O BPC (Benefício de Prestação Continuada) cresceu entre 60% e 70% em termos reais nos últimos quatro anos e representa hoje um dos principais desafios para o equilíbrio das contas públicas brasileiras.A avaliação é de Rafaela Vitória, economista-chefe do Inter, que analisou os dados apresentados em relatório conjunto do Ministério do Planejamento e Orçamento e do Ministério da Fazenda.Segundo o documento, duas despesas se destacaram negativamente: os R$ 14 bilhões referentes ao BPC e os R$ 11,5 bilhões em benefícios previdenciários.Para Rafaela Vitória, o BPC é o programa que apresenta a maior ausência de controle sobre seu crescimento.“Esse talvez seja o programa de benefícios do governo hoje com uma total ausência de controle do seu crescimento”, afirmou. Leia Mais Moretti: 20% do bloqueio no Orçamento será em emendas parlamentares Banco Central define prazo de 6 dias para BRB apresentar solução financeira Membro do Fed: É loucura falar em corte de juro considerando dados recentes Crescimento acelerado e incentivo perversoO programa cresce cerca de 15% ao ano em termos reais, ritmo muito superior ao da arrecadação, o que compromete a previsão orçamentária para os próximos anos.Rafaela Vitória destacou ainda um problema estrutural no desenho do benefício: por ser destinado a idosos sem renda, o BPC acabaria criando um desincentivo à contribuição previdenciária.“A gente começa a ver esse incentivo da não contribuição para a Previdência por ter praticamente garantido essa assistência através do BPC”, explicou.Para ela, esse incentivo precisa ser corrigido, sob o risco de esvaziar os efeitos da reforma da Previdência.“Hoje não é compatível com o nosso orçamento, infelizmente”, concluiu.Novos programas e credibilidade fiscalQuestionada sobre os programas anunciados recentemente pelo governo federal, Rafaela Vitória observou que a maior parte deles utiliza fundos, subsídios ao crédito e bancos públicos, o que evita um impacto direto no fiscal.No entanto, a economista alertou que o conjunto de medidas — fiscais e parafiscais — compromete a credibilidade do ajuste.“O governo, na medida que cria programas fora dessas regras, ele tira a sua própria credibilidade no controle do ajuste fiscal”, disse.Segundo ela, esse cenário desancora as expectativas de inflação e se reflete na taxa de juros dos títulos emitidos pelo Tesouro, que estaria acima de 7,5%.Rafaela Vitória também comentou a defesa do gradualismo no ajuste fiscal. Ela reconheceu que mudanças drásticas de um ano para o outro não são viáveis, dado o engessamento do orçamento brasileiro, e que o gradualismo esteve presente em medidas anteriores, como o teto de gastos e o novo arcabouço fiscal apresentado em 2023.Porém, fez uma ressalva importante: “O governo não avançou em nada, nem gradualmente, no ajuste fiscal nos últimos quatro anos”.Para a economista, todo o ganho via receita foi consumido por vinculações e aumentos de despesas discricionárias. O ajuste necessário seria de pelo menos dois pontos percentuais do PIB (Produto Interno Bruto) para que o país transite de um déficit estimado entre 0,5% e 0,7% para um superávit entre 1% e 1,5%.Veja os 5 sinais de que as contas públicas do Brasil estão em risco Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.