As empresas portuguesas estão confiantes no impacto da inteligência artificial no futuro do trabalho, mas nem todas estão preparadas para acompanhar esta transformação. Segundo o Human Capital Trends Study, divulgado pela Aon, 98% das organizações em Portugal acredita que a IA vai criar novas oportunidades e exigir novas competências nas suas áreas de atuação.O valor coloca Portugal acima da média global, situada nos 86%, mas o estudo revela também fragilidades relevantes ao nível da capacitação em IA, da maturidade dos dados de Recursos Humanos e da proposta de valor para os colaboradores.Este estudo reuniu contributos de 2.361 membros de conselhos de administração, líderes séniores de negócio e responsáveis de Pessoas, abrangendo 62 países e múltiplos setores de atividade, entre novembro de 2025 e janeiro de 2026. IA já está presente na maioria das empresas portuguesasDe acordo com o estudo, 72% das empresas portuguesas já implementou ou está a testar soluções de Inteligência Artificial, um valor muito próximo da média global, de 73%.A adoção da tecnologia está, por isso, a avançar rapidamente. No entanto, a preparação das pessoas não acompanha sempre o mesmo ritmo. Em 17% das organizações em Portugal, nenhum colaborador participou em iniciativas de requalificação ou capacitação em IA nos últimos 12 meses.«Os dados mostram que, em Portugal, a IA está a ganhar velocidade, mas nem sempre acompanhada pela preparação das pessoas. O verdadeiro desafio não está na tecnologia, está na forma como capacitamos quem a usa. É aí que se ganha ou se perde valor», afirma Nuno Abreu, Head of Human Capital da Aon Portugal. Empresas têm dificuldade em recrutar talento com competências em IAA dificuldade em encontrar perfis preparados para trabalhar com IA reforça a importância da formação interna. Apenas 24% das organizações em Portugal considera conseguir recrutar e reter talento com competências em Inteligência Artificial, um valor alinhado com o registado a nível global.Este facto evidencia a necessidade de as empresas desenvolverem novas competências dentro das suas próprias equipas, reduzindo a distância entre ambição tecnológica e preparação efetiva dos colaboradores.O estudo indica ainda que 84% das organizações portuguesas concorda que a IA irá automatizar algumas tarefas, mas que as funções existentes continuarão a ser necessárias. Ou seja, a transformação deverá alterar sobretudo tarefas e competências, mais do que eliminar funções de forma generalizada. Dados de RH continuam abaixo da maturidade globalApesar da confiança no potencial da IA, Portugal apresenta níveis mais baixos de maturidade em áreas estratégicas de Human Capital. Apenas 30% das organizações portuguesas afirma ter um elevado nível de maturidade de dados em Recursos Humanos, abaixo dos 38% registados a nível global. Este indicador é particularmente relevante num momento em que a informação sobre a força de trabalho se torna essencial para apoiar decisões sobre talento, remuneração, benefícios, desenvolvimento de competências e planeamento organizacional.Também a Proposta de Valor para os Colaboradores (EVP) revela margem de progressão. Só 17% das empresas portuguesas afirma ter uma EVP claramente definida e bem compreendida pelos colaboradores, face a 19% a nível global. Adaptabilidade e gestão da mudança ganham importânciaNum contexto de aceleração tecnológica, as empresas portuguesas identificam a adaptabilidade e a gestão da mudança como competências essenciais para o sucesso organizacional nos próximos três anos.«As empresas portuguesas revelam um nível de confiança muito significativo no potencial da Inteligência Artificial. Mas a adoção de IA não pode ser vista apenas como uma decisão tecnológica», sublinha Nuno Abreu.Segundo o responsável, o verdadeiro impacto dependerá da capacidade das organizações prepararem as pessoas, desenvolverem novas competências e utilizarem os dados de RH de forma mais estratégica.O estudo conclui que as organizações que investirem nos colaboradores com a mesma intencionalidade com que investem em tecnologia estarão mais preparadas para reforçar desempenho, resiliência e confiança no futuro.O conteúdo Adoção de IA cresce em Portugal, mas 17% das empresas ainda não formou colaboradores aparece primeiro em Revista Líder.