O JPMorgan atualizou suas projeções para o Grupo Petz Cobasi (AUAU3) nesta segunda-feira (1º) para incorporar os resultados do primeiro trimestre de 2026 (1T26) e as demonstrações financeiras proforma e as estimativas macroeconômicas. Os analistas enxergam uma configuração operacional sólida para a empresa em 2026, com o caminho traçado para entregar crescimento de receita na faixa de um dígito alto, maior alavancagem operacional e boa geração de caixa, em meio a uma posição de caixa líquido. Apesar do cenário saudável, o JPMorgan optou por manter a recomendação neutra para as ações.Segundo os analistas, o foco principal de atenção está no processo de integração com a Cobasi e na captura de sinergias. A fusão projeta um ganho substancial estimado em uma faixa de R$ 200 milhões a R$ 260 milhões de Ebitda (Lucro antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização) incremental ao longo de cinco anos, o que se traduz em cerca de R$ 1,40 por ação de valor adicional no cenário-base.“Vemos o potencial de sinergia como significativo e majoritariamente relacionado a despesas, custos e otimização de presença física”, diz o relatório. Porém, a instituição avalia que o mercado dificilmente vai precificar esse ganho de forma imediata, devido a “riscos de execução e ao histórico ruim do setor de varejo em sinergias de fusões e aquisições (M&A)”. Leia tambémIbovespa Hoje Ao Vivo: Bolsa cai e tenta manter os 172 mil pontosBolsas dos EUA operam de forma mista, enquanto petróleo tem nova alta O documento também reflete que apenas cerca de 65% das economias devem ser capturadas até o Ano 3 (Terceiro Ano), o que tende a afastar investidores antes de uma consolidação que adicione ruído às tendências operacionais. Por fim, os analistas afirmam que o mercado pet permanece altamente competitivo, com pressão de marketplaces online, enquanto a Petz Cobasi possui uma participação de mercado combinada de apenas 11%.Produtividade e projeções A produtividade das lojas de Petz e Cobasi (que disparou na pandemia e depois passou por um ajuste) começou a se estabilizar em 2025, sustentada pela recuperação dos volumes e por aumentos discretos de preços. Segundo o relatório do JPMorgan, esse movimento sinaliza que a fase de acomodação do setor finalmente ficou para trás.Em termos de expansão, a área de vendas combinada do grupo deve encolher cerca de 2% este ano. Esse recuo acontece porque a abertura planejada de 11 novas lojas será totalmente anulada pelo fechamento de 26 unidades, um desinvestimento exigido pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), o órgão antitruste regulador. Para o médio prazo, entretanto, o ritmo deve acelerar para 30 inaugurações por ano. De acordo com os analistas do banco, essa retomada vai ditar um CAGR (Taxa Composta Anual de Crescimento) de 2% no tamanho das lojas e de 7% no faturamento ao longo dos próximos cinco anos.Para 2026, a projeção do JPMorgan é de uma alta de 9% nas vendas brutas (sem contar os efeitos da fusão), impulsionada tanto pelo varejo físico, que deve crescer 7%, quanto pelo e-commerce, com avanço de 12% e alcançando 42% de participação no negócio.Leia tambémCNC: Copa deve movimentar R$ 4,32 bi no varejo brasileiro, alta de 6,5% ante 2022A projeção da CNC aponta para um crescimento real de 6,5% ante o Mundial de 2022, impulsionado pelo mercado de trabalho aquecido, com destaque para o setor de supermercadosO relatório ainda pontua aqui, dentro de um horizonte de cinco anos, as economias com a consolidação das eficiências administrativas de SG&A (Despesas Gerais, Vendas e Administrativas) vindas de cortes em G&A (Despesas Gerais e Administrativas) deve subir a margem Ebitda ajustada para a casa dos 9,6%, registrando uma CAGR de 12% para o indicador. Além disso, como a nova empresa combinada nasce com um balanço financeiro robusto e sem dívidas (caixa líquido), o lucro líquido deve avançar em um ritmo forte de 15% ao ano nesse mesmo período.ValuationNas alterações de modelo, os analistas mantiveram o Lucro por Ação (LPA) estimado para 2027 praticamente inalterado, com um custo de capital próprio mais elevado e sem o valor que foi atribuído anteriormente aos dividendos dos acionistas originais da Petz. O relatório indica um valor justo estimado na faixa de R$ 4,00 a R$ 5,00 por ação para dezembro de 2026, mas ressalta que o JPMorgan retirou o preço-alvo específico para o período. Do ponto de vista de valuation, o Grupo Petz Cobasi é negociado a múltiplos de 9 vezes e 8 vezes o LPA ajustado para as projeções de 26 e 27, em linha com a mediana dos pares do varejo.Apesar de enxergar um espaço para valorização teórica em relação às cotações atuais, os analistas preferem adotar uma postura defensiva e buscar histórias com menos complexidade operacional no curto prazo.“No contexto de um setor de varejo barato, encontramos opções mais atraentes (e com maior potencial de alta) em outros lugares, com valuations mais baratos, maior liquidez e sem uma integração de tamanho relevante pela frente. Portanto, permanecemos neutros”, finaliza o relatório do JPMorgan.The post JPMorgan tem otimismo limitado ao atualizar projeções para Grupo Petz Cobasi (AUAU3) appeared first on InfoMoney.