O Itaú BBA reduziu o preço-alvo da JBS (JBSS32) de US$ 20 para US$ 18 ao fim de 2026, após revisar suas projeções para a companhia depois dos resultados do primeiro trimestre. Apesar do corte, o banco manteve recomendação outperform (equivalente à compra) e continua vendo a empresa como sua principal escolha no setor de alimentos e bebidas. O novo preço-alvo ainda implica potencial de valorização de 48,8% em relação à cotação de referência de US$ 12,10 utilizada no relatório.A revisão reflete principalmente uma visão mais cautelosa para a operação de carne bovina nos Estados Unidos, considerada uma das mais relevantes para os resultados consolidados da companhia. Segundo os analistas Gustavo Troyano, Bruno Tomazetto e Ryu Matsuyama, os números do primeiro trimestre mostraram que a recuperação do segmento deve demorar mais e ocorrer em um patamar inferior ao esperado anteriormente.Por lá, o ciclo do gado está em um momento negativo para os frigoríficos, com a cabeça mais cara. Com isso, o Itaú BBA passou a projetar margem Ebitda negativa de 1,9% para a divisão de carne bovina dos EUA em 2026, ante estimativa anterior de -1,4%. Para 2027, a expectativa caiu de uma margem positiva de 1,5% para um desempenho próximo do ponto de equilíbrio.“O resultado de carne bovina nos EUA no primeiro trimestre foi claramente o ponto fraco do período”, afirmam os analistas. Na avaliação deles, o desempenho decepcionou investidores que esperavam uma compressão menor das margens ou até sinais iniciais de recuperação do ciclo pecuário norte-americano.O banco ressalta, porém, que existem fatores que podem melhorar esse cenário adiante. Entre eles estão a demanda ainda resiliente do consumidor americano e uma eventual reabertura da fronteira do México para importação de gado, medida que poderia aliviar a oferta de animais para abate nos EUA. Segundo o relatório, esses potenciais gatilhos positivos ainda não estão incorporados às projeções nem parecem refletidos nas expectativas do mercado.Já na Pilgrim’s Pride (PPC), subsidiária de aves da JBS nos EUA, o início de ano também foi mais fraco que o esperado, levando o banco a reduzir sua estimativa de margem Ebitda para 2026 de 10,4% para 9%.Ainda assim, o Itaú afirma que os temores de uma piora estrutural no ciclo de frango perderam força nos últimos meses e que a tendência segue sendo de recuperação gradual ao longo do ano.Nos demais negócios, as mudanças foram mais limitadas. O relatório destaca que a operação australiana foi impactada principalmente pelo câmbio, enquanto a divisão de carne bovina no Brasil enfrenta ruídos típicos do início do ciclo de retenção de fêmeas. Por outro lado, Seara e a operação de carne suína nos Estados Unidos continuam apresentando margens consideradas resilientes, sustentadas pela demanda do consumidor.Mesmo após a revisão, o Itaú BBA segue enxergando a JBS como uma das teses mais atrativas do setor de proteínas. O banco destaca a diversificação geográfica e de portfólio da companhia, além de uma estrutura de capital que continua sólida mesmo em um cenário mais desafiador para algumas operações.Na avaliação dos analistas, boa parte da piora das expectativas já foi incorporada ao preço das ações. Atualmente, a JBS negocia a cerca de 6 vezes o valor da firma sobre Ebitda (EV/Ebitda) projetado para 2026, ou 6,6 vezes considerando o padrão contábil norte-americano (US GAAP).O banco chama atenção ainda para o fato de que esses múltiplos embutem margens deprimidas na operação de carne bovina dos EUA. Em um cenário mais normalizado para o negócio, a companhia passaria a negociar perto de 5 vezes EV/Ebitda, patamar que o BBA considera descontado em relação aos pares internacionais e que reforça sua visão positiva para a ação no médio e longo prazo.No modelo atualizado, o Itaú BBA reduziu sua projeção de lucro líquido da JBS para US$ 1,32 bilhão em 2026, queda de 8,8% em relação à estimativa anterior. Para 2027, a revisão foi ainda mais intensa, de US$ 1,55 bilhão para US$ 1,23 bilhão. Ainda assim, os analistas avaliam que a combinação entre valuation descontado, diversificação operacional e potencial de recuperação dos ciclos pecuários mantém a JBS como a principal aposta do banco dentro do setor de alimentos e bebidas.