Foto: Criada via Chat GPTO mês de junho se aproximava. Era o mês do aniversário da cidade e também das festas juninas. Mas, para os católicos e para a população da cidade, de um modo geral, era também o mês das quermesses. Durante todo o mês, aos sábados e domingos, a Igreja Católica, através dos fiéis comandados pelo incansável padre Epifânio, realizava esta festa tão apreciada e aguardada por todos. Os donos do Cine São João e do Cine São Jorge é que não ficavam muito satisfeitos, pois, nesses dias, os cinemas tinham pouca frequência. As quermesses eram realizadas no período noturno. A cidade tinha maioria católica e grande parte da população prestigiava o evento, inclusive adeptos de outras religiões.O barracão era armado ao lado da igreja, sendo grande parte da construção realizada pelos Marianos, pois entre eles havia vários carpinteiros, marceneiros e pedreiros, além de uma enorme vontade de todos os demais cidadãos de Mirandópolis em participar, de uma forma ou de outra, desta festa beneficente.As Filhas de Maria e demais senhoras da cúpula da igreja, comandadas por Dona Minervina e Senhora Nozela, cuidavam das ornamentações e das relações onde constavam os nomes dos doadores das prendas que seriam leiloadas.Padre Epifânio, verdadeiro líder da comunidade católica, caprichava nos sermões das missas realizadas durante os dias da semana que antecediam as quermesses. Sempre pedia a colaboração de todos e nunca se esquecia de citar os nomes das famílias que ofereceriam as prendas para os dias em que haviam sido escolhidas. Eram sitiantes, fazendeiros, profissionais liberais, comerciantes e todas as famílias mais abastadas da cidade.Ao redor do barracão era construída uma cerca de pouco mais de um metro de altura para impedir a entrada daqueles que não haviam sido convidados ou dos que não adquiriram mesas.No dia da quermesse, padre Epifânio estava a postos. Rodeado pelos colaboradores e colaboradoras mais próximos, recebia o pessoal. Nos trajes da época, era o verdadeiro representante da religião católica: com seu chapéu clerical negro e sua batina também negra, abotoada de alto a baixo por trinta e três botões, representando a idade de Cristo, além de cinco botões em cada punho simbolizando as cinco chagas de Cristo. Padre Epifânio não dava nenhuma indicação de como os padres de hoje viriam a se vestir.As famílias que chegavam, às vezes numerosas, já iam juntando as mesas, desfazendo os arranjos e o layout tão carinhosamente preparados. Alguns políticos, inclusive o prefeito, faziam pequenos discursos e, em seguida, padre Epifânio dava início à quermesse.Olavo, bastante sóbrio, iniciava o leilão apresentando uma leitoa assada e doada por determinada família. Os próprios doadores faziam questão de arrematar a sua prenda, oferecendo um bom lance. Quem dá mais? Quem dá mais? Aquele deu mais! Quem dá mais? Dou-lhe uma, dou-lhe duas. E assim seguia a quermesse, com outros leiloeiros como Jorge Cury, Zé de Souza e Zé Valter.A molecada, atrás do cercado, de olhos compridos, pedia que alguém lhes desse alguma coisa. Uma ou outra pessoa arrematava alguma prenda e entregava aos meninos. Era uma farra só. Quando conseguiam um frango, rasgavam-no com as mãos e saíam brigando por um pedaço.Ah, se meu pai soubesse que eu estava do outro lado do cercado.O post A quermesse apareceu primeiro em AGORA NA REGIÃO.