Reúne-se para alinhar, para atualizar, para acompanhar, para discutir. Reúne-se porque «é importante estarmos todos na mesma página». E, no entanto, no final de demasiadas reuniões, pouco muda. Não há decisões claras, não há responsáveis definidos e, frequentemente, não há sequer um próximo passo concreto.O problema não é reunir. O problema é reunir sem propósito. Em muitas organizações, as reuniões deixaram de ser uma ferramenta de gestão e tornaram-se um ritual. Algo que acontece porque sempre aconteceu. Agendam-se reuniões recorrentes sem questionar a sua utilidade, juntam-se demasiadas pessoas na mesma sala e discute-se durante uma hora aquilo que poderia ter sido resolvido numa conversa rápida ou numa mensagem objetiva.O paradoxo é evidente: nunca tivemos tantas ferramentas de produtividade e comunicação, mas tantas empresas continuam presas a processos lentos e excessivamente dependentes de reuniões. Há equipas que passam mais tempo a falar sobre o trabalho do que efetivamente a trabalhar. E isso tem um custo elevado.Cada reunião consome tempo, atenção e energia — três recursos extremamente escassos dentro de qualquer organização. Quando uma empresa junta dez pessoas durante uma hora, não gastou uma hora. Gastou dez. E esse custo só se justifica se existir um resultado claro no final: uma decisão, um desbloqueio ou um plano de ação concreto que justifique o custo dessas dez horas. Caso contrário, a reunião foi apenas uma ilusão de progresso. Existe ainda um problema mais profundo: em muitas empresas, o excesso de reuniões é frequentemente um sintoma de algo maior — dificuldade em decidir.Quando ninguém quer assumir responsabilidade, discute-se em grupo. Procura-se consenso excessivo, validam-se detalhes infinitamente e prolongam-se conversas para reduzir risco individual. Mas aquilo que parece prudência transforma-se muitas vezes em lentidão organizacional. Mercados rápidos raramente esperam por empresas lentas. As organizações mais eficazes entendem isto. Não eliminam reuniões — tornam-nas mais exigentes. Uma boa reunião deve ter um objetivo claro, as pessoas estritamente necessárias, um responsável e uma decisão ou ação concreta no final. Sem isso, dificilmente deveria existir.Há também uma pergunta essencial que poucas empresas fazem: esta reunião cria valor para o cliente? Porque, no fim, tudo dentro de uma empresa existe para melhorar algo que o cliente sente — seja no produto, no serviço, na rapidez ou na qualidade. Se uma reunião não contribui para isso, direta ou indiretamente, talvez seja apenas custo disfarçado de trabalho.Num mercado onde velocidade e execução são cada vez mais determinantes, as empresas mais competitivas não serão necessariamente as que falam mais. Serão as que decidem mais depressa, executam melhor e reúnem apenas quando realmente faz sentido. Porque no fim, as empresas raramente falham por falta de reuniões. Falham por falta de ação.O conteúdo Menos reuniões. Mais execução aparece primeiro em Revista Líder.