A Copa do Mundo está perto de começar e o varejo já está em campo para capturar as oportunidades do evento. Na visão da XP Investimentos, o Grupo SBF (SBFG3), dono da Centauro e administrador da Nike no Brasil, é o nome mais bem posicionado para isso. A equipe de analistas da casa aponta ainda o Assaí (ASAI3) como um beneficiário marginal, impulsionado por maior demanda de encontros sociais, enquanto o Mercado Livre (MELI34) também está entre os nomes promissores, embora enfrente um ambiente mais competitivo.A XP analisou a Copa do Mundo sob duas óticas: a primeira delas relacionada aos principais temas macroeconômicos, onde são vistos ventos contrários para o setor. Somado a isso, a casa mapeou a dinâmicas específicas por segmento, particularmente em camisas, eletrônicos, vestuário e varejo alimentar.A edição de 2026 do torneio mundial é mais longa do que as últimas, com duração de 39 dias ante uma média de 31 dias, representando uma expansão de aproximadamente 26% no período do torneio, impulsionada pela mudança do formato para 48 seleções, destaca a XP.A variável mais relevante, porém, é até onde o Brasil conseguirá avançar. Mesmo assumindo que o desempenho da seleção seja semelhante ao das últimas Copas, indo até as quartas de final, o impacto seria equivalente ao de chegar à final em edições anteriores, devido à maior duração do torneio, na leitura dos analistas.Copa do Mundo e varejoUma das primeira conclusões da XP é que os efeitos positivos de calendário devem ser relevantes para as varejistas, com o melhor alinhamento entre os jogos e os horários de compras desde que o Brasil sediou a Copa do Mundo.Por outro lado, o aumento das apostas (bets) pode pressionar ainda mais o poder de compra dos consumidores, já que a regulamentação, combinada com a forte atividade promocional e a grande afinidade dos brasileiros com o futebol, deve impulsionar um crescimento robusto do setor neste ano, na visão da casa.Em ano de Copa, o Grupo SBF está bem posicionado para capturar o aumento da demanda por camisas da seleção brasileira. O monitoramento da XP aponta uma procura mais forte do que o esperado por camisas premium (versão dos jogadores).Do lado dos marketplaces, Mercado Livre e Amazon são as empresas mais bem posicionadas para capturar o aumento da demanda por eletrônicos, enquanto a intensidade promocional deve permanecer elevada.No varejo de vestuário, a equipe de analistas observa o lançamento de coleções com temática “Brazil Core” para aumentar o fluxo nas lojas e destravar oportunidades incrementais de vendas cruzadas. Para a XP, a Riachuelo (RIAA3) se destaca com o portfólio mais amplo e democrático, enquanto a C&A (CEAB3) adota a estratégia mais tímida.Por fim, os analistas avaliam que as vendas nas mesmas lojas (SSS, na sigla em inglês) do varejo alimentar devem registrar benefícios marginais com o evento, embora o enfraquecimento do poder de compra do consumidor continue sendo uma restrição importante, especialmente em um contexto de aumento da atividade de apostas.