Livro mostra por que o mineiro Afonso Arinos segue relevante após 120 anos

Wait 5 sec.

O legado intelectual e político do mineiro Afonso Arinos de Melo Franco é resgatado em uma nova publicação de fôlego lançada para marcar o aniversário de seu nascimento. Organizado pelo professor Arno Wehling, membro da Academia Brasileira de Letras (ABL), e pelo jornalista Rogério Faria Tavares, o livro “Nos 120 anos de Afonso Arinos de Melo Franco” chegou ao mercado pela Editora Miguilim.Ao longo de suas 584 páginas, o volume reúne dezessete ensaios com o objetivo de difundir a obra desse multifacetado jurista, diplomata, professor, ensaísta e político brasileiro entre as novas gerações.“O legado de Afonso Arinos de Melo Franco está mais atual e mais relevante que nunca e traz uma imensa contribuição e uma forte e densa reflexão a todos os estudiosos do Brasil contemporâneo. Afonso Arinos respeitou a potência brasileira, respeitou o tamanho e a grandeza do Brasil, coisa que deve permanecer hoje nas reflexões atuais. O Brasil precisa manter a sua posição ativa, altiva e soberana no concerto das nações. É preciso sempre usar as qualidades e habilidades que Afonso Arinos usou como ninguém: negociação, diálogo, palavra sábia, ponderada e inteligente”, destaca à Itatiaia Rogério Faria Tavares. Leia Mais "Pobre também precisa de segurança pública", diz Barroso após ações no Rio Dino expõe maioria consolidada no STF contra anistia O que levou a PF a indiciar Silvio Almeida por crime de importunação sexual Os textos que compõem a coletânea contemplam a vasta gama de interesses culturais e áreas de atuação do homenageado, abrangendo desde a ciência política e o direito constitucional até a história das ideias, a história econômica e a política externa, além de abrir espaço para a crítica literária e o memorialismo.O corpo de autores é formado tanto por personalidades que conviveram diretamente com Afonso Arinos quanto por estudiosos familiarizados com sua trajetória, cientes de sua relevância entre os grandes pensadores do país. Como acréscimo histórico, a obra resgata dois poemas dedicados ao intelectual quando ele completou cinquenta anos, um escrito por Carlos Drummond de Andrade e o outro por Alphonsus de Guimaraens Filho.Mais do que uma análise técnica, o livro promove uma renovação do diálogo com a produção de Arinos e humaniza sua figura pública por meio de depoimentos bastante pessoais, expressos em prosa e em verso. Esse retrato intimista é reforçado por um conjunto expressivo de fotografias cedidas pela família, que capturam cenas e gestos fundamentais para a reconstituição de seu percurso biográfico.Na vida pública, ele se destacou como o idealizador da primeira lei antirracista do período republicano, sancionada em 1951 e batizada com seu nome, e despontou como um dos principais formuladores da chamada “política externa independente” durante sua gestão como chanceler no governo de Jânio Quadros.“A intenção do livro foi produzir um retrato o mais completo possível, mas, sobretudo, um retrato complexo do personagem focalizado. Afonso Arinos deve ser visto como um homem de seu tempo, um homem de sua época, como alguém que leu os autores que as pessoas de sua época leram, que teve uma trajetória locada no tempo e no espaço e nas circunstâncias históricas. Nós tivemos também uma necessidade de humanizar o personagem. Afonso Arinos não foi apenas um homem público, ele foi um intelectual, um homem da cultura, um memorialista, e tudo isso precisa ser retratado devidamente”, afirma Rogério Faria Tavares.A densa produção intelectual de Afonso Arinos é detalhada a partir de diferentes frentes de sua atuação, permitindo ao leitor se aprofundar em sua passagem pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal, além de seu trabalho no Ministério das Relações Exteriores.O volume também joga luz sobre sua carreira acadêmica como professor na Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) e na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), bem como sua ativa participação em instituições de prestígio, como o IHGB (Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro), o IAB (Instituto dos Advogados Brasileiros) e a própria Academia Brasileira de Letras.Falecido em 1990 no exercício do mandato de senador, Afonso Arinos de Melo Franco teve um papel simbólico marcante no fim da vida ao ser o membro mais idoso da Assembleia Nacional Constituinte. Naquela ocasião, coube a ele discursar em nome de todos os parlamentares no dia histórico da promulgação da Constituição de 1988. Diante do cenário contemporâneo, os organizadores apontam que suas ideias em defesa do Estado Democrático de Direito e da expansão da soberania nacional permanecem mais atuais do que nunca.Rogério Faria Tavares é jornalista, advogado e escritor nascido em Belo Horizonte. Mestre em Direito e Doutor em Literatura, detém o Diploma de Estudos Avançados em Direito Internacional e Relações Internacionais da Universidade Autônoma de Madri. Ao longo de sua trajetória, atuou na imprensa e no meio acadêmico, dedicando-se à reflexão sobre cultura e, em especial, sobre literatura. Autor de nove livros, é membro do IHGB (Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro) e presidente emérito da Academia Mineira de Letras (cadeira 8).Ficha técnicaTítulo: Nos 120 anos de Afonso Arinos de Melo FrancoOrganizadores: Arno Wehling e Rogério Faria TavaresAutores: Airton L. Cerqueira Leite Seelaender, Angelo Oswaldo de Araújo Santos, Arno Wehling, Aspásia Camargo, Bernardo Cabral, Cesario Mello Franco, Christian Lynch, Cláudio Aguiar, Domício Proença Filho, Edmar Lisboa Bacha, José Sarney, Joaquim Falcão, Luiz Feldman, Rogério Faria Tavares, Rubens Ricupero e Sydney Limeira SanchesNúmero de páginas: 592Acabamento: capa duraPreço: R$ 219,00Editora: MiguilimOs 10 melhores livros do século 21, segundo o New York Times