Uma mulher encontrou um corpo em avançado estado de decomposição dentro de um apartamento que havia adquirido em um leilão, em Patos de Minas, no Alto Paranaíba, em Minas Gerais. A descoberta aconteceu nesta quinta-feira (5), quando Kalina Poliana entrou no imóvel pela primeira vez após a compra. Segundo o g1 e a TV Integração, a suspeita é de que o corpo seja da antiga proprietária, que estaria morta há mais de um ano.Em entrevista ao g1, Kalina contou que havia recebido autorização do filho da ex-proprietária para acessar o apartamento. Como não tinha as chaves, contratou um chaveiro para abrir a porta. Ao entrar, encontrou o imóvel aparentemente conservado, mas se deparou com uma situação inesperada ao chegar a um dos quartos.[jms-related-posts ids="1309170,1309176"]"Foi muito complicado, eu fiquei muito abalada. Eu já tinha falado com o filho da proprietária, ele me falou que ela tinha sumido, tinha arrumado um suposto namorado. Ela comentou que iria morar com o rapaz em Varjão de Minas", relatou.De acordo com Kalina, os familiares haviam perdido contato com a mulher e acreditavam que ela tinha deixado a cidade para viver com o suposto companheiro. O apartamento permaneceu fechado durante todo esse período, sem que os vizinhos percebessem qualquer cheiro que pudesse indicar a presença de um corpo. A própria compradora afirmou que não sentiu nenhum odor incomum ao entrar no local.[caption id="attachment_1309279" align="aligncenter" width="617"] Kalina não sabia da situação até ir ao apartamento após o resultado do leilão. (Foto: Unsplash)[/caption]A descoberta ocorreu quando Kalina percebeu um volume sobre a cama de um quarto que estava fechado. O corpo estava coberto, com travesseiros ao lado, o que inicialmente deu a impressão de que havia alguém dormindo. "Ela tinha uma coberta envolta nela. Quando eu vi, parecia que tinha alguém deitado dormindo na cama", recordou.Assustada, a mulher pediu que o chaveiro verificasse o que havia no cômodo. "Ele voltou e me disse 'tem uma mulher morta lá dentro', eu não acreditei", contou. Após confirmar a situação, Kalina ficou tão abalada que não conseguiu acionar a polícia. O profissional que a acompanhava foi quem chamou as autoridades.[anuncio]Durante a apuração, também foram encontradas diversas cartas próximas ao corpo. Segundo o g1, os bilhetes continham orientações sobre como a antiga proprietária gostaria de ser sepultada, incluindo as roupas que deveriam ser usadas em seu funeral. Em um dos textos, ela teria informado que os serviços funerários já estavam pagos. Outro bilhete indicava que a chave do apartamento seria deixada para seu único filho.Ainda conforme a reportagem, o imóvel estava limpo e em boas condições, e não havia sinais aparentes de arrombamento ou violência. A Polícia Civil investiga as circunstâncias da morte, enquanto a perícia do Instituto Médico Legal (IML) deverá ajudar a determinar quando a mulher faleceu.[caption id="attachment_1309282" align="aligncenter" width="617"] A Polícia Federal investiga a morte. (Foto: Unsplash)[/caption]Kalina não quer ficar com o apartamentoO apartamento havia sido comprado por Kalina em 9 de outubro, após ser levado a leilão devido à falta de pagamento do financiamento. Vanilda Sousa, responsável pela empresa Chave7 & Sousa, que presta assessoria a compradores de imóveis leiloados, explicou ao g1 que esse tipo de venda não exige uma vistoria prévia no interior da propriedade."No caso a devedora poderia pagar a dívida em 15 dias, conforme a lei. Então, a Caixa notificou ela e ela poderia pagar essa dívida para encerrar ali o processo desse imóvel vir a leilão", explicou Vanilda.[anuncio]Depois da descoberta, Kalina manifestou o desejo de desistir da compra do apartamento. A advogada Lahra Lopes, responsável pelo caso, informou que a equipe jurídica pretende ingressar com uma ação para tentar anular o leilão. Para isso, será necessário esclarecer se a antiga proprietária ainda estava viva quando recebeu as notificações do banco sobre a dívida."Precisamos verificar se a antiga proprietária ainda estava viva quando foi notificada pelo banco. Caso seja comprovado que ela já havia falecido, poderemos questionar judicialmente a validade dessas notificações e, consequentemente, do procedimento que resultou no leilão. Por outro lado, se ela recebeu validamente as notificações antes do falecimento, essa hipótese específica de anulação não se sustentaria", esclareceu a advogada.