A crescente onda regulatória sobre o mercado de criptomoedas no Brasil pode aumentar a concentração do setor e dificultar a sobrevivência de empresas menores, segundo Diego Perez, vice-presidente da ABcripto. Para ele, a chegada das regras do Banco Central, da Receita Federal e de outros órgãos é um passo natural no amadurecimento da indústria, mas os requisitos precisam ser calibrados para não sufocar a concorrência.“Isso potencialmente vai acontecer. E o nosso trabalho como entidade é tentar reduzir os impactos disso ou permitir que, pelo menos, os menores tenham alguma possibilidade, alguma oportunidade de se manterem vivos”, afirmou Perez em entrevista ao Portal do Bitcoin.Nos últimos meses, o setor viu uma série de novas normas envolvendo prestadores de serviços de ativos virtuais (PSAVs), regras cambiais, exigências de reporte à Receita Federal e consultas públicas relacionadas à regulação do mercado.Segundo Perez, o principal risco está nos requisitos que normalmente acompanham a regulação financeira, como exigências de capital mínimo, certificações tecnológicas, segurança cibernética e controles de prevenção à lavagem de dinheiro.Leia também: Exigência do Banco Central para recursos segregados abre debate sobre custos no setor cripto“O clima organizado, os ataques cibernéticos estão se tornando frequentes e cada vez mais sofisticados. Mas tem que existir um equilíbrio perfeito entre reguladores e mercado para que esses requisitos não sufoquem o crescimento e o desenvolvimento do setor”, disse.Ele cita como exemplo o mercado de fintechs, onde o capital exigido para operar aumentou significativamente ao longo dos anos. Na sua visão, um movimento semelhante pode ocorrer com as empresas cripto.A preocupação ganha relevância justamente em um momento em que bancos, corretoras tradicionais e grandes instituições financeiras aceleram sua entrada no mercado de ativos digitais, ampliando a concorrência com exchanges e empresas nativas do setor.Bancos entram no jogoSobre o crescimento da concorrência no mercado, Perez diz que a entrada dos grandes bancos é um movimento natural e até positivo para o ecossistema. “A gente enxerga isso com naturalidade. As pessoas que vão consumir ativos digitais são as mesmas pessoas que são clientes dos bancos”, afirmou.Segundo ele, a presença de instituições tradicionais amplia as opções para os investidores e ajuda a consolidar o mercado. Além disso, abre espaço para parcerias entre bancos e empresas cripto, que muitas vezes fornecem tecnologia, infraestrutura e conhecimento especializado.Ainda assim, ele alerta para o risco de um desequilíbrio regulatório.“A única preocupação que o setor tem é talvez ter uma concentração bancária. Se as regras para os prestadores de serviços nativos forem injustificadamente mais elevadas, as instituições tradicionais terão menos dificuldade para lidar com a carga regulatória e as empresas inovadoras podem ficar em posição de desvantagem.”Na avaliação da ABcripto, o desafio é garantir que a competição aconteça em bases equivalentes, sem criar barreiras excessivas para novos participantes.IOF e stablecoins seguem no radarOutro tema que continua preocupando o setor é a possibilidade de mudanças tributárias envolvendo ativos digitais. Perez afirmou que o debate sobre eventual incidência de IOF em operações com criptomoedas gera insegurança, mas defendeu que qualquer mudança precisa passar pelo Congresso Nacional.“O ativo virtual não é moeda e também não é um instrumento financeiro tradicional. Para que o IOF incida sobre operações com ativos virtuais, é preciso um ajuste na legislação”, disse.Leia também: Associações emitem nota contra IOF sobre criptomoedas e apontam ilegalidadeSegundo ele, a Receita Federal não possui competência para criar ou majorar tributos sem respaldo legal específico. “Se não tiver ajuste legislativo, ele não é legítimo”, afirmou.Além da tributação, a ABcripto acompanha projetos considerados prioritários para o setor. Entre eles estão a regulamentação da segregação patrimonial das exchanges, que busca separar os recursos dos clientes do patrimônio das empresas, e a discussão sobre um marco regulatório para stablecoins.Perez também destacou projetos que permitiriam ao Tesouro Nacional e ao Banco Central manter reservas estratégicas em ativos digitais. Embora o impacto prático seja limitado para o governo, ele acredita que a medida teria forte efeito simbólico para o mercado.“Isso traz uma reputação institucional muito forte para os ativos digitais. Eles passam a ser vistos como instrumentos possíveis de estratégia econômica e financeira, e não apenas como ativos alternativos”, afirmou.Quer investir na maior criptomoeda do mundo? No MB, você começa em poucos cliques e de forma totalmente segura e transparente. Não adie uma carteira promissora e faça mais pelo seu dinheiro. Abra sua conta e invista em bitcoin agora!O post “Empresas menores precisam ter chance de sobreviver”, diz ABcripto sobre regulação apareceu primeiro em Portal do Bitcoin.