Hashdex lança derivativos de ETFs cripto nos EUA e Brasil e diz que mercado entrou em nova fase

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A Hashdex avalia que a chegada de derivativos ligados aos seus ETFs e índices de criptoativos no Brasil e nos Estados Unidos marca uma nova etapa de desenvolvimento da infraestrutura regulada de ativos digitais. Em entrevista ao Portal do Bitcoin, Samir Kerbage, CIO da gestora, afirmou que futuros e opções sobre produtos de índice podem ampliar o uso dos ETFs cripto por investidores, permitindo estratégias de proteção, renda, alavancagem e maior eficiência na montagem e desmontagem de posições.As novidades envolvem diferentes frentes. Nos Estados Unidos, a CME anunciou a introdução, a partir de junho, de futuros sobre o Nasdaq Crypto Index, índice cocriado pela Hashdex com a Nasdaq e usado como referência para produtos da gestora. Também começaram a ser negociadas opções do ETF de índice cripto da Hashdex no mercado americano. No Brasil, a gestora teve aprovação regulatória e início de negociação na B3 de opções ligadas ao HASH11, seu principal ETF no país.Segundo Kerbage, o HASH11 segue o Nasdaq CME Crypto Index, desenhado para funcionar como uma espécie de “S&P 500 de cripto” ou “Ibovespa de cripto”. O índice é composto por diferentes ativos digitais e tem uma metodologia dinâmica, adicionando ou removendo criptoativos à medida que o mercado evolui.Para o executivo, a chegada de derivativos sobre esse tipo de índice é relevante porque aproxima o mercado cripto da lógica já existente em outras classes de ativos. “Isso mostra um pouco da evolução da infraestrutura de mercado de cripto, que agora a gente tem os índices, que são o principal instrumento de investimento dos investidores institucionais em toda classe de ativos, tendo um mercado de derivativos”, afirmou.Leia também: ETFs de criptomoedas têm comportamentos opostos no Brasil e nos EUA, diz executivo da HashdexNa prática, os derivativos não mudam diretamente a vida do investidor que simplesmente mantém cotas do HASH11 em carteira. Kerbage explicou que, para esse público, não há alteração imediata no funcionamento do ETF ou na exposição aos criptoativos. O impacto mais importante tende a ser indireto, por meio de aumento de liquidez e profundidade de mercado.“Para o investidor que está ali, nada muda diretamente. O benefício indireto disso é que a liquidez do ETF tende a melhorar. Então, isso torna melhor para você montar ou desmontar a posição, fazer rebalanceamento”, disse. Segundo ele, esse ganho pode ser especialmente relevante para investidores institucionais que movimentam posições de dezenas ou centenas de milhões de reais.Proteção, renda e novos produtosA nova camada de derivativos também abre espaço para estratégias mais sofisticadas. Com opções e futuros, investidores podem criar operações de hedge para proteger carteiras contra oscilações mais fortes do mercado cripto. Também passam a existir possibilidades de estratégias de renda, alavancagem e produtos estruturados baseados nos índices.Kerbage afirmou que esse movimento pode permitir tanto à Hashdex quanto a outras gestoras desenvolver novos produtos. Na avaliação dele, o avanço dos derivativos aumenta o mercado endereçável dos ETFs cripto e amplia as alternativas para investidores de varejo e institucionais. “É um marco relevante que vai permitir que a própria Hashdex crie novos produtos, vai permitir que outras gestoras criem novos produtos também”, afirmou.A gestora também passa por uma revisão de seu portfólio de ETFs no Brasil, com uma votação para que alguns fundos sejam incorporados ao FOMO11. Kerbage explicou que a Hashdex lançou, entre o fim de 2021 e o início de 2022, três ETFs temáticos ligados a finanças descentralizadas, plataformas de smart contracts e cultura digital/metaverso. Segundo ele, esses fundos não conseguiram atrair demanda suficiente para justificar a manutenção isolada das estratégias.A proposta em discussão é consolidar esses produtos em uma estratégia de momentum, do ETF FOMO11, lançada no Brasil no ano passado e já usada pela gestora fora do país há quase quatro anos. A estratégia aloca de forma dinâmica nos ativos que apresentam tendência de preço mais forte, ajustada por paridade de risco, com rebalanceamento mensal. Para Kerbage, essa seria uma forma mais sustentável de capturar ativos de menor capitalização dentro do ecossistema cripto.A visão da Hashdex contrasta com a corrida recente por ETFs de criptoativos individuais nos Estados Unidos. Kerbage afirmou que o mercado americano está se abrindo agora para novos produtos, enquanto o Brasil já conta com uma grade mais ampla desde 2021. Ainda assim, a escala dos EUA é muito maior: segundo ele, o mercado americano de ETFs é “literalmente mil vezes” maior do que o brasileiro.Apesar da busca por produtos de ativos específicos, a Hashdex mantém a convicção de que cripto é maior do que Bitcoin e que ainda é cedo para escolher os vencedores do setor. Por isso, a gestora continua defendendo estratégias de índice como principal porta de entrada para investidores profissionais, family offices, assessores, consultores e fundações que buscam uma alocação diversificada e de longo prazo em ativos digitais.“Cripto é muito maior do que só Bitcoin”, disse Kerbage. Segundo ele, o mercado deve ter dezenas ou centenas de ativos com valor relevante ao longo do tempo, mas a competição ainda está em aberto. Nesse contexto, cestas diversificadas reduzem a necessidade de o investidor tentar escolher antecipadamente quais serão os “cavalos vencedores”.Bitcoin lateralizado, fundamentos mais fortesNa entrevista, Kerbage também comentou o momento do mercado cripto. Segundo ele, os preços passaram por uma correção relevante e agora vivem uma fase de lateralização. O executivo disse não se surpreender se o Bitcoin continuar por algum tempo em uma faixa entre US$ 70 mil e US$ 90 mil, à espera de novos catalisadores, especialmente do lado macroeconômico.Apesar da volatilidade e das incertezas ligadas a juros, geopolítica e cenário global, ele avalia que os fundamentos do setor estão ficando mais fortes. Entre os pontos citados estão o avanço dos derivativos na CME, orientações da SEC e da CFTC sobre a classificação de criptoativos, a tramitação do Clarity Act nos Estados Unidos e o fortalecimento da tese de uma reserva de valor não soberana em um ambiente de mudanças geopolíticas.Para Kerbage, há um descompasso entre preço e fundamentos, o que pode representar oportunidade para investidores de longo prazo. “Para o investidor paciente, para o investidor que está olhando para o horizonte em mais longo prazo, essa desconexão é justamente a oportunidade”, afirmou. Segundo ele, o momento é mais de alocação e rebalanceamento do que de redução de exposição para quem tem uma visão de três a cinco anos.Quer investir na maior criptomoeda do mundo? No MB, você começa em poucos cliques e de forma totalmente segura e transparente. Não adie uma carteira promissora e faça mais pelo seu dinheiro. Abra sua conta e invista em bitcoin agora!O post Hashdex lança derivativos de ETFs cripto nos EUA e Brasil e diz que mercado entrou em nova fase apareceu primeiro em Portal do Bitcoin.