Dinossauro carnívoro andava a 1 km/h na região da China; entenda

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Pesquisadores chineses identificaram um dos maiores sítios de pegadas de dinossauros do país e registraram, pela primeira vez, evidências de um dinossauro carnívoro se deslocando a apenas 1 km/h, velocidade considerada a menor já documentada para um terópode em formações geológicas semelhantes.A descoberta foi feita em Xuanhua, na cidade de Zhangjiakou, na província de Hebei, no norte da China.Segundo o jornal Zhangjiakou Daily, o local possui uma área exposta de cerca de 30 mil m² e reúne mais de 5 mil pegadas fossilizadas preservadas, ampliando o registro paleontológico chinês sobre ecossistemas dominados por dinossauros.A equipe responsável pelo estudo identificou novos setores de escavação, denominados Lishi II e Lishi III, a até 2,25 km do sítio originalmente descoberto. Nessas áreas, foram encontradas 27 pegadas tridáctilas completas, com tamanhos entre 10,1 e 26,7 cm, atribuídas a diferentes indivíduos carnívoros de pequeno porte.Pegadas tridáctilas são marcas fossilizadas caracterizadas pela presença de três dedos. Segundo os pesquisadores, essas pegadas pertenciam a terópodes, grupo de dinossauros carnívoros analisado no estudo. Os registros preservam rastros de indivíduos de diferentes tamanhos e ajudaram a ampliar o número de áreas dominadas por esse tipo de pegada na região.O dado que mais chamou atenção dos pesquisadores foi registrado no sítio Lishi III. Cinco pegadas especialmente preservadas permitiram calcular que o animal percorria o terreno a cerca de 0,28 metro por segundo, equivalente a aproximadamente 1 km/h.O resultado contrasta com a imagem tradicional de dinossauros carnívoros como predadores rápidos e altamente ativos. De acordo com os pesquisadores, outros pequenos terópodes que viveram na mesma região e período apresentava velocidades estimadas entre 9 e 14 km/h.Para comparação, a velocidade estimada para o dinossauro se aproxima do ritmo de deslocamento de uma tartaruga comum, e equivale a cerca de um quarto do ritmo médio de caminhada de um ser humano adulto, que costuma variar entre 4 e 5 km/h.Segundo o paleontólogo Xing Lida, da Universidade de Geociências da China, o comportamento registrado não indica limitação física do animal. A hipótese é que ele estivesse reduzindo deliberadamente o ritmo para procurar pequenas presas e observar o ambiente em busca de ameaças. Leia Mais Telescópio espacial atravessa o céu do interior de SP nesta noite (27) "Ele é pequenininho": nova espécie de polvo é encontrada em Galápagos Mamíferos venenosos: conheça espécies que desafiam "lógica natural" Preservação das pegadasOutro aspecto considerado excepcional pelos cientistas foi o estado de preservação das pegadas. O estudo aponta que camadas microbianas, compostas de estruturas formadas por microrganismos sobre o solo, atuaram como uma espécie de “filme protetor” natural.Após a passagem inicial de dinossauros saurópodes, essas camadas se desenvolveram e, posteriormente, preservaram com alto nível de detalhe marcas deixadas por terópodes.Isto é: primeiro dinossauros de grande porte passaram pela região e deixaram marcas no terreno. Depois, lama e restos vegetais cobriram parte da superfície e permitiram o crescimento dessas camadas de microrganismos. Quando os dinossauros carnívoros passaram pelo local posteriormente, suas pegadas ficaram registradas com detalhes incomuns, incluindo marcas de garras, almofadas dos dedos e até texturas da pele.Pegada de terópodes bem preservadas encontradas em Xuanhua, na província de Hebei, no norte da China • Reprodução/Global Times/Xing LidaOs pesquisadores afirmam que o conjunto de descobertas ajuda a reconstruir o comportamento e a dinâmica ecológica de espécies que viveram entre aproximadamente 154 milhões e 134 milhões de anos atrás, em um período de transição entre o Jurássico e o Cretáceo. Com os novos registros, o número de sítios dominados por pegadas de terópodes na Formação Tuchengzi chega a pelo menos 17.*Com informações do Global Times