Após a música com a abertura artística de Zidi Andrade, Catarina Barosa, cofundadora da Leadership Summit Cabo Verde, e host do momento, fez questão de destacar a importância de continuar a trazer esta cimeira – agora na quarta edição – a Cabo Verde.De seguida, Filipe Vaz, CEO da Tema Central, sublinhou a importância de debater os novos rumos do setor, realçando o papel do grupo de conselheiros estratégico de Cabo Verde no desenho de um programa de excelência para responder aos novos desafios com destaque para o tema deste ano: Liderança 6.0: O Futuro Geopolítico, Económico e Climático.Pedro Brito, Associate Dean na Nova School of Business & Economics e CEO da Executive Education Business School abriu o programa com a Talk ‘Liderança 6.0: As Tensões que precisamos de saber liderar’, onde traçou uma abordagem evolutiva, partindo do conceito tradicional até alcançar a Liderança 6.0, focada em gerir tensões inevitáveis por meio da prosperidade e da resiliência.O comando e controlo é o modelo tradicional baseado na autoridade pura de uma Liderança 1.0. Embora possa parecer ultrapassado, Pedro Brito defende que “ainda hoje é importante” e que “serve pontualmente”, exemplificando com situações de emergência como cheias ou a própria pandemia, onde uma ação centralizada foi vital. Já com um foco nos resultados, o segundo patamar, introduz a definição clara de metas, a avaliação de desempenho e a clarificação dos rumos organizacionais, mantendo ainda traços de comando e controlo.Quando se colocam as Pessoas no centro, o modelo Liderança 3.0 está direcionado para o desenvolvimento humano e a motivação. Pedro Brito lança um alerta sobre o futuro das organizações: “Cuidado, porque amanhã as lideranças vão ter de liderar, não só humanos. Porque hoje com a Inteligência Artificial começam a existir organizações que têm de liderar também sintéticos”. Uma Liderança 4.0, baseia-se na partilha de recursos, na criação de sinergias e no reconhecimento das interdependências mútuas.Nós também temos muitas ilhas dentro das nossas organizações. Os departamentos, as unidades de negócio (…) As tensões surgem quando existe algum tipo de pressão (…) muitas vezes focamo-nos muito mais no ‘eu’, no meu departamento, no meu feudo, do que propriamente no ‘nós’A Transformação Tecnológica define a Liderança 5.0, alicerçada no impacto da tecnologia e da inteligência artificial no quotidiano das equipas e empresas. «Deveremos adotar ou questionar? (…) É o que os americanos chamam de ‘cognitive surrender’ (rendição cognitiva). Estamos a ficar cognitivamente reféns de muitas decisões que estamos a delegar na tecnologia, perdendo muitas vezes o julgamento, a capacidade crítica.»Em conclusão, os modelos anteriores (do 1.0 ao 5.0) não devem ser descartados, pois são cumulativos e necessários. Contudo, a Liderança 6.0 exige uma mentalidade de treino diário para lidar com paradoxos que nunca vão desaparecer, funcionando como uma espécie de “ginástica” para manter as organizações saudáveis, «para garantir que estamos preparados para trazer cada vez mais prosperidade e mais resiliência.», concluiu.Para o encerramento do jantar, a conversa entre Nuno Piteira Lopes, Presidente da Câmara Municipal de Cascais e Marcos Rodrigues, Presidente da Câmara de Comércio do Sotavento de Cabo Verde, juntou duas visões sobre uma Liderança 6.0. Como preparar os territórios para o futuro sem perder proximidade com quem neles vive?O debate centrou-se nos desafios da liderança, na sustentabilidade e no papel da democracia para o desenvolvimento. Ao longo do painel, foram traçados vários paralelismos e pontos de contacto entre os municípios de Cascais (Portugal) e da Praia (Cabo Verde).A visão de Nuno Piteira Lopes foca-se na evolução da governação através de uma “democracia de impacto”. Para o autarca português, o poder local deve centrar-se na resolução dos problemas quotidianos dos cidadãos e na inovação social através de mecanismos participativos e colaborativos. A liderança, nesta perspectiva, legitima-se pela capacidade de partilhar o processo de decisão com a população e aprender com outras realidades, afirmando que «Cascais também pode ter muito e tem com certeza muito a aprender com a cidade da Praia».Por sua vez, Marcos Rodrigues trouxe a perspectiva empresarial, defendendo que o fortalecimento da economia é o pilar fundamental para sustentar qualquer estabilidade social. O líder da Câmara de Comércio do Sotavento argumenta que o crescimento de uma nação depende diretamente do sucesso e da riqueza do seu tecido empresarial. Com a premissa de que «sem empresários ricos não há países ricos», o orador sublinha que a estabilidade democrática e a transparência institucional são os maiores ativos de Cabo Verde para atrair investimento privado e gerar prosperidade.O paralelismo entre ambos reside na matriz atlântica que une Cascais e a Praia. Mais do que uma barreira geográfica, o oceano foi apresentado como um espaço comum de oportunidades e de cooperação bilateral. Ambas as cidades enfrentam desafios idênticos no que toca à sustentabilidade e às alterações climáticas, demonstrando que a partilha de boas práticas e a colaboração institucional são essenciais para transformar a insularidade e a proximidade costeira em motores de inovação e qualidade de vida.Organizada pela Tema Central e pela The Office, a Leadership Summit Cabo Verde afirma-se como uma plataforma de partilha, pensamento estratégico e ação colaborativa, unindo talento, investimento e visão para o futuro sustentável do país.Fique a par do programa completo da cimeira aqui. O conteúdo «Sem empresários ricos não há países ricos». Conheça a visão de uma nova insularidade aparece primeiro em Revista Líder.