Campeão argentino vai receber menos em premiações que vencedor da Série B

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Não é novidade que o Brasil vem dominando o cenário do futebol sul-americano, por exemplo, as últimas sete edições da Copa Libertadores tiveram campeões brasileiros e, dos 14 finalistas desde 2019, apenas dois eram argentinos. E essa discrepância também se apresenta nos valores investidos.Uma das diferenças mais gritantes está justamente nas ligas nacionais. O Belgrano, que fez história no último domingo (24) ao vencer o River Plate por 3 a 2 e se tornou campeão argentino, recebeu apenas 500 mil dólares de premiação, aproximadamente R$ 2,5 milhões pela cotação atual. Leia mais Belgrano faz história, vence River Plate e conquista o Campeonato Argentino Inter Miami detalha lesão de Messi após exames; veja Corinthians e Talleres fecham acordo por pagamento de dívida de Garro Em comparação com o Brasil, o Coritiba, campeão da Série B em 2025, faturou R$ 3,5 milhões em premiação paga diretamente pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF).Para Cristiano Caús, advogado especializado em direito desportivo e sócio do CCLA Advogados, a distância do Brasil para a Argentina pode ser comparada à diferença do futebol brasileiro para a Europa.“A disparidade entre as premiações pagas pelas competições brasileiras e aquelas pagas em território argentino talvez seja a mesma distância que nossas ligas têm em relação às principais competições do velho continente. Além disso, tal qual ocorre em relação à Europa, os valores muito superiores pagos pelas competições brasileiras em comparação com as argentinas também são explicados pela diferença entre nossa economia e a de nossos vizinhos”, analisou.Críticas à gestãoA disparidade econômica e organizacional incomoda grandes nomes do futebol argentino e não é de hoje. O ex-jogador Juan Sebastián Verón, atual presidente do Estudiantes, fez nos últimos anos duras críticas ao atual cenário econômico do futebol no país.“O negócio no futebol (argentino) chegou ao limite. Você pode competir com o futebol brasileiro, mas nas fases finais precisa de capital, que é o que o clube argentino não tem”, disse, em entrevista à Bloomberg Línea, em 2025.Em novembro de 2024, Verón havia criticado também o valor das premiações no futebol da Argentina em comparação com o Brasil. Para ele, os prêmios “não pagam nem o ônibus dos torcedores”.SAF é solução?Fatores externos ao futebol, como economia e valorização da moeda impactam diretamente na arrecadação do esporte e, por isso, os clubes precisam se antecipar e criar gatilhos para aumentar a renda, diminuindo esses impactos.Segundo Guilherme Bellintani, ex-presidente do Bahia e atual CEO da Squadra Sports, primeira plataforma de multiclubes no Brasil, é justamente aí que futebol argentino vem deixando a desejar.“O Brasil passou a dominar a Libertadores porque esse cenário combina o declínio econômico do futebol argentino, que não se modernizou em termos de estratégia financeira, captação de recursos, comercialização de direitos e estruturação dos clubes, e a ascensão de vários clubes brasileiros, impulsionada por mais público nos estádios, maior venda de patrocínios e melhor negociação dos direitos”, explicou.“No futebol nada é definitivo, mas há uma tendência de que os grandes clubes do Brasil, bem organizados e financeiramente estruturados, sigam ampliando esse domínio nos próximos anos. A grande diferença no futebol brasileiro não está entre SAFs e clubes associativos, mas entre instituições bem geridas e mal geridas”, afirmou Bellintani.Outros especialistas também ponderam sobre a possibilidade das SAFs, ou as SADs, como são chamadas na Argentina.“Vale destacar que a mentalidade dos dirigentes também impacta. Na Argentina, o futebol ainda é visto como um patrimônio cultural, com forte ligação à paixão popular e à resistência ao modelo corporativo, o que limita a exploração comercial do esporte. Por outro lado, o Brasil, mesmo enfrentando desafios, tem adotado uma abordagem mais pragmática, que une paixão à visão de negócios”, analisa Thales Rangel Mafia, gerente de marketing da Multimarcas Consórcios.Geração 2026: em sua última Copa, Messi mira o bicampeonato consecutivoPublicado por Cris Schwambach