Ex-presidente do Paraguai, Santiago Penã foi preso nesta sexta-feira (6), um dia após renunciar ao cargo. A decisão foi motivada pela crise no banco digital Ueno Bank, que levou ao bloqueio de contas e investimentos de cerca de 40% da população do país. Como os brasileiros vão receber o dinheiro do Ueno Bank de volta?Entenda como a crise de um banco digital derrubou o presidente do Paraguai em apenas dois diasAntes da prisão, o Senado do Paraguai aprovou, por unanimidade, o impeachment de Santiago Peña, de 47 anos, que vinha se apresentando como líder da direita sul-americana. A decisão, na prática, suspende todas as garantias constitucionais às quais Peña teria direito com a renúncia (ou se tivesse concluído o mandato), como uma cadeira vitalícia no Senado e foro privilegiado. A promotoria pediu a prisão pelo caso ligado à quebra do Ueno Bank pouco após a decisão no Legislativo.Peña foi detido, inicialmente, em regime domiciliar. Os advogados do agora ex-presidente afirmaram que vão contestar o julgamento político na Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), alegando nulidades na condução do processo. A derrocada política de Peña foi consumada pouco mais de 24 horas após a abertura do processo de impeachment pela Câmara dos Deputados, e três dias depois da quebra do Ueno Bank — banco digital do qual o presidente foi acionista até o ano passado, e onde foram depositados US$ 850 milhões (R$ 4,6 bilhões no câmbio atual) em fundos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social. Quase 40% da população paraguaia tinha contas na instituição bancária e, após intervenção do Banco Central pelo alto índice de insolvência da instituição financeira (inferior a 50%), ficaram sem acesso a seus valores.