Pix, etanol, corrupção e mais: o que os EUA alegam para taxar os produtos brasileiros

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O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) classificou uma série de práticas adotadas pelo Brasil como “irrazoáveis, discriminatórias ou restritivas ao comércio norte-americano”, em relatório divulgado na segunda-feira (1º). Entre os temas citados estão o Pix, o etanol, a corrupção e mais.O documento reúne conclusões de uma investigação comercial aberta em julho de 2025 por determinação do presidente Donald Trump. O processo pode resultar na aplicação de uma sobretarifa de 25% sobre produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos.Apesar de as negociações entre Brasília e Washington estarem em andamento, o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, afirmou que as reuniões com integrantes do governo brasileiro não foram suficientes para superar as “divergências substanciais” entre os dois países.O que incomoda os EUA?O Pix aparece como um dos principais pontos de preocupação. Segundo o relatório, o Banco Central do Brasil atuaria simultaneamente como regulador e operador do sistema. Dessa forma, a plataforma de pagamentos instantâneos teria uma vantagem competitiva que prejudicaria empresas americanas que oferecem serviços concorrentes de pagamento eletrônico, como Visa e Mastercard.Outro destaque é a emissão de ordens sigilosas por tribunais brasileiros para a remoção de conteúdos políticos e a suspensão de perfis em plataformas como X, Meta e Google, inclusive de residentes nos Estados Unidos.Além disso, o USTR critica a falta de proteção eficiente à propriedade intelectual, apontando a falsificação de produtos e a lentidão nos processos de concessão de patentes. Como exemplo, o relatório afirma que o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) pode levar até 109 meses para analisar pedidos de patentes biofarmacêuticas.Outro tema de insatisfação é o mercado de etanol, em especial relevante para estados produtores de milho nos EUA. De acordo com Washington, as exportações americanas enfrentam hoje condições menos favoráveis do que aquelas anteriormente concedidas por Brasília, que teria encerrado um regime tarifário recíproco em 2017.No campo político, o governo norte-americano afirma que o Brasil falha no combate à corrupção, principalmente em relação a práticas de suborno e corrupção empresarial, fazendo referência à Operação Lava Jato. Os americanos também mencionam a queda do país no Índice de Percepção da Corrupção da Transparência Internacional.Ainda nesse contexto, o USTR considera que o governo brasileiro não tem obtido sucesso na aplicação efetiva das normas de combate ao desmatamento ilegal, apesar de o país possuir uma legislação ambiental robusta.Segundo o relatório, isso reduziria de modo artificial os custos de produção de commodities agrícolas e produtos de madeira, criando uma vantagem competitiva para exportadores brasileiros em relação aos produtores americanos, que estariam sujeitos a regras ambientais mais rígidas.* Sob supervisão de Maria Carolina Abe