Datafolha confirma a força do populismo eleitoral

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De acordo com a última pesquisa Datafolha divulgada hoje (22), 68% dos endividados esperam se beneficiar do Desenrola 2, programa do governo federal que permite a renegociação de dívidas das pessoas, utilizando recursos do FGTS.O programa está longe de resolver a questão, pois não ataca as causas estruturais do endividamento familiar. A alta dívida contraída pelas pessoas está ligada ao encarecimento do custo de vida, à proliferação de casas de apostas online, às elevadas taxas de juros para pessoas físicas no país e à insegurança jurídica, com uma Justiça mais pró devedor do que credor.Pesa ainda a favor do devedor programas exatamente como este, que incentivam mais endividamento futuro, uma vez que a pessoa sabe que, se não pagar a dívida, o governo poderá socorrê-la. É o que chamamos em finanças de moral hazard (risco moral).Uma das formas de atacar estruturalmente o problema seria fazer um ajuste nas contas públicas, que ajudaria a conter a inflação e reduzir as taxas de juros do governo e do mercado, levando a um menor endividamento.No entanto, esse tipo de medida, embora seja altamente positiva para o país, não traria os efeitos que a pesquisa Datafolha captou. Infelizmente, em ano eleitoral, o populismo vence as políticas de Estado de longo prazo.