Flávio envia carta a Rubio e pede que EUA desistam de sanções comerciais

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O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) enviou nesta terça-feira (2) uma carta ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, pedindo que o governo Donald Trump não implemente a tarifa de 25% proposta sob produtos brasileiros.No documento, Flávio afirma que novas barreiras comerciais agravariam a situação econômica do país e atingiriam diretamente trabalhadores e empresas brasileiras. A manifestação ocorre após o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) recomendar a adoção das tarifas ao concluir uma investigação sobre práticas comerciais brasileiras.O senador argumenta que o Brasil atravessa um cenário de fragilidade fiscal e desaceleração econômica. Segundo ele, a dívida bruta do governo geral ultrapassou 80% do PIB, alcançando R$ 10,4 trilhões em abril, enquanto projeções de mercado indicariam nova alta até o fim do ano.A carta também cita o número de brasileiros inadimplentes, estimado em 81,7 milhões de pessoas, além do aumento dos pedidos de recuperação judicial por empresas e do crescimento da inadimplência corporativa.“Diante desse cenário, a imposição de novas tarifas causaria sérios danos ao povo brasileiro — justamente os cidadãos que veem os Estados Unidos como um parceiro e um amigo”, escreveu.Leia tambémTarifaço de Trump acende alerta na campanha de Flávio sobre efeito eleitoralAliados temem que novas sanções dos EUA fortaleçam discurso de Lula sobre soberania nacional e reforcem acusações de que bolsonaristas atuam contra interesses brasileirosLula mira Rubio após tarifaço e diz que secretário de Trump “não gosta do Brasil”Presidente associa influência do chefe da diplomacia americana à escalada das tensões entre Brasília e Washington e critica aproximação de Rubio com filhos de BolsonaroArgumento apresentadoO apelo formalizado por escrito repete a posição que Flávio diz ter levado pessoalmente à administração americana durante sua viagem aos Estados Unidos na semana passada.Na ocasião, o senador se reuniu com o presidente Donald Trump, o vice-presidente J.D. Vance e o secretário de Estado Marco Rubio.Após a divulgação do relatório do USTR, Flávio afirmou que pediu aos três integrantes do governo americano que poupassem as empresas brasileiras de qualquer sanção comercial.“Nas três reuniões que nós tivemos, com o presidente Trump, o vice-presidente J.D. Vance e o secretário de Estado Marco Rubio, eu pedi expressamente: não taxem as empresas brasileiras”, declarou em entrevista à Rádio Itatiaia.Agradecimento por medida contra PCC e CVAntes de abordar a questão tarifária, o senador agradece a Rubio pela decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.Flávio afirma que as duas facções mantêm operações que extrapolam as fronteiras brasileiras e considera a medida um avanço no combate ao crime organizado transnacional.“Trata-se de um passo decisivo para proteger cidadãos honestos em todo o nosso hemisfério compartilhado”, escreveu.A classificação foi anunciada pelo Departamento de Estado dias depois da visita do senador a Washington. O próprio Flávio afirmou ter defendido a medida durante os encontros com integrantes do governo americano.Aceno a futuro acordo comercialNa parte final da carta, o pré-candidato do PL também faz uma sinalização política. Ao mencionar a disputa presidencial de outubro, Flávio afirma estar confiante em sua eleição e propõe uma aproximação econômica entre os dois países caso chegue ao Palácio do Planalto.Segundo ele, uma eventual equipe de transição estaria pronta para iniciar negociações voltadas à construção de um acordo amplo de comércio e investimentos entre Brasil e Estados Unidos.“Estou preparado para colocar imediatamente minha equipe de transição à disposição de seu governo, para que possamos concluir, o mais rapidamente possível, um amplo acordo de comércio e investimentos benéfico para ambas as nações”, escreveu.A proposta de tarifa de 25% ainda não entrou em vigor. O governo americano abriu um período de consulta pública e análise técnica antes da decisão final, prevista para julho.Leia a carta na íntegra:“Prezado Secretário Rubio,Escrevo, em primeiro lugar, para agradecer a cordialidade com que fui recebido durante minha recente visita a Washington. Nossa conversa reforçou minha convicção de que a amizade entre nossas duas nações se baseia em valores compartilhados e em uma visão comum para a segurança e a prosperidade do Hemisfério Ocidental.Sou especialmente grato por sua decisão de designar o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital como organizações terroristas. Essas duas facções estão entre os empreendimentos criminosos mais violentos do Brasil, e suas redes de drogas, armas e dinheiro se estendem muito além de nossas fronteiras — inclusive para o seu país. A ampla maioria do povo brasileiro comemorou essa medida, mesmo que ela não tenha agradado ao governo atual. Trata-se de um passo decisivo para proteger cidadãos honestos em todo o nosso hemisfério compartilhado.Escrevo também, porém, com preocupação em relação à recente determinação da Seção 301 anunciada pelo Representante de Comércio dos Estados Unidos. Embora eu compreenda que nenhuma tarifa tenha sido imposta até o momento — e que a decisão apenas tenha aberto um processo de consulta pública e etapas técnicas que levarão a um prazo legal em julho — acredito ser meu dever compartilhar com o senhor as reais condições econômicas enfrentadas pelo povo brasileiro neste momento.O Brasil vive uma grave deterioração fiscal e econômica. Nossa dívida bruta do governo geral já ultrapassou 80% do PIB pela primeira vez desde a pandemia, alcançando R$ 10,4 trilhões em abril, e as projeções de mercado apontam que ela chegará a um recorde de 83,7% do PIB até o fim do ano. As contas públicas continuam registrando déficit primário, enquanto os pagamentos de juros da dívida atingiram níveis recordes.O peso sobre as famílias é ainda mais alarmante: um recorde de 81,7 milhões de brasileiros está inadimplente — quase metade da população adulta — e os compromissos com dívidas consomem uma parcela sem precedentes da renda familiar. Do lado das empresas, os pedidos de recuperação judicial — equivalente brasileiro ao Chapter 11 dos Estados Unidos — dispararam para o recorde histórico de 2.466 companhias em 2025, enquanto 8,7 milhões de contribuintes empresariais estavam inadimplentes no início de 2026. Todos esses números representam recordes históricos.Diante desse cenário, a imposição de novas tarifas causaria sérios danos ao povo brasileiro — justamente os cidadãos que veem os Estados Unidos como um parceiro e um amigo. Por isso, escrevo para reiterar formalmente o pedido que lhe fiz pessoalmente: que os Estados Unidos não imponham tarifas ao Brasil.Como já afirmei, estou confiante de que serei eleito presidente do Brasil em outubro. Caso essa seja a vontade do meu povo, estou preparado para colocar imediatamente minha equipe de transição à disposição de seu governo, para que possamos concluir, o mais rapidamente possível, um amplo acordo de comércio e investimentos benéfico para ambas as nações — baseado em livre mercado, respeito mútuo e na aliança estratégica que nossos povos merecem.Permaneço inteiramente à disposição e espero aprofundar a amizade entre o Brasil e os Estados Unidos.Que Deus abençoe a América, e que Deus abençoe o Brasil.Atenciosamente,Flávio BolsonaroSenador da República Federativa do Brasil.”The post Flávio envia carta a Rubio e pede que EUA desistam de sanções comerciais appeared first on InfoMoney.