Microscópio identifica danos no cabelo após descoloração; veja imagens

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Pesquisa realizada no Instituto de Física da Universidade de São Paulo acendeu novo alerta para os riscos de uso frequente de procedimentos químicos no cabelo. A descoloração e os alisamentos ácidos, como as progressivas, quando combinados ao calor intenso de chapinhas e secadores, têm alto potencial de danificação dos fios. Segundo estudos, os fios podem sofrer mudanças estruturais irreversíveis.Utilizando técnicas de microscopia eletrônica, os pesquisadores observaram em tempo real alterações na estrutura interna (córtex) dos fios durante o aquecimento — um aspecto ainda pouco explorado em estudos anteriores. As amostras analisadas, que se dividiram em fios naturais (virgens) e quimicamente tratados, foram submetidas a temperaturas entre 30°C e 270°C, comuns nos dispositivos como chapinhas, secadores e difusores de cabelo. Leia mais 10 ideias de unhas para a Copa do Mundo 2026; inspire-se Alopécia androgenética: entenda condição de Xuxa e por que afeta mulheres Shampoos antiqueda funcionam? Veja o que diz a medicina sobre tratamento “Os danos mais graves foram identificados nos cabelos submetidos simultaneamente à descoloração, ao alisamento ácido e às altas temperaturas”, pontuou a engenheira química e pesquisadora Cibele de Castro Lima, autora do experimento que fez parte de sua pesquisa de doutorado.A camada mais interna dos fios, o córtex, é mais suscetível a danos irreparáveis, ao contrário do que se acreditava a partir de estudos anteriores, que atribuíam os efeitos do calor somente às camadas mais externas, da cutícula.  As mudanças estruturais profundas começam a ocorrer no interior da fibra antes mesmo de danos equivalentes aparecerem no exterior. Os testes com espectroscopia de infravermelho identificaram alterações químicas na superfície capilar, incluindo danos às gorduras naturais e às proteínas da fibra.Veja imagens das mudanças estruturais nos fios, captadas por microscópio eletrônicoDanos que ocorrem no córtex do cabelo, a camada mais interna dos fios • Cibele Lima/IF-USPFio danificado pela combinação de fontes de calor e química • Cibele Lima/IF-USPEm altas temperaturas, a partir de 200°C, foi observada a liberação de gases associados à decomposição das proteínas capilares, como a queratina. “O ‘cheiro podre’ ou odor forte percebido durante o uso da chapinha está relacionado à decomposição de aminoácidos contendo enxofre, responsável pela resistência dos cabelos”, diz Cibele.As análises com raios X também confirmaram que os cabelos submetidos à descoloração e alisamento ácido (progressiva) ficaram mais sensíveis ao calor do que fios naturais. Durante o aquecimento, os cabelos quimicamente tratados perderam organização estrutural mais rapidamente, indicando menor estabilidade térmica que os cabelos virgens.Imagem dos danos provocados em cabelo virgem (a), descolorido (b), alisado e descolorido (c) e alisado exposto a temperatura de 30°C (d) • Cibele Lima/IF-USPPara o professor do Departamento de Física Experimental do IF e orientador da pesquisa, Cristiano Oliveira, o estudo amplia os conhecimentos sobre os tratamentos capilares e pode trazer impactos positivos para as áreas da cosmética e até da saúde. “O conhecimento gerado pode trazer impactos importantes para a indústria ao identificar temperaturas críticas em que começam os processos de degradação da queratina e dos lipídios responsáveis pela proteção dos fios”, defende ele.Cabelo natural ganha protagonismo e vira tendência em 2026