Mandioca vive fase de ajuste no Brasil com produção maior e preços voláteis

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O mercado de mandioca no Brasil vive um momento de reorganização em 2026, com aumento de produção, recomposição parcial de estoques e preços ainda bastante sensíveis à dinâmica entre safra e demanda industrial.Dados acompanhados pelo Cepea/Esalq e estimativas do setor apontam que a cadeia segue fortemente condicionada por fatores climáticos, logísticos e estruturais, especialmente pela impossibilidade de estocagem da raiz in natura por longos períodos.Segundo o Cepea, o comportamento recente do mercado reflete diretamente essa limitação estrutural. “A mandioca é um mercado altamente dependente da safra, porque não há capacidade de estocagem da raiz fresca. Isso faz com que a oferta oscile ao longo do ano e pressione os preços em determinados períodos”, aponta o centro de pesquisas. Leia Mais Preço do leite volta a subir com menor oferta no campo Oferta global de café deve superar demanda em 2026 Recebimento de cacau cresce 61% no primeiro trimestre de 2026 A produção nacional segue concentrada em polos industriais do Centro-Sul. São Paulo, Mato Grosso e Paraná respondem por cerca de 30% da produção brasileira, sendo que praticamente 100% desse volume é destinado ao mercado industrial, especialmente para produção de fécula e amidos modificados.Já o restante da produção está mais disperso nas regiões Norte e Nordeste, com forte uso alimentar, principalmente na produção de farinha e farofa.De acordo com o executivo Aleksandro Siqueira, diretor de novos negócios da Lorenz, essa diferença regional é determinante para o funcionamento da cadeia.“São Paulo, Mato Grosso e Paraná são regiões totalmente industriais. Tudo o que é produzido ali vai para fecularia. Já no Norte e Nordeste, a mandioca é muito mais voltada para consumo alimentar, como farinha e produtos tradicionais”, afirmou.Nos últimos anos, o setor registrou expansão relevante em alguns recortes produtivos. O mercado aponta aumento de cerca de 28% na produção em determinados ciclos recentes, acompanhado por crescimento de estoques na ordem de 11%, principalmente nas regiões industriais, onde há maior organização da cadeia e capacidade de processamento.Em um intervalo de três anos, alguns indicadores industriais mostram avanço da produção de aproximadamente 350 mil toneladas para cerca de 410 mil toneladas, refletindo ganho de produtividade e ampliação de área em polos específicos.Ainda assim, o crescimento não é linear e varia de acordo com clima, preço e decisão de plantio.O Cepea destaca que o Brasil possui uma base produtiva extensa e perene, com ciclos que podem levar até dois anos até a colheita da mandioca. Esse fator, combinado à perecibilidade da raiz, torna o mercado altamente sensível ao calendário agrícola. “A mandioca não pode ser estocada como outras commodities.Isso obriga a indústria a processar rapidamente o que é colhido, criando picos de oferta e períodos de escassez ao longo do ano”, reforça o Cepea.Na avaliação de Aleksandro Siqueira, essa característica estrutural é um dos principais desafios da cadeia industrial. “O grande desafio da mandioca é que você não consegue estocar a raiz. Então a indústria precisa estar preparada para receber o produto no momento certo, senão você perde rendimento e eficiência no processo”, explicou.O comportamento de preços em 2026 reflete esse cenário de alternância entre oferta e demanda. Em períodos de maior disponibilidade de raiz, os preços recuam, enquanto na entressafra há recuperação gradual.Segundo o Cepea, “os preços da mandioca destinada à indústria seguem voláteis, influenciados diretamente pelo ritmo de colheita e pela demanda das fecularias, com variações regionais importantes entre os principais estados produtores”.Estados como Paraná e Mato Grosso do Sul costumam apresentar cotações mais elevadas, em função da forte presença industrial e da maior concorrência pela matéria-prima. Em contrapartida, regiões com menor concentração de fecularias tendem a registrar preços mais pressionados.A recomposição parcial dos estoques, estimada pelo mercado em cerca de 11% em determinados períodos, trouxe algum alívio para a indústria. No entanto, o Cepea avalia que esse movimento ainda não é suficiente para eliminar completamente a volatilidade do setor.“A gente percebe um mercado mais ajustado, mas ainda muito dependente da oferta pontual. Qualquer variação de clima ou de produtividade impacta diretamente a indústria”, aponta o Cepea.Apesar dos desafios, o setor mantém perspectiva de estabilidade com leve crescimento, sustentado pela demanda industrial e pela ampliação de usos da mandioca em segmentos como fécula, amidos modificados e aplicações industriais. Para Aleksandro Siqueira, o movimento de industrialização é o principal vetor de sustentação da cadeia.“A mandioca deixou de ser apenas alimento tradicional e passou a ser uma matéria-prima industrial estratégica. Isso muda completamente a dinâmica de preço, demanda e investimento no campo”, afirmou.O mercado, portanto, segue em um equilíbrio dinâmico entre produção crescente em alguns polos, limitação estrutural de armazenamento e demanda industrial constante, cenário que mantém a mandioca como uma das cadeias agrícolas mais sensíveis e ao mesmo tempo estratégicas do agronegócio brasileiro.Brasil e Coreia do Sul assinam acordos de cooperação agrícola