O agronegócio segue com produção forte em maio, mas grãos e proteínas enfrentam pressão nas margens por causa dos custos elevados e do câmbio, de acordo com o relatório setorial do agro do BB Investimentos.Nos grãos, o USDA projeta nova safra recorde global de soja em 2026/27, sustentada por aumento de área plantada e produtividade, enquanto a demanda segue aquecida, principalmente para ração animal e biocombustíveis.No Brasil, a safra 2025/26 também deve ter o terceiro recorde consecutivo e sétimo nas últimas dez safras. Apesar das boas notícias, alguns fatores têm afetado a rentabilidade dos produtores: “a valorização do real, a queda de prêmios e a alta expressiva dos fertilizantes vêm comprimindo preços em reais e deteriorando a relação de troca”, afirmam os analistas.No caso do milho, o cenário é considerado pelo BB como “equilibrado”. O USDA prevê leve redução da produção global após anos de recordes, enquanto o consumo continua crescendo, reduzindo os estoques mundiais.No contexto doméstico, o Brasil mantém produção elevada e fortalece sua posição no mercado internacional. Ainda assim, o excedente exportável pode ser reduzido pelo aumento do consumo interno, especialmente pela produção de etanol.O banco ainda destaca que a rentabilidade da categoria está pressionada “pela queda de preços em reais e aumento de custos, reforçando um cenário de maior seletividade na expansão de área plantada”.Para as carnes, especificamente a carne bovina, o BB aponta que as exportações para a China sustentam um crescimento expressivo. Porém, no curto prazo, as margens vêm diminuindo porque o custo do boi gordo sobe mais rápido que os preços da carne. Além disso, a desaceleração dos abates no início de 2026 sugere um ciclo pecuário mais avançado e possível menor oferta futura.Na carne de frango, as exportações se recuperam após restrições ligadas à influenza aviária, mas as margens continuam pressionadas pela queda dos preços médios, principalmente no mercado interno, combinada a custos ainda elevados.Já na carne suína, os volumes exportados continuam crescendo, impulsionados por mercados como Filipinas e México. No entanto, a rentabilidade também sofre com queda nos preços médios e aumento de custos, reduzindo significativamente as margens.Os analistas destacam que o Brasil se destaca pelas vantagens competitivas “como custo relativo, diversificação de mercados e resiliência logística”. Todavia, os investidores devem se atentar para a volatilidade cambial e pressões de custo associadas aos eventos geopolíticos.Veja as ações recomendadas pelo BB Investimentos:EmpresaTickerPreço-alvo BB-BI 2026 (R$)Potencial (%)Recomendação3tentosTTEN320,823,1%CompraAmbevABEV3161,2%NeutraMinervaBEEF3883,9%NeutraJBSJBSS3210553,9%CompraMarfrigMBRF326,255,9%NeutraSLC AgrícolaSLCE318,46,5%NeutraBoa SafraSOJA310,768,0%Neutra*Com supervisão de Juliana Américo