O mercado de embutidos foi o principal motor do avanço das exportações da Lorenz nos últimos anos, puxado principalmente pela forte demanda de países como Venezuela, Colômbia e Estados Unidos.A empresa, considerada a maior processadora de mandioca do Brasil, vem ampliando a presença internacional com soluções à base de amidos desenvolvidas especialmente para a indústria de cárnicos, segmento que ganhou força em meio à busca global por produtos de maior rendimento e menor custo industrial.Segundo o diretor de novos negócios da companhia, Aleksandro Siqueira, os mixes desenvolvidos para embutidos tiveram uma participação expressiva nas vendas externas da empresa neste ano.“Eu diria que o mix para embutidos teve uma participação muito grande nas exportações. Tudo o que a gente fala de salsicha, mortadela e produtos cárnicos cresceu bastante olhando para Venezuela, Colômbia e também países do Norte da África”, afirmou. Leia Mais Demanda por proteínas aquece mercado de ração no Brasil ADM planeja ampliar esmagamento de soja no Brasil LDC projeta expansão e prioriza o Brasil em seus investimentos globais De acordo com o executivo, a demanda foi impulsionada principalmente por mercados que buscam alternativas para reduzir custos de produção sem comprometer qualidade e rendimento dos alimentos processados.Nesse cenário, os amidos especiais produzidos pela Lorenz ganharam espaço ao permitir redução de proteína animal e aumento de rendimento industrial em produtos como salsichas, mortadelas e outros embutidos.“O mercado de cárnicos cresceu bastante porque muitos países procuram soluções que entreguem rendimento industrial e redução de custos. A mandioca cumpre esse papel muito bem”, destacou Siqueira.A Venezuela apareceu como um dos principais destinos do crescimento recente da companhia. Segundo o executivo, a retomada gradual da atividade econômica e industrial venezuelana ajudou a impulsionar a demanda por ingredientes industriais e produtos alimentícios.“A Venezuela voltou a crescer industrialmente. A atividade econômica deles vem aumentando mais e isso mexeu bastante com o mercado. Isso abriu uma oportunidade muito importante para nós”, afirmou.Dados divulgados pelo governo venezuelano mostram que o setor de embutidos do país registrou crescimento superior a 32% em janeiro de 2026 na comparação com o mesmo período do ano anterior.Siqueira ressaltou que o perfil de consumo desses mercados favorece diretamente soluções voltadas para proteínas processadas.“São países menos privilegiados economicamente e que consomem muito embutido. Então esse mercado de salsicha, mortadela e cárnicos é muito importante para nós”, explicou.Na Colômbia, o crescimento também chamou atenção da companhia. Segundo o diretor, além dos embutidos, o país vem ampliando compras de amidos voltados para papel, lácteos e biscoitos.“A Colômbia e o México puxaram muito forte esse ano os segmentos de papel, lácteos e biscoitos, mas o mercado de cárnicos continua sendo extremamente relevante”, disse.Os Estados Unidos também ganharam importância dentro da estratégia comercial da empresa. Embora o volume ainda seja menor do que o de países latino-americanos, o crescimento percentual das vendas para o mercado americano foi considerado expressivo pela companhia.“Os Estados Unidos compravam muito da Tailândia e do Vietnã. Só que a Tailândia hoje está com custo mais alto e teve problemas de produtividade por conta de doenças nas lavouras. O Brasil acabou sendo beneficiado porque teve o movimento contrário, com aumento de produtividade”, afirmou.Segundo Siqueira, a mandioca brasileira possui ainda uma vantagem estratégica importante no mercado norte-americano, o fato de não ser transgênica.“Os Estados Unidos praticamente não produzem derivados de mandioca. Lá se produz muito milho e o milho americano é transgênico. A mandioca não é transgênica e isso virou um diferencial importante”, destacou.A Lorenz vem apostando fortemente em produtos de maior valor agregado para sustentar a expansão internacional. Entre as soluções desenvolvidas estão amidos especiais que permitem reduzir ou substituir proteínas em embutidos, aumentando rendimento industrial e competitividade para frigoríficos e indústrias alimentícias.A estratégia acompanha uma tendência global de crescimento da demanda por produtos plant-based e ingredientes mais saudáveis, movimento que também vem favorecendo os derivados de mandioca.“O consumidor quer produtos mais saudáveis, com menos gordura, menos sódio e ingredientes de origem vegetal. A mandioca entrega parte importante dessa solução”, disse Siqueira.Atualmente, a empresa exporta para mais de 40 países e pretende ampliar ainda mais a participação internacional nos próximos anos. A meta da companhia é continuar crescendo em dois dígitos, impulsionada justamente pelos mercados de alimentos processados, ingredientes industriais e soluções sustentáveis à base vegetal.Congresso aprova acordo Mercosul-UE: quais os próximos passos?