A reflexão serviu de mote para a intervenção de Rita Sambado, Autora, Mentora e CEO da The School of Being, na Leading People HR Conference. Com a talk intitulada ‘Liderança soberana: ser antes de fazer’, a oradora sublinhou a urgência de transitar de um modelo puramente focado na performance para uma abordagem centrada no fator humano.De acordo com a análise apresentada por Rita Sambado, as fórmulas tradicionais que outrora garantiam o sucesso e a soberania dos líderes — como a super-eficiência, a velocidade e o acumular de informação — deixaram de ser fatores de diferenciação. Numa realidade moldada por sistemas complexos e não-lineares, «a liderança passou a exigir presença, coragem e convicção». A chave, aponta a mentora, reside na transição «da eficiência para a essência», resgatando aquilo que define o ser humano quando despido de cargos ou títulos: «a capacidade criativa, os sonhos e a ambição de transformar o meio envolvente».Para navegar neste novo ecossistema de trabalho e recuperar o carisma e a capacidade de inspirar equipas, a CEO da The School of Being desenhou quatro pilares fundamentais para uma liderança integral.Rita Sambado – Liderança Soberana: Ser Antes De FazerConhecer a capacitação e a singularidadeO primeiro passo vai além de mapear talentos ou competências técnicas curriculares. Implica compreender o impacto real que um indivíduo gera quando se senta à mesa de reuniões e qual é a sua narrativa pessoal. Num contexto de crescente automação, este processo de empoderamento surge como a única diferenciação e via de integração possível face às máquinas: os humanos criam e trazem novos ângulos, enquanto a tecnologia apoia a execução.Rita Sambado destacou que o desafio atual das organizações passa por «desenhar culturas empresariais capazes de alavancar a singularidade de cada colaborador», rompendo com a tendência histórica de recrutar os mesmos perfis nas mesmas faculdades. Não se trata da diferença pela diferença, mas sim de uma «diferença integrada» que complementa o todo, como uma peça de puzzle que encaixa perfeitamente no sistema comum.Resgatar a autoridade através da vozA verdadeira autoridade não emana da hierarquia ou do cargo ocupado, mas sim da «coragem de assumir uma voz própria e defender convicções». A autora sublinhou o facto de que, atualmente, «muitos líderes dispõem de palco, mas carecem de voz», limitando-se a replicar as mensagens institucionais das suas organizações. Embora a mensagem corporativa seja crucial, o valor acrescentado surge quando o líder injeta as suas próprias certezas no discurso, gerando um orgulho mútuo entre o profissional e a empresa.Consciência de impacto: rejeitar o determinismo das médiasO terceiro pilar desafia a dependência excessiva dos indicadores de mercado e das médias estatísticas. Embora os grandes números sejam necessários para a gestão corrente, eles não devem determinar o teto das possibilidades individuais.Para ilustrar este ponto, a oradora partilhou uma história de âmbito familiar: perante a crise no mercado de arrendamento em Portugal, as projeções estatísticas ditavam que seria virtualmente impossível para uma jovem de 23 anos encontrar habitação própria no centro de Lisboa dentro do seu orçamento. Contudo, a meta foi alcançada. O exemplo serviu para lembrar que a média é composta por polos e que cada indivíduo pode escolher ser a exceção. Face à probabilidade, «os líderes devem focar-se na possibilidade, recordando que, para interromper um padrão, basta apenas um», disse.Consciência de valorPor fim, Rita Sambado criticou a distorção de um mercado que ensina os profissionais a medirem o seu valor pessoal com base em certificações, prémios ou cargos. Aplicando a premissa económica de que a escassez dita o valor, lembrou que o ADN, as histórias e «a sensibilidade de cada pessoa são irreplicáveis.»Quando um líder se alinha com o seu caminho de expressão natural, consegue alcançar resultados extraordinários com menor esforço. O valor de um líder não reside no que faz, mas sim em quem é enquanto o faz. O Mantra da Liderança Soberana: «Eu sei quem sou, o que tenho e o que dou.»A intervenção na Leading People HR Conference encerrou com um convite à reflexão individual, com a mentora a reforçar que o papel do líder do futuro passa por assumir uma postura criadora e soberana, em vez de adotar uma atitude defensiva perante a evolução tecnológica.Tudo o que aconteceu na Leading People está disponível na Líder TV – em www.lidertv.pt e no canal 560 da NOS.Além disso, à chegada, todos receberam a mais recente edição da revista Líder. Dentro do tema de capa – Condição Humana – encontram-se reflexões, entrevistas e artigos que aprofundam o debate deste dia.O conteúdo «Será que ainda sou relevante?»: Rita Sambado inquieta plateia e desafia o futuro da liderança aparece primeiro em Revista Líder.