A corretora de criptomoedas OKX pretende ampliar sua atuação no mercado financeiro brasileiro e tem entre seus planos oferecer ações tokenizadas, commodities e outros instrumentos financeiros negociados por meio de blockchain. A empresa quer aproveitar sua parceria internacional com a Intercontinental Exchange (ICE), controladora da Bolsa de Nova York (NYSE), para desenvolver esse mercado no país, embora reconheça que ainda existem obstáculos regulatórios para a implementação desses produtos.Os planos foram revelados por Guilherme Sacamone, CEO da OKX Brasil, durante uma coletiva de imprensa realizada nesta quinta-feira (5), em São Paulo. O executivo afirmou que a tokenização deverá aproximar cada vez mais o mercado tradicional das plataformas de criptomoedas, permitindo que investidores tenham acesso a uma variedade maior de ativos e serviços financeiros.“Existe uma tendência que nada vai conseguir parar, que vai ser a tendência de ações tokenizadas”, afirmou Sacamone, ao comentar sobre o futuro do setor.Segundo ele, a expectativa é que as criptomoedas deixem de ser utilizadas principalmente como instrumentos de investimento e especulação e passem a funcionar também como infraestrutura para o mercado financeiro tradicional.Nesse cenário, ações de empresas, commodities e contratos derivativos poderiam ser representados por tokens em blockchain e negociados em plataformas que atualmente são utilizadas principalmente para compra e venda de criptomoedas.Uma das possibilidades defendidas por Sacamone é permitir que investidores brasileiros negociem esses ativos utilizando stablecoins, especialmente aquelas vinculadas ao dólar. O executivo citou como exemplo as operações com commodities, como café, soja e minério de ferro, que já possuem grande presença em mercados internacionais.Na avaliação dele, a tokenização poderia reduzir custos e facilitar o acesso de investidores brasileiros a esses mercados, embora aspectos como liquidez, formação de preços e tratamento regulatório ainda precisem ser resolvidos.A iniciativa está relacionada à parceria anunciada em março entre a OKX e a ICE. Na ocasião, a controladora da NYSE anunciou um investimento na corretora e uma colaboração estratégica que inclui o desenvolvimento de infraestrutura para negociação de ativos digitais, derivativos e ações tokenizadas. O aporte foi realizado com base em uma avaliação da OKX de US$ 25 bilhões, mas o valor investido não foi divulgado oficialmente.Sacamone afirmou que a intenção é utilizar essa relação para fortalecer as discussões com os reguladores brasileiros e, eventualmente, disponibilizar produtos semelhantes aos investidores locais.“A gente adoraria trazer ações tokenizadas que já oferecemos lá fora para o Brasil. Infelizmente, não podemos por uma questão regulatória”, disse.O executivo esclareceu, entretanto, que a OKX ainda não iniciou conversas diretas com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) sobre a possível oferta desses produtos no Brasil. Segundo ele, a companhia pretende avançar nessa discussão e pode utilizar a experiência da ICE para aproximar as iniciativas internacionais das exigências brasileiras.A CVM já começou a estudar a utilização dessas tecnologias no mercado de capitais. Em outubro, a autarquia publicou a Resolução 249, que instituiu um programa-piloto para testar operações de emissão, negociação, custódia e liquidação de valores mobiliários por meio de redes de registro distribuído.Os testes poderão envolver ações, debêntures, cotas de fundos e outros ativos, mas serão realizados em ambiente experimental, sem investidores ou recursos financeiros reais. O programa, portanto, não representa uma autorização para que corretoras passem a oferecer esses produtos ao público.Três dos cinco maiores bancos do Brasil já utilizam serviços da OKXAlém dos planos para a tokenização, Sacamone revelou que a OKX já mantém relações comerciais com algumas das maiores instituições financeiras do Brasil. “Dos cinco maiores bancos do Brasil, três já são nossos clientes, já operam conosco, já utilizam a nossa liquidez no Brasil”, afirmou.O executivo não revelou quais são essas instituições, alegando restrições comerciais, nem detalhou os valores movimentados nas operações. Segundo ele, a aproximação entre bancos e corretoras de criptomoedas deverá se intensificar com a implementação das novas regras do Banco Central para o setor de ativos virtuais.Sacamone avalia que as instituições tradicionais poderão desempenhar um papel importante na expansão do mercado cripto, funcionando como porta de entrada para clientes que ainda não estão familiarizados com plataformas especializadas.Na avaliação do executivo, esses investidores poderão começar utilizando serviços relacionados a criptomoedas em seus próprios bancos e, posteriormente, procurar corretoras para acessar produtos mais sofisticados.A relação entre os dois segmentos, portanto, não seria necessariamente de concorrência direta, mas de complementaridade.“Eu acho que a gente vai ter muita sinergia nesse mercado, principalmente oferecendo liquidez também para esses parceiros do Brasil”, afirmou.O executivo destacou que essa aproximação já pode ser observada em serviços relacionados a stablecoins. Instituições como BTG Pactual e Safra possuem iniciativas envolvendo moedas digitais, enquanto plataformas de investimento ligadas a grandes bancos também oferecem acesso a ativos digitais.Para Sacamone, o avanço da regulação brasileira tende a facilitar novas parcerias, inclusive em áreas que vão além da compra e venda de criptomoedas.A ampliação desses serviços também faz parte da estratégia da OKX de aproximar os ativos digitais das operações financeiras cotidianas.OKX amplia serviços com stablecoins e comenta segurança após ataques hackersDurante o evento, a OKX também anunciou a chegada ao Brasil do OKX Money, aplicativo separado de sua plataforma tradicional de negociação de criptomoedas, e de um cartão físico internacional voltado à utilização de dólares digitais.A nova solução permite que usuários transfiram reais por Pix, que são convertidos em stablecoins vinculadas ao dólar e enviados para uma carteira de autocustódia. Nesse modelo, o próprio usuário mantém o controle dos ativos digitais, em vez de deixá-los armazenados diretamente na corretora.Segundo Sacamone, a proposta é simplificar a experiência de utilização das criptomoedas e alcançar um público que hoje recorre a bancos digitais e contas internacionais para manter recursos em dólares.O executivo explicou que a transferência via Pix utiliza a estrutura da OKX Brasil para realizar a conversão dos reais em stablecoins. Depois disso, os ativos são enviados automaticamente para a carteira de autocustódia do usuário.O aplicativo permite a utilização de USDG, USDT e USDC, mas os benefícios oferecidos pela empresa são diferentes conforme a stablecoin escolhida.A taxa de conversão anunciada de 0,49% é aplicada ao USDG, que também é o único ativo elegível aos programas de cashback e recompensas da plataforma. O cartão oferece cashback inicial de 2%, que pode chegar a 10% conforme o nível de fidelidade do usuário, sujeito às condições do programa.A empresa também anunciou um programa promocional de recompensas sobre os saldos mantidos em USDG, com percentuais anualizados entre 4% e 10%, dependendo do perfil do cliente. Durante a coletiva, Sacamone fez questão de esclarecer que o benefício é um subsídio oferecido pela empresa, e não um rendimento financeiro propriamente dito.O cartão internacional é emitido pela Monavate, instituição europeia, e utiliza a rede Mastercard. Segundo a OKX, não há cobrança de anuidade ou mensalidade, nem incidência de IOF nas compras realizadas com o cartão, de acordo com as condições do serviço.A tecnologia de autocustódia do aplicativo é fornecida por uma empresa do grupo sediada em Delaware, nos Estados Unidos, enquanto a conversão dos reais em ativos digitais acontece por meio da operação brasileira. A OKX informou que não pretende transferir essa estrutura internacional para uma entidade brasileira no curto prazo.O lançamento também ocorre em um momento de intensificação das discussões sobre segurança no mercado de criptomoedas, após ataques hackers de grandes proporções contra empresas do setor.Questionado sobre os episódios recentes, Sacamone afirmou que a OKX acompanha com atenção as ameaças cibernéticas, mas não realizou mudanças em seus protocolos de segurança após os incidentes.Segundo ele, a empresa confia nos mecanismos que utiliza atualmente para proteger os ativos de seus clientes, embora reconheça a necessidade de monitoramento contínuo.O executivo também destacou o OKX Shield, programa de proteção anunciado pela corretora que prevê cobertura de até US$ 500 mil em determinados casos de comprometimento de contas, dependendo do nível do usuário e do cumprimento de requisitos de segurança. A cobertura não significa uma garantia irrestrita contra qualquer tipo de perda ou ataque.Para o executivo, a segurança será um dos desafios centrais à medida que o mercado de criptomoedas se integrar aos serviços financeiros tradicionais.A expectativa da OKX é que essa convergência se acelere nos próximos anos, com bancos utilizando cada vez mais a infraestrutura das empresas de ativos digitais e corretoras ampliando sua oferta para produtos que hoje são encontrados principalmente no mercado financeiro tradicional.No caso das ações tokenizadas, entretanto, a companhia ainda precisará transformar suas intenções em propostas concretas e avançar nas discussões regulatórias antes de disponibilizar o serviço aos investidores brasileiros.O post OKX quer trazer ações tokenizadas ao Brasil e diz que três dos cinco maiores bancos já são clientes apareceu primeiro em Portal do Bitcoin.