Análise: Lula e Flávio ficam em segundo plano no America First de Trump

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Em menos de uma semana, os Estados Unidos sob Donald Trump designaram as mais expressivas facções do crime organizado no Brasil – PCC e CV – como organizações terroristas e indicaram que pretendem avançar com um tarifaço contra o Brasil.No primeiro caso, o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) celebrou a medida, enquanto a esquerda viu o discurso de “soberania” não encontrar eco em meio a uma crise de insegurança pública causada pelo Primeiro Comando da Capital, o Comando Vermelho e outros grupos. Leia Mais Waack: Postura de Trump vira presente eleitoral para Lula EUA propõem tarifar Brasil e 59 países por falha contra trabalho forçado Trump declara apoio a De La Espriella em eleição na Colômbia WW – POSTURA DE TRUMP VIRA PRESENTE ELEITORAL PARA LULA – 02/06/2026Já no segundo caso, Lula (PT) encorpou o discurso de “soberania” com apelos populares sobre o Pix, enquanto Flávio passou a terça-feira (2) se defendendo de acusações de que estaria agindo com Washington em relação a novas tarifas.Em meio a afagos e constrangimentos, Lula relembra a “química” com Trump, enquanto Flávio busca a “amizade” com os americanos via secretário de Estado americano, Marco Rubio. Os humores da Casa Branca viraram fator eleitoral no Brasil.Os impactos nas urnas dos interesses dos EUA sob Trump no Brasil foram tema de análise no WW desta terça.Veja os destaques dos blocos e assista às análises na íntegra:Rafael Favetti, sócio da Fatto Inteligência Política: Apesar da grita de vários bancos, a questão do Comando Vermelho e do PCC é algo que parte da população estava meio que entendendo assim: “será que isso é algo que vai melhorar minha segurança?”; “Flávio está trabalhando para minha segurança pública?”. Porém, quando vem a questão desta terça-feira e vem o Pix, atropela. Em outras palavras: Flávio tem muito mais a perder na campanha eleitoral — ainda mais em mês de Copa do Mundo, em que se fala de patriotismo e as camisas da Seleção estão sendo mais vendidas.Daniel Rittner, diretor editorial da CNN em Brasília: Além do Canadá, tivemos o caso da Austrália, em que a atuação e a tentativa de influência de Trump deu a vitória aos trabalhistas; ou na Hungria, porque lá realmente houve uma campanha aberta e deliberada em prol de Viktor Orbán, que saiu derrotado. O melhor desempenho em redes, pesquisas e opinião pública do governo Lula e do presidente da República, particularmente, no último ano, foi quando ele conseguiu encaixar o discurso de defesa da soberania nacional. Aí, ele virou o humor e conseguiu engatar uma onda de popularidade e sair das cordas. E isso pode influenciar de novo agora.Caio Junqueira, analista de Política da CNN: O dia terminou muito favoravelmente ao PT, ao Palácio do Planalto e ao presidente Lula. Houve outro presente do Trump à tarde, com a divulgação de uma foto elogiando Flávio. A campanha do Flávio ficou hoje na defensiva. Ele teve que divulgar carta, dizer que não pediu… Eles têm uma estratégia agora de tentar impedir esse tarifaço, colocando o Eduardo Bolsonaro para se aproximar do trumpismo e tentar impedir isso, fazendo dessa derrota de hoje uma vitória. Não foi uma derrota completa como no caso com Daniel Vorcaro, mas hoje o governo ganhou.Lourival Sant’Anna, analista de Internacional da CNN: Quando o Trump está em situações incertas, ele não faz um compromisso muito explícito com um resultado. Ele deixa margem para que o resultado se torne o objetivo dele. Ele fará o possível para não se desvincular ou romper com o presidente Lula, porque se o presidente Lula vence, aí fica esse resultado muito ruim que ele já amargou em relação a Canadá, Austrália e Hungria. Ele procurará criar fatos que indiquem que se Flávio Bolsonaro vencer, ele deve essa vitória ao Trump — como ele fez com Javier Milei. E com relação ao Lula, ele não vai descartá-lo totalmente.Análise: O impacto político do possível tarifaço de Trump para Lula e Flávio | WW* Publicado por Henrique Sales Barros