Drones ucranianos atingem refinaria e depósito de combustível na Rússia

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A Ucrânia realizou uma nova onda de ataques com drones contra o território russo durante a noite deste domingo, atingindo uma refinaria de petróleo, um depósito de combustível e uma estação de bombeamento de oleoduto, segundo autoridades russas e ucranianas.As ações fazem parte de uma campanha crescente de Kiev contra a infraestrutura energética da Rússia, incluindo instalações localizadas a centenas de quilômetros da linha de frente da guerra.De acordo com o Estado-Maior das Forças Armadas da Ucrânia, a refinaria de petróleo de Saratov, situada às margens do rio Volga, foi atingida durante a operação, provocando um grande incêndio. O governador da região, Roman Busargin, afirmou por meio do Telegram que houve danos à “infraestrutura civil”, sem detalhar quais estruturas foram afetadas. Leia Mais Ucrânia realiza ataque com drones e mísseis na Crimeia, ocupada pela Rússia Chefe da ONU expressa preocupação com planos da Rússia para ataque a Kiev Putin oferece alívio de dívidas a recrutas que entrarem na guerra O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskiy, confirmou o ataque e destacou a distância entre o alvo e a linha de frente do conflito. “Durante a noite, nossos soldados aplicaram as sanções de longo alcance da Ucrânia contra uma refinaria de petróleo em Saratov, na Rússia. Isso fica a cerca de 700 km da linha de frente”, declarou.Nem todos os drones lançados pela Ucrânia conseguiram alcançar seus objetivos. O Ministério da Defesa da Rússia informou ter abatido 216 aeronaves não tripuladas durante a madrugada.Além da refinaria, Kiev afirmou ter atingido a estação de bombeamento de Lazarevo, localizada na região de Kirov, a nordeste de Moscou. Segundo os militares ucranianos, a instalação abastece o oleoduto Surgut-Gorky-Polotsk, utilizado para transportar petróleo da Sibéria para Belarus.O governador da região de Kirov, Alexander Sokolov, confirmou que drones atingiram uma instalação local, mas não forneceu detalhes sobre os danos ou sobre o funcionamento da estrutura após o ataque.Outro alvo foi um depósito de combustível na cidade de Matveyev Kurgan, na região de Rostov, área que faz fronteira com o Donbas ucraniano. Autoridades locais relataram que um grande incêndio tomou conta da instalação após o impacto dos drones. A cidade fica próxima à porção da região de Donetsk controlada pela Rússia. A Ucrânia confirmou ter realizado o ataque.As consequências dos bombardeios também foram registradas em outras áreas próximas à fronteira. Os governadores das regiões de Voronezh e Belgorod relataram danos provocados pelos drones. Em Belgorod, três civis ficaram feridos, segundo as autoridades locais.“ONDA A FAVOR DA UCRÂNIA”: correspondente relata pressão contra russos | Fora da OrdemNa Crimeia, península controlada por Moscou desde 2014, o governador Sergei Aksyonov anunciou restrições à venda de gasolina. Embora não tenha explicado os motivos da medida, a decisão ocorre em um contexto de repetidos ataques ucranianos contra instalações ligadas ao abastecimento de combustíveis no sudoeste da Rússia.Enquanto os ataques contra a infraestrutura energética se intensificam, uma nova troca de acusações envolvendo a usina nuclear de Zaporizhzhia aumentou a tensão entre os dois países. A Rússia acusou a Ucrânia de atingir uma garagem dentro do complexo nuclear localizado em território ocupado pelas forças russas. O Ministério das Relações Exteriores da Ucrânia negou a alegação, assim como já havia rejeitado uma acusação semelhante feita no dia anterior.O órgão de monitoramento nuclear das Nações Unidas, que mantém inspetores na instalação, informou que sua equipe observou danos em um prédio de turbinas causados por drones no sábado. O relatório, porém, não identificou a origem das aeronaves. Segundo o comunicado, os níveis de radiação na usina permaneceram dentro da normalidade.Os ataques ocorrem em um momento em que a Ucrânia busca ampliar a pressão militar sobre a Rússia. Em entrevista à Reuters, o brigadeiro-general Andriy Biletsky, comandante do Terceiro Corpo de Exército da Ucrânia, avaliou que os próximos meses serão decisivos para o rumo do conflito.“Acredito que os próximos seis a nove meses serão um ponto de virada”, afirmou. “Mais precisamente, acho que os próximos seis meses são os mais críticos.”Segundo Biletsky, as forças russas estariam enfrentando sinais de desgaste após mais de quatro anos de guerra. Na avaliação do comandante, se a Ucrânia conseguir manter o atual ritmo de operações e consolidar ganhos no campo de batalha, poderá fortalecer sua posição em futuras negociações de paz.“Precisamos definir as direções em que podemos melhorar nossas posições, tomar alguns pontos estratégicos e, então, conversar com os russos a partir de uma posição de força – não de fraqueza – sobre uma trégua verdadeiramente estável”, declarou.O presidente russo, Vladimir Putin, tem sustentado que a Rússia alcançará seus objetivos na guerra e afirmou recentemente acreditar que o conflito se aproxima de sua fase final. Apesar disso, os combates continuam intensos no leste da Ucrânia, especialmente na região de Donetsk, um dos principais focos da disputa territorial entre os dois países.Analistas ouvidos pela Reuters apontam que tanto Moscou quanto Kiev enfrentam desafios para sustentar seus esforços militares. Enquanto a Rússia lida com sinais de desgaste em algumas frentes, a Ucrânia continua enfrentando dificuldades relacionadas à disponibilidade de efetivos. Ao mesmo tempo, ambos os lados aceleram o emprego de novas tecnologias no campo de batalha, com destaque para drones, sistemas não tripulados e ataques de longo alcance.Nesse cenário, os recentes bombardeios contra refinarias, depósitos de combustível e instalações ligadas ao transporte de petróleo evidenciam a estratégia ucraniana de ampliar a pressão sobre a logística energética russa, enquanto o conflito segue sem perspectivas imediatas de solução diplomática.Com informações de Felix Light e Max Hunder, da Reuters; edição de Kevin Liffey e David HolmesPor que Donetsk é ponto de discórdia para encerrar guerra na Ucrânia?