansão via arrendamento e aumento da rentabilidade operacional, segundo ele.“Gerando mais ROE ao longo dos anos, esperamos que isso se traduza, hoje ou amanhã, no valor da companhia e no market cap da SLC”, acrescentou o executivo.O CEO também destacou o histórico da companhia como boa pagadora de dividendos, com dividend yield médio de 5,2% ao ano nos últimos cinco anos.Como você viu aqui no Money Times, a SLC não deve realizar pagamentos de dividendos em 2026, algo confirmado por Pavinato durante o bate-papo no Money Minds.Isso porque, no fim do ano passado, a companhia promoveu um aumento de capital com bonificação de ações aos acionistas para se antecipar às novas regras de tributação. Além disso, a SLC comunicou a distribuição de R$ 400 milhões em dividendos e juros sobre capital próprio (JCP).‘O agronegócio brasileiro atingiu uma dimensão que nenhum presidente deixará de lado’Sobre as eleições presidenciais de 2026, Pavinato afirmou que a definição do próximo presidente da República sempre tem impacto para a companhia, mas ressaltou que isso não reduz o apetite da SLC por investimentos e expansão operacional.“O agro brasileiro atingiu uma dimensão e uma importância que nenhum presidente deixará de lado. A história dos últimos 30 anos mostra isso. O que nos preocupa é o custo do dinheiro, os juros e o câmbio. A decisão do novo presidente importa para entendermos como nos adaptar ao novo ambiente”, disse.Na visão do CEO da SLC Agrícola, o Brasil possui um marco legal estruturado e um ambiente favorável à inovação. Ainda assim, ele fez ressalvas sobre o financiamento ao setor agropecuário.“O governo subsidia pouco o agronegócio brasileiro, algo em torno de 3%. Quando comparamos com os Estados Unidos, esse percentual chega a cerca de 15%. E, desses 3% no Brasil, o suporte vai principalmente para pequenos e médios produtores. O grande produtor praticamente não tem subsídio hoje”, afirmou.Pavinato também mencionou a Lei Kandir, aprovada na década de 1990, que isenta as exportações de impostos e, segundo ele, ajudou a sustentar o crescimento do agronegócio brasileiro.“O ambiente favorável do Brasil foi um dos motivos que levaram a SLC a concentrar sua expansão por aqui, e não em outros países da América Latina ou da África. Temos um agro forte e um marco legal que funciona, trazendo resiliência e evitando grandes mudanças mesmo em períodos de troca de governo”.