Metade dos tutores se preocupa com sofrimento no fim da vida dos pets

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A velhice dos pets costuma ser um tópico sensível para muitos tutores. Preocupações relacionadas à saúde e ao comportamento de cães e gatos aumentam conforme eles vão ficando mais velhos.As dinâmicas na relação entre humanos e animais domésticos têm mudado com o passar dos anos. Atualmente, pets são considerados membros da família e entram em um lugar muito mais emocional nessas estruturas. Leia Mais 71% dos tutores na terceira idade aproveitam mais a vida: como cães e gatos viraram os maiores aliados de quem envelhece sem companhia Cachorro ou gato? Saiba o que levar em conta na hora de ter um pet Pets fortalecem o nosso sistema imunológico, dizem cientistas Uma pesquisa realizada pela Ipsos e pela PremieR mostra que tutores não pensam mais em quantos anos esses animais vão existir, mas se eles terão uma velhice saudável e confortável.O estudo, realizado com 1.200 tutores de cães e gatos, mostra que 80% deles acreditam que a longevidade está associada à saúde, à qualidade de vida e ao bem-estar. Dentro desse número, 46% acreditam que seus pets chegarão a idades entre 13 e 16 anos.Além disso, 53% dos tutores de cães e 47% dos de gatos relatam medo com um possível sofrimento na velhice desses animais.Há também outras questões que causam preocupações: 43% possuem medo de que os cachorros enfrentem perda de mobilidade, 45% apontam receito em relação a problemas renais e 41% problemas urinários nos gatos.À CNN Brasil, Felipe Mascarenhas, Head de Marketing da PremieR, afirma que os cuidados que humanos costumam ter consigo mesmos estão sendo passados aos animais de estimação.“Há um paralelo com a nossa vida: buscamos o envelhecimento mais saudável para nós mesmos, com prevenção e alimentação adequada, e isso se reflete no que buscamos para os nossos pets”, avalia o profissional.Ele segue: “À medida que eles ocupam um lugar central nas nossas vidas, o tutor passa a exigir deles o que exige para si. Assim como investimos hoje em alimentação e prevenção para envelhecer bem, o tutor passa a buscar o mesmo para seu cão ou gato”.Esses receios estão sendo refletidos no consumo. Com essa humanização e busca por envelhecimento saudável, os tutores passaram a ser mais exigentes com o que oferecem para os pets.Os donos de cães e gatos buscam comprovação científica e benefícios tangíveis em imunidade, saúde digestiva e prolongamento da expectativa de vida. É uma tendência mundial apontada pela Euromonitor International.No Brasil, essa preocupação ter crescido não é à toa: o país chegou a 166,8 milhões de animais domésticos em 2025, segundo dados da Associação Brasileira das Empresas do Setor de Animais de Estimação (ABEMPET).Mais naturalidade sobre a senilidadeO entendimento sobre envelhecimento pet avançou muito nos últimos anos. O estudo Dog Aging Project, que analisa 50 mil cães e é financiado pela Universidade de Washington, nos Estados Unidos, expõe que a tendência atual é fazer com que os animais vivam o tempo que tiverem que viver com saúde e bem-estar.Para Flávio Lopes, médico-veterinário especialista em nutrição de cães e gatos e gerente de Relacionamento Científico da PremieR, o estudo indica que exercício regular, peso corporal magro e engajamento cognitivo e social estão ligados a um envelhecimento mais saudável, tanto em cães quanto em pessoas.Um outro estudo, publicado em 2025 na revista científica Journals of Gerontology, aponta que os metabólitos do sangue que se associam à mortalidade em humanos têm efeito semelhante nos cães, o que reforça que existe uma biologia do envelhecimento em comum. Na rotina clínica, isso se traduz em acompanhar peso, massa muscular e condição corporal ao longo dos anos.“Vale ser honesto: muitos desses achados mostram correlação, não causalidade, e a ciência segue avançando. O que podemos dizer para os tutores é que vale a pena investir em uma alimentação de qualidade, vacinas anuais e acompanhamento veterinário constante para garantir mais tempo com nossos pets, mas também com saúde e qualidade de vida”, declara.GenéticaCães e gatos podem chegar a idades avançadas de acordo com seus históricos de saúde. A genética é uma parte importante nesse processo, mas há outras questões que podem impactar no bem-estar dos pets.Flávio Lopes explica que a genética importa, mas não é sentença. No caso dos cães, o tamanho pode ser um fator determinante: os de porte pequeno vivem, em média, cerca de 5 anos a mais que os grandes.Uma maior diversidade genética também aparece associada a uma vida média mais longa entre as raças, um dos motivos para os famosos “vira-latas” viverem tanto.A longevidade, no entanto, resulta da combinação de genes, dieta, exercício, ambiente, vida social e cuidado veterinário. A epigenética explica que o DNA é o mapa, e as escolhas do tutor influenciam como esse caminho será percorrido. “Por isso, mesmo com predisposição, a prevenção pode mudar o resultado”, declara.Flávio Lopes compara a saúde de um pet a uma poupança: o que se deposita nele desde filhote rende na velhice. A alimentação saudável sustenta um peso ideal, a massa muscular, as articulações e os rins, justamente os pontos que mais preocupam os tutores.A questão da obesidade também é algo que afeta tanto animais quanto humanos. A quantidade e a qualidade da alimentação contam muito para que o pet tenha um futuro tranquilo.O segundo “depósito” levantado pelo médico-veterinário tem relação com o acompanhamento de consultas anuais ou semestrais, vacinas em dia e exercício físico frequente.Por fim, o ajuste na dieta de cada fase pode transformar a experiência de lidar com a senilidade de um animal. Cães seniores, por exemplo, precisam de alimentos com menos densidade calórica e mais fibra, enquanto gatos idosos podem precisar de dietas mais calóricas, com mais proteína e maior digestibilidade.Quando as doenças aparecem, ajustes na nutrição, inclusive com alimentos coadjuvantes desenvolvidos para condições específicas, podem ajudar a controlar doença renal crônica, osteoartrite, hipertireoidismo e diabetes, sempre com orientação do médico-veterinário.“Quanto mais cedo o tutor começa a depositar, mais anos felizes e ativos o pet tem para usufruir. Para o tutor, o recado é observar mudanças na mobilidade, no apetite e no comportamento e levar isso à consulta cedo”, conclui Flávio Lopes.Envelhecimento dos pets: 50% dos tutores evitam falar sobre o assunto