O New York Knicks iniciou a venda de ingressos para as finais da NBA, após conquistar a Conferência Leste sobre o Cleveland Cavaliers, mas os preços das entradas podem assustar.O assento mais próximo da quadra do Jogo 1 contra o San Antonio Spurs ultrapassa 47 mil dólares, cerca de R$ 235 mil na cotação atual.O mais barato, por sua vez, custa aproximadamente 3 mil dólares. Mas o preço mínimo do Jogo 3, por exemplo, no Madison Square Garden, em Nova York, voltou a ultrapassar os 4 mil dólares (R$ 20 mil) no mercado secundário. Leia mais NBA: Knicks tentam quebrar jejum de 53 anos nas finais contra os Spurs Camisa usada por Pelé na Copa de 1958 vai a leilão por 6 mi de dólares Nascar Brasil e NBA realizam ações em conjunto em São Paulo Um dos fatores que ajuda a explicar os valores praticados na NBA é o sistema de preço dinâmico. Na prática, o valor das entradas varia de acordo com a demanda, podendo sofrer alterações para cima, conforme a alta procura, ou para baixo, em caso de baixa demanda.O modelo é amplamente utilizado nos esportes norte-americanos, incluindo eventos como o Super Bowl e a Copa do Mundo de 2026.Tendência pode chegar ao BrasilNo mercado brasileiro, entretanto, o sistema ainda não é utilizado, por exemplo, no futebol. O que os clubes geralmente costumam fazer é a precificação dos ingressos conforme o peso do jogo, além da estratificação dos valores de acordo com os setores, mas sem mudanças em tempo real conforme a demanda.Dentro de um futuro mais distante, porém, a realidade pode ser diferente. A análise é de Robson Carlo, sócio-fundador da FutebolCard, plataforma líder em gestão de ingressos e programas de sócio-torcedor.“A adoção do preço dinâmico na venda de ingressos é cada vez mais uma tendência em outros mercados e vai chegar ao futebol brasileiro, é uma questão de ‘quando’, não de ‘se’. Antes de tudo, porém, é necessário reorganizar a indústria: liberar o mercado secundário e atacar o cambismo”, avaliou.Ainda segundo o executivo, o mercado secundário, a partir desta reorganização, não necessariamente seria sinônimo de valores inflacionados.“A precificação dinâmica pode ajudar a corrigir os casos em que o clube erra no preço e o estádio não atinge o público esperado. Já o mercado secundário resolve outro problema: o assento que fica vazio quando os ingressos esgotam e ainda há demanda, ou quando a pessoa comprou e não consegue mais ir”, explicou.“Em 20 anos de FutebolCard, vemos que em média 5% dos lugares de uma partida ficam vazios — assentos que poderiam voltar à torcida. Nesse caso, todo mundo ganha, do vendedor de pipoca ao clube. São avanços que dependem também de tecnologia, como a tokenização e o blockchain, que garantem que aquele ingresso é de fato meu e que posso transferi-lo com segurança para outra pessoa”, completou.Altos preços na Copa do MundoNa Copa do Mundo de 2026, sediada no México, no Canadá e nos EUA, os preços dinâmicos já foram motivo de polêmica.Em abril, a Fifa aumentou o preço do ingresso mais caro para a final do Mundial para 10.990 dólares (R$ 56 mil) durante a reabertura de vendas após a definição dos 48 participantes do torneio. O preço anterior era de 8.680 dólares (R$ 44,7 mil) logo após o sorteio da Copa.A entidade mudou sua lógica de preços. Antes, ela costumava manter valores relativamente acessíveis e distribuir ingressos via sorteios. Agora, usa mais mecanismos de “preço dinâmico” (como companhias aéreas e shows), cobrando o máximo que o mercado aceita pagar.85% dos brasileiros não estão animados para a Copa do Mundo, diz pesquisaPublicado por Cris Schwambach