O mês de maio mostrou um contraste entre os mercados doméstico e internacional. Enquanto o otimismo global foi sustentado por empresas de tecnologia e esperança pelo fim do conflito no Oriente Médio, o Brasil enfrentou a saída de capital estrangeiro e preocupações com o cenário político.Segundo levantamento da Elos Ayta, as Bolsas americanas foram os grandes destaques positivos, com o índice BDRX (que mede o desempenho dos BDRs listados na B3) subindo 9,22%, seguido de perto por Nasdaq (8,36%) e S&P 500 (5,15%). Leia também: Petrobras, Itaú e mais 32 empresas distribuem dividendos em junho; veja agendaNa outra ponta do ranking, o cenário brasileiro foi castigado, com o Ibovespa caindo 7,22% e as Small Caps recuando 3,66%. O pior desempenho do mês, no entanto, ficou com o petróleo tipo Brent, que desabou 19,26%.AtivoRetorno em maioBDRX9,22%Nasdaq*8,36%S&P 500*5,15%Dow Jones*2,78%Dólar1,37%CDI1,07%Euro0,94%IMA-Geral0,81%Poupança0,67%IHFA**0,40%Ouro*-0,79%IFIX-1,33%Bitcoin-2,07%Small Caps-3,66%Ibovespa-7,22%IDIV-7,62%Petróleo WTI*-16,85%Petróleo Brent*-19,26%*em dólares**última informação disponível em 26/05Fonte: Elos AytaO que explica maio?Para Fernando Siqueira, head de research da Eleven, o tombo do petróleo é explicado pela sinalização do fim do conflito no Irã, que impactou a cotação ao longo do mês. Já no Brasil, ele destaca que o menor espaço para corte de juros e o noticiário político negativo, como as notícias relacionadas a Flávio Bolsonaro, “pioram um pouco as perspectivas para a Bolsa brasileira”.Estrangeiros retiraram R$ 13,8 bilhões da B3 em maio até o úlitmo dia 26, o que Cristiano Luersen, sócio da Wiser Investimentos, classifica como um ponto de alerta. “O movimento reflete uma rotação global para tecnologia americana, mas também algo estrutural: o mercado começa a precificar o risco eleitoral brasileiro com mais intensidade”, avalia Luersen.“Com esse mercado de tecnologia voltando a ganhar força, o pessoal tem que reduzir posição em algum lugar”, diz Siqueira.Onde estão as oportunidades em junho?No mercado acionário, o Siqueira mantém uma visão “um pouco menos otimista para o Brasil e um pouco mais otimista com Bolsas internacionais”. Ele acredita que o apetite por tecnologia nos EUA ainda não se esgotou.Por outro lado, Bruno Perri, estrategista e sócio-fundador da Forum Investimentos, vê os preços atuais como uma oportunidade de entrada. “O mercado brasileiro se mostra bastante atrativo em termos de múltiplos, o que deveria ser mais do que suficiente para atrair força compradora tanto de investidores estrangeiros quanto dinheiro doméstico”, analisa.Essa também é a visão da XP, que passou a considerar que é hora de voltar a alocar em ações brasileiras após a correção recente.A reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que termina no próximo dia 17, será o grande fiel da balança para a renda fixa. Segundo Perri, o mercado se divide entre “mais um corte magro, de 25 pontos-base, ou manutenção”. Ele reforça que a renda fixa pós-fixada continuará sendo um “grande instrumento de investimento com baixa volatilidade”. Siqueira concorda: “vale a pena ter um pouco de paciência na renda fixa dado que a Selic vai continuar alta por algum tempo”. Já no crédito privado, a expectativa é positiva, com uma tendência de “fechamento adicional gradual dos spreads”, desde que não ocorram novos eventos de crédito relevantes. Isso significa, quem já está alocado, deverá ver uma valorização dos papéis em carteira.O dólar, que subiu 1,37% em maio, deve seguir volátil. Perri alerta que a moeda “já é muito sensível hoje a variáveis geopolíticas globais de difícil previsibilidade”. Siqueira, da Eleven, observa que o fortalecimento das empresas de tecnologia nos EUA atrai capital global, o que naturalmente sustenta a força do dólar frente a moedas emergentes como o real. Demais analistas ouvidos pelo InfoMoney avaliam que a moeda brasileira tem pouco espaço de apreciação frente à divisa americana.O sócio da Wiser aponta que o dólar encontrou um piso acima de R$ 5,00, influenciado pelo Fed e pelo risco fiscal doméstico. “Quem não tem nenhuma exposição cambial está apostando que os dois vão se resolver bem ao mesmo tempo”, alerta o sócio da Wiser.Hora de cautela ou coragem?A tônica para junho é a seletividade. Bruno Perri sugere um posicionamento estratégico e fracionado. “É um mercado no qual é salutar manter caixa e aproveitar, de forma fatiada, as boas oportunidades que as principais classes de ativos trazem”, afirma.Ele conclui que o momento atual oferece uma “combinação excepcional entre CDI elevado, curvas de juro com taxas generosas, spreads ainda relativamente altos e bolsa de valores descontada”.Na Bolsa, a correção não deve ser vista como sinal de compra automática, segundo Luersen. “Junho ainda pede seletividade, não euforia. Abrir espaço para uma alocação gradual é diferente de fazer uma virada de posicionamento”. Setores defensivos, como exportadoras e bancos com baixo endividamento, são apontados como os mais resilientes.The post Bolsas dos EUA foram de longe o melhor investimento de maio; o que esperar em junho? appeared first on InfoMoney.