Quênia avança com centro de quarentena para Ebola em parceria com EUA

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O governo do Quênia está prosseguindo com os planos de estabelecer um centro de quarentena e tratamento do Ebola em uma instalação militar, em parceria com os Estados Unidos, depois que um tribunal superior queniano proibiu temporariamente o acordo no início desta semana.A instalação destina-se a americanos potencialmente expostos ao vírus mortal na República Democrática do Congo (RDC), a mais de 2.400 quilômetros de distância. O Quênia não registrou nenhum caso de Ebola. Leia mais Paciente com suspeita de Ebola é internado em SP Cólica menstrual afeta rotina de 6 em cada dez alunas no Brasil, diz estudo Ebola: por que ainda não há vacinas para a doença? Entenda Isso ajudará a “fortalecer a capacidade de monitoramento, isolamento e resposta a emergências”, disse o Ministério da Saúde do Quênia no sábado, acrescentando que vários outros centros de isolamento e tratamento também serão instalados, inclusive no Hospital Nacional Kenyatta, em Nairóbi, e no Hospital da Polícia Nacional do Quênia.Uma fonte do governo dos EUA envolvida na resposta ao Ebola disse à CNN que americanos que ajudam a administrar a instalação desembarcaram no sábado na Base Aérea de Laikipia, onde a instalação ficará localizada, a cerca de 200 quilômetros ao norte de Nairóbi, capital do Quênia.A parceria entre os EUA e o Quênia “reforça ainda mais a vigilância, a capacidade de diagnóstico, os exercícios de preparação para emergências, o fornecimento de materiais médicos essenciais e a capacidade de resposta rápida”, afirmou o Ministério da Saúde.A medida surge após o secretário de Estado americano, Marco Rubio, ter prometido no início desta semana que os EUA “não podem e não permitirão a entrada de quaisquer casos de Ebola nos Estados Unidos”, provocando forte oposição da sociedade civil queniana, que protestou contra um aparente duplo padrão. Acredita-se que o surto, que se espalha rapidamente e foi oficialmente declarado em 15 de maio na República Democrática do Congo, seja responsável por pelo menos 238 mortes e tenha causado mais de 1.000 infecções suspeitas.O surto mortal é causado pela cepa Bundibugyo, uma forma rara do vírus Ebola para a qual não existe vacina ou tratamento aprovado. A doença também se espalhou para Uganda, país que faz fronteira com o Quênia e a República Democrática do Congo. Em Uganda, o vírus causou uma morte e pelo menos sete casos confirmados, segundo o governo.O plano dos EUA de instalar um centro de tratamento para o Ebola no Quênia, destinado a cidadãos americanos, anunciado na quarta-feira, foi criticado por médicos quenianos e por funcionários americanos que trabalham nos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), segundo uma fonte do CDC. A medida também foi prontamente contestada judicialmente pelo Instituto Katiba, um grupo da sociedade civil focado em questões constitucionais no Quênia.Em despachos emitidos na noite de quinta-feira, a juíza do Tribunal Superior, Patricia Nyaundi, proibiu o Quênia de estabelecer ou operar qualquer instalação relacionada ao Ebola sob acordos com os EUA ou outros governos estrangeiros, e de admitir no país qualquer pessoa exposta ou infectada pelo vírus até que o processo judicial seja resolvido. O caso deverá retornar ao tribunal em 2 de junho.Surto de Ebola: Risco de pandemia é baixo, diz médica | AGORA CNNInstalações de última geraçãoAutoridades do governo Trump descreveram a instalação proposta como “de última geração” e “projetada para fornecer acesso a cuidados de alta qualidade para americanos que precisassem sair rapidamente da República Democrática do Congo e cumprir quarentena sem os riscos de um longo transporte de volta aos EUA”.No início deste mês, um médico americano que trabalhava na República Democrática do Congo e testou positivo para o vírus Ebola foi evacuado para a Alemanha para tratamento. Simultaneamente, outro cidadão americano com alto risco de exposição foi transferido para a República Tcheca para receber cuidados médicos.Um alto funcionário do governo Trump afirmou que os EUA receberam aprovação do governo queniano para uma unidade de quarentena com 50 leitos, que deve entrar em operação na sexta-feira (29).A autoridade americana afirmou que a capacidade de isolamento e biocontenção adicional será ampliada posteriormente na Base Aérea de Laikipia. Pacientes que desenvolverem sintomas ou testarem positivo serão transferidos para outras instalações, disse a autoridade.“O Corpo de Oficiais Comissionados do Serviço de Saúde Pública dos EUA está enviando uma equipe de oficiais altamente treinados ao Quênia para apoiar o atendimento, o monitoramento e a quarentena de cidadãos americanos que deixam a República Democrática do Congo, como parte de um esforço interinstitucional coordenado com o Departamento de Estado e o Departamento de Guerra”, comentou um porta-voz do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA (HHS) à CNN na noite de quinta-feira (28).“A equipe destacada inclui médicos, enfermeiros, técnicos de laboratório, profissionais de saúde mental e engenheiros – incluindo oficiais com experiência anterior no combate ao Ebola na Libéria durante o surto de 2014-2015”, compartilhou o porta-voz.Por que o Quênia?Ainda não está claro se a unidade planejada também atenderá pacientes de outras nacionalidades – uma falta de clareza que tem gerado preocupação entre os quenianos.O plano para a instalação de tratamento do Ebola surge num momento em que o Quénia e o governo dos EUA renegociaram recentemente o montante do financiamento da ajuda aos esforços de saúde quenianos, no âmbito da nova estratégia global de saúde dos EUA .A proposta enfrentou oposição do principal sindicato de médicos do Quênia e da Ordem dos Advogados do Quênia, que alertaram para o risco de importação do Ebola para o país.“Precisamos de total transparência do governo queniano sobre os motivos pelos quais aceitaram essa oferta”, falou à CNN o Dr. Davji Bhimji Atellah, secretário-geral do Sindicato dos Médicos, Farmacêuticos e Dentistas do Quênia (KMPDU).Atellah, que lidera o sindicato que representa mais de 10.000 médicos em hospitais públicos e privados, também questionou a lógica de localizar a unidade no Quênia, observando o sistema de saúde sobrecarregado do país.“O que leva os EUA a escolherem o Quênia quando o epicentro do surto está na República Democrática do Congo?”, questionou ele.“Não ficaremos de braços cruzados enquanto o Quênia é tratado como uma colônia de contenção para um patógeno letal que não criamos”, disse Atellah, acrescentando: “Se é muito perigoso para os Estados Unidos, é muito perigoso para o Quênia”.Ebola: Paciente com suspeita da doença está isolado em São Paulo | AGORA CNNCasos em todo o mundoCasos suspeitos de Ebola também estão sendo relatados fora da zona do surto.Em 30 de maio, o Brasil anunciou que estava investigando um caso suspeito de Ebola na cidade de São Paulo, segundo a Secretaria de Saúde do estado (SES-SP).Um comunicado obtido pela CNN Brasil, afiliada da CNN, informou que o paciente, um homem de 37 anos, havia viajado recentemente para a República Democrática do Congo e posteriormente desenvolveu os sintomas.Ele está sendo tratado em isolamento no Instituto Emílio Ribas de Doenças Infecciosas, unidade considerada centro de referência para casos suspeitos de Ebola. A Coordenação de Controle de Doenças e o Centro de Vigilância Epidemiológica do estado estão monitorando a situação, mas o caso ainda não foi confirmado por exames laboratoriais.Na Índia, duas pessoas em Gujarat e Bengaluru foram colocadas em quarentena após retornarem da África, mas posteriormente testaram negativo para o vírus.Dois casos suspeitos também foram investigados na Itália depois que pacientes desenvolveram sintomas após viajarem de Uganda para a região da Lombardia, no norte do país. No entanto, os testes laboratoriais realizados em um hospital de Milão deram negativo para o vírus Ebola.Embora os casos confirmados do surto atual tenham sido relatados apenas na República Democrática do Congo, a Cruz Vermelha alertou que outros 10 países africanos estão em risco: Ruanda, Quênia, Tanzânia, Angola, Burundi, República Centro-Africana, República do Congo, Etiópia, Sudão do Sul e Zâmbia.Jamie Gumbrecht, Caitlin Danaher, Jennifer Hansler e Billy Stockwell, da CNN, contribuíram para esta reportagem.Ebola: o que é, sintomas e tratamento