Consolidado como um dos principais atacantes da Premier League, a liga de futebol mais rica do planeta, o jovem Igor Thiago, de 24 anos, carimbou seu passaporte para a Copa do Mundo de 2026. A consolidação no topo, contudo, contrasta com um início de carreira marcado pela escassez e pelo trabalho braçal como servente de pedreiro e panfleteiro.Nascido no Gama (DF), Thiago iniciou sua trajetória longe dos holofotes e das cifras milionárias das grandes arenas. Seus primeiros passos foram dados na economia informal e no futebol de várzea. Aos 17 anos, após se destacar em torneios amadores, o jovem chamou a atenção do Verê (PR), clube que funcionou como sua primeira incubadora no esporte. O retorno sobre o investimento foi rápido: o desempenho na base paranaense atraiu o Cruzeiro, que adquiriu os direitos do atleta.Porém, o maior teste de resiliência do centroavante ocorreu fora das quatro linhas. Aos 13 anos, com a perda precoce do pai, Thiago precisou assumir a responsabilidade financeira da família. O jovem de 1,91 m passou a desdobrar-se em bicos para garantir o sustento da mãe, equilibrando a rotina pesada com o sonho da profissionalização.“Quando eu era criança, trabalhei na feira, já fui panfleteiro, trabalhei em lava-jato, capinei muito lote. Fui servente de pedreiro também. Tive algumas profissões e acho que esses trabalhos me ajudaram a ser o homem que sou hoje, a formar o meu caráter”, relembrou o atacante em entrevista à CBF TV.Gestão de crise e internacionalização da carreiraA transição para o futebol profissional no Cruzeiro rendeu 10 gols, mas os bastidores na equipe mineira esconderam um período de severa crise pessoal, em que o atleta enfrentou a depressão. A virada de chave e a consequente valorização do seu “passe” começaram com a estratégia de internacionalização. Transferido para o Ludogorets, da Bulgária, Thiago recuperou sua produtividade e anotou 21 gols, atraindo o interesse de mercados mais robustos.O salto qualitativo ocorreu no Club Brugge, da Bélgica. Vivendo um ciclo de alta performance, o centroavante balançou as redes 29 vezes pelo gigante belga, consolidando seu nome no radar dos grandes tomadores de decisão do futebol europeu.Retorno sobre investimento: o recorde histórico na InglaterraEm 2024, Thiago assinou com o Brentford, de Londres, ingressando no mercado mais competitivo do futebol mundial. O início na Premier League, porém, trouxe um revés operacional: uma grave lesão no joelho o afastou dos gramados por quase toda a primeira temporada, congelando temporariamente as expectativas do clube.O retorno em 2025 superou as projeções mais otimistas. Demonstrando forte capacidade de recuperação, o centroavante marcou 22 gols na competição, quebrando o recorde histórico como o maior artilheiro brasileiro em uma única edição da Premier League um feito que disparou seu valor de mercado.O ápice do ativo: convocação para o MundialHá dois meses, ao ser questionado pela TNT sobre a possibilidade de defender a Seleção Brasileira no torneio nos Estados Unidos, o atleta foi direto: “É o meu maior sonho”.O objetivo foi atingido. No próximo dia 13 de junho, o jogador que iniciou a vida laboral em canteiros de obras embarca com a delegação brasileira para a Copa do Mundo de 2026, consolidando um dos cases de superação e retorno mais impressionantes do esporte contemporâneo.“A única expectativa que tínhamos era fé. Preparamos uma festa esperando o mister falar o meu nome. Vou disputar minha primeira Copa do Mundo. É uma honra, não tenho nem palavras para descrever essa gratidão e o sentimento que estou sentindo”, desabafou o novo camisa 9 do Brasil.*Com supervisão de Renan Dantas