“Guerra de tarifas” é o novo normal, diz Ciro Reis sobre proposta dos EUA

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O USTR (Representante Comercial dos Estados Unidos) divulgou, na noite desta segunda-feira (1), uma proposta de imposição de tarifas de 25% sobre todas as importações brasileiras, com exceção das mercadorias classificadas como “sujeitas às tarifas de segurança nacional”.A medida acendeu o alerta sobre os possíveis impactos nas exportações do Brasil e reacendeu o debate sobre as relações comerciais entre os dois países.Para o colunista Ciro Reis, a proposta deve ser analisada dentro de um contexto geopolítico e geoeconômico mais amplo. “O mundo está sendo redesenhado do ponto de vista geopolítico e geoeconômico, então o que a gente tem que fazer aqui no Brasil é se adaptar a este novo momento”, afirmou. Leia Mais Máquinas e plásticos serão os mais afetados por tarifas, diz ministro Alckmin: Governo vai trabalhar com iniciativa privada para evitar tarifas Alckmin sobre investigação comercial dos EUA: Pix é um patrimônio nacional Segundo ele, há sim um componente político na decisão americana, mas esse componente faz parte de um jogo muito mais amplo, no qual o Brasil precisa aprender a se movimentar de forma estratégica.Protecionismo não é exclusividade brasileiraQuestionado sobre se as práticas comerciais do Brasil seriam mais protecionistas do que as de outros países, Ciro Reis ponderou que a disparidade tarifária entre os parceiros comerciais dos Estados Unidos é um fenômeno generalizado.“A maioria dos países com quem os Estados Unidos mantém laços comerciais usufruiu de algum benefício de tarifas relativamente mais baixas”, disse.Ele destacou que os americanos também têm reclamado dos países europeus, o que demonstra que a questão vai além dos mercados emergentes. A guinada tarifária promovida pelos Estados Unidos, no entanto, foi descrita por ele como “punitiva” pela sua natureza repentina e drástica.Pix entra na mesa de negociaçõesO sistema de pagamentos instantâneos Pix voltou a figurar entre as reclamações americanas. Ciro Reis explicou que os Estados Unidos argumentam que o Pix prejudica outras formas de transações financeiras de empresas americanas, uma vez que ocupa um espaço que outros mecanismos gostariam de preencher.Ainda assim, o colunista demonstrou ceticismo quanto à possibilidade de o sistema ser neutralizado. “Difícil imaginar que o Pix vai acabar ou que vai ser dramaticamente limitado”, avaliou, acrescentando que o tema entrará nas negociações, mas que o fator político — especialmente em ano eleitoral no Brasil — tende a impor cautela a todos os lados.Contexto mais amplo e necessidade de diversificaçãoCiro Reis chamou atenção para o fato de que a proposta tarifária foi divulgada um dia após o anúncio do novo embaixador americano no Brasil e uma semana depois da classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas pelos Estados Unidos. Para ele, esse conjunto de movimentos revela um quadro de pressões sobre o Brasil. Diante disso, o colunista defendeu que o país deve buscar a diversificação de mercados, citando as negociações do Mercosul com o Canadá e o estreitamento dos laços comerciais com a Índia como exemplos positivos.“É hora de pouco discurso e ações. Ações no bastidor, negociações, porque rompantes não vão resolver nada nesse momento“, concluiu, reforçando que a “guerra de tarifas” deve ser encarada como o novo normal do comércio internacional.Petróleo, café e aeronaves: veja itens mais exportados pelo Brasil aos EUA Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.