O almoço fora de casa começa a ser uma das despesas sacrificadas quando o orçamento aperta. 85% dos trabalhadores em Portugal reduziram as visitas a restaurantes nos últimos 12 meses devido ao aumento do custo de vida, segundo o Barómetro FOOD 2026, estudo anual do Grupo Edenred sobre os hábitos alimentares dos trabalhadores e as práticas dos restaurantes durante a pausa para almoço.A redução não foi igual para todos. Em 57% dos casos foi considerada significativa, enquanto 28% dos trabalhadores dizem ter reduzido ligeiramente as idas a restaurantes. O preço surge, assim, como uma espécie de porteiro à entrada da restauração, deixando passar cada vez menos refeições.A pressão sobre o orçamento é particularmente evidente quando se olha para o peso da alimentação nas despesas mensais. 42% dos trabalhadores portugueses destinam mais de 30% do seu orçamento à alimentação, num contexto em que a subida dos preços obriga a escolhas mais cuidadas.O estudo, realizado em 21 países, reuniu em Portugal mais de 2800 respostas de trabalhadores e responsáveis de restaurantes.Preço pesa, mas não é tudoNa escolha de um restaurante, a relação qualidade-preço é o fator mais importante para os portugueses, apontado por 85% dos inquiridos. Logo depois surge o preço da refeição, referido por 81%, e a proximidade, com 72%.A preocupação com uma alimentação saudável também entra na decisão. 69% dos trabalhadores dizem considerar a oferta saudável quando escolhem onde comer, enquanto a aceitação do cartão refeição é relevante para 62%.Os números mostram uma mudança interessante: poupar tornou-se importante, mas não significa abdicar completamente da qualidade. O consumidor procura uma refeição que justifique o dinheiro gasto, equilibrando aquilo que tem no bolso com aquilo que coloca no prato.Comer melhor continua a ser uma prioridadeApesar da pressão sobre os preços, 90% dos trabalhadores dizem prestar cada vez mais atenção ao que comem. E 88% consideram importante que as empresas adotem medidas para promover uma alimentação saudável e sustentável entre os colaboradores.A saúde é, de resto, a principal razão apontada para escolhas alimentares mais equilibradas, referida por 97% dos trabalhadores.O sabor e a diversidade também ganharam importância. São agora valorizados por 84% dos inquiridos, contra 68% em 2025. Já as preocupações relacionadas com os animais ou com o ambiente são mencionadas por 52%.Existe também uma expectativa clara em relação aos restaurantes: 83% dos trabalhadores gostariam de encontrar uma oferta mais saudável.Para 93%, isso passa pela presença de mais legumes ou legumes frescos como acompanhamento. A informação nutricional clara é valorizada por 63% e as alternativas com cereais integrais por 54%.O paradoxo do restaurante: saudável, mas mais caroDo lado dos restaurantes, a procura parece estar a acompanhar esta mudança. 65% dos estabelecimentos dizem que os clientes reparam e valorizam uma oferta saudável.O problema está no custo. Mais de metade dos restaurantes inquiridos, 54%, considera que preparar refeições saudáveis é mais caro, colocando sobre a mesa uma equação difícil de resolver: os consumidores querem comer melhor, mas têm cada vez menos margem para pagar por isso.É neste ponto que os interesses de trabalhadores e restaurantes se encontram. Enquanto os primeiros procuram preços comportáveis sem abdicar da qualidade, os segundos enfrentam custos de operação que tornam mais difícil manter uma oferta simultaneamente saudável e acessível.Cartão refeição ganha peso no orçamento familiarNum cenário de maior contenção, o cartão refeição aparece como um apoio relevante para o orçamento alimentar.72% dos trabalhadores dizem que o cartão refeição aumenta o montante disponível para alimentação, enquanto 38% afirmam que lhes permite comer melhor e ter uma refeição mais completa e equilibrada.O impacto potencial seria ainda maior se o valor do subsídio de alimentação duplicasse. Nesse cenário, 71% dos trabalhadores dizem que melhorariam a qualidade das suas refeições, escolhendo produtos melhores e mais saborosos.Também para os restaurantes o cartão assume importância. 67% consideram que tem um impacto positivo na atividade, enquanto 85% dos estabelecimentos inquiridos aceitam atualmente cartões refeição.Entre os restantes serviços digitais, 39% dos restaurantes disponibilizam encomendas online para takeaway, 22% estão presentes em plataformas de entrega e 15% utilizam plataformas de reservas. Sistemas próprios de entrega representam 7% e soluções de encomenda e pagamento à mesa 11%.Quase todos preocupados com o desperdício alimentarA preocupação com o desperdício atravessa praticamente todo o universo analisado. 98% dos trabalhadores dizem estar preocupados ou um pouco preocupados com o desperdício alimentar, e 80% gostariam de saber quais os restaurantes que adotam medidas para o combater.Entre as práticas mais valorizadas estão a disponibilização de embalagens para levar as sobras, apontada por 73%, a existência de porções de diferentes tamanhos, com 45%, e a reutilização de alimentos ou ingredientes, com 40%.Também os restaurantes dizem estar a responder a esta preocupação. 98% afirmam ter implementado medidas para limitar o desperdício, contra 89% em 2025.As soluções mais comuns são a disponibilização de embalagens para levar sobras, adotada por 61% dos estabelecimentos, e a reutilização de ingredientes em receitas, referida por 59%.«Enquanto líder em benefícios extrassalariais e no cartão refeição, a Edenred tem uma perspetiva privilegiada sobre a evolução dos hábitos de consumo durante a pausa para almoço», afirma Filipa Martins, CEO da Edenred Portugal, sublinhando a importância de apoiar o poder de compra alimentar e dinamizar a restauração.No fundo, o retrato deixado pelo Barómetro FOOD 2026 é o de uma mudança silenciosa à mesa: os portugueses continuam a querer comer bem, mas estão a escolher com muito mais cuidado onde, como e quanto gastam. A refeição fora de casa deixou de ser apenas uma questão de conveniência ou prazer e passou a integrar, cada vez mais, a contabilidade diária de quem olha para o fim do mês antes de pedir sobremesa. Este artigo integra o espaço branded content da Líder e foi produzido em parceria com a Edenred.O conteúdo O custo de vida chegou à mesa: 85% dos trabalhadores portugueses reduziram as idas a restaurantes aparece primeiro em Revista Líder.