Foto: Arquivo Pessoal/Cássia TavaresA trajetória de Cássia Tavares da Silva de Jesus, coordenadora da Atenção Básica de Saúde de Mirandópolis, é marcada por mudanças, apoio familiar e dedicação à enfermagem. Aos 48 anos, ela relembra os desafios para concluir a faculdade, conciliar os estudos com a vida familiar e construir sua carreira na saúde pública. Desde que chegou ao município, em 2013, criou vínculos com colegas e pacientes que marcaram sua história profissional. Natural de Santa Fé do Sul, Cássia cresceu em Aparecida D’Oeste e se mudou para Mirandópolis após ser aprovada em concurso público. Hoje, incentiva outras pessoas a persistirem nos próprios objetivos, mesmo diante das dificuldades.Como foi sua infância?Tive uma infância tranquila em Aparecida D’Oeste. Meus pais se separaram quando eu tinha nove anos, e passei a morar com minha mãe, mas meu pai sempre foi presente. Sou filha única. Minha mãe cuidava da casa e costurava para fora, enquanto meu pai trabalhava em banco. Sempre estudei em escola pública e concluí o ensino médio na cidade.Como começou sua família?Meu marido, Denivaldo César, era meu vizinho. Começamos a namorar em 1993 e nos casamos em 1996, quando eu tinha 17 anos. Temos uma filha, Heloísa. Em 2002, abrimos uma quitanda em Aparecida D’Oeste, onde trabalhei até 2007, quando decidi retomar os estudos.Cássia ao lado da filha, Heloísa, e do esposo, Denivaldo. Foto: Arquivo Pessoal/Cássia TavaresPor que escolheu a enfermagem?Eu queria fazer algo na área da saúde e conversei com uma amiga enfermeira, que me explicou que a enfermagem oferecia possibilidades mais amplas de trabalho. Meu marido me incentivou, meu pai ajudou com os custos e minha mãe também me apoiou. Comecei a faculdade em 2007, na Unifunec, em Santa Fé do Sul, e me formei em 2010. Foi uma conquista de toda a família.Como chegou em Mirandópolis? Depois da faculdade, trabalhei como cuidadora de um senhor com Alzheimer e prestei concursos em algumas cidades. Fui aprovada em Mirandópolis e chamada em 2013. No começo, enfrentava uma rotina difícil, viajando entre a cidade e Ilha Solteira, onde minha família morava. Meu marido percebeu o quanto isso era desgastante e decidimos nos mudar para cá. Fui muito bem recebida, inclusive pelos colegas com quem trabalhei desde o início.Como é trabalhar na saúde pública?É algo muito complexo, mas também muito gratificante. Trabalhar em uma UBS e na saúde pública envolve tensão e desafios, mas cuidar das pessoas e acompanhar a evolução de um paciente faz tudo valer a pena. É muito bom encontrar alguém que se lembra de você e diz que recebeu sua ajuda durante a gestação ou em outro momento da vida.Algum atendimento marcou sua trajetória?Lembro de uma mãe que estava com dificuldades para amamentar. Orientei como poderia fazer e, algum tempo depois, ela voltou para agradecer e contar que estava conseguindo amamentar. Também me marcou uma primeira consulta de pré-natal na UBS do Aeroporto. Ao ouvir os batimentos do bebê, percebi que eram dois. Naquele momento, descobrimos juntas que ela estava grávida de gêmeos. São experiências que ficam na memória.O que foi fundamental nessa caminhada?O apoio da minha família. Meu marido esteve ao meu lado durante a faculdade, minha filha também me apoiava enquanto eu estudava à noite, e meus pais fizeram parte dessa conquista. Minha mãe me disse que, depois de quatro anos, eu poderia estar formada ou continuar sem a formação. Escolhi poder dizer “estou formada”. Também construí amizades muito importantes na Prefeitura, com profissionais que considero uma família.Que conselho você deixa?Agradeço aos meus pais, ao meu marido, à minha filha e a toda a minha família pelo apoio. Meu conselho é: não desista, por mais difícil que seja. Fazer faculdade com filho e marido em casa exige esforço, mas, com perseverança, as coisas dão certo. Se não deu certo ainda, é porque não chegou ao final. Não desista dos seus objetivos.O post “Não desista, pois tudo dá certo. Se não deu, é porque não está no final”, diz Cássia Tavares, coordenadora da Atenção Básica de Saúde de Mirandópolis apareceu primeiro em AGORA NA REGIÃO.