O Pix está mais perto de ganhar conexão com o sistema europeu de pagamentos instantâneos. O projeto de integração com o TARGET Instant Payment Settlement (TIPS), infraestrutura do Banco Central Europeu (BCE), avançou da fase de pré-investigação para a etapa de investigação. A mudança indica que os primeiros estudos não encontraram obstáculos críticos para a continuidade da iniciativa.A informação consta em documento apresentado durante uma reunião do TIPS Consultative Group, grupo ligado ao BCE que discute melhorias e testes na plataforma. O encontro ocorreu em 20 de outubro.Segundo o Banco Central Europeu, a etapa de pré-investigação, realizada em setembro, avaliou aspectos técnicos, jurídicos e operacionais, além da viabilidade comercial de uma eventual conexão entre os sistemas. Não foram identificados impedimentos considerados críticos.A nova fase vai aprofundar os estudos para determinar se a interligação é técnica e economicamente viável. Ainda não existe prazo definido para sua conclusão.Conforme informações da Broadcast, a expectativa de fontes próximas às negociações é que o projeto-piloto completo esteja preparado até o fim de 2027.Na mesma semana em que o documento foi apresentado, o diretor de Regulação e Organização do Sistema Financeiro do Banco Central brasileiro, Gilneu Vivan, viajou a Frankfurt (Alemanha) para discutir a possível integração com representantes do BCE.Como o Pix poderia funcionar na Europa?Uma eventual conexão entre as plataformas permitiria que brasileiros utilizassem suas contas bancárias no país para realizar pagamentos em estabelecimentos europeus;Um dos modelos considerados prevê o uso de QR Codes. Nesse cenário, um consumidor poderia abrir o aplicativo de sua instituição financeira brasileira, escanear um código disponibilizado por uma loja na Europa e autorizar o pagamento em reais;O sistema faria a conversão cambial e permitiria que o estabelecimento recebesse o valor em euros. A operação poderia ocorrer em poucos segundos, sem que o consumidor precisasse recorrer diretamente a um cartão internacional ou a uma transferência bancária tradicional.A possibilidade foi explicada à Folha de S.Paulo por Thiago Cavalcanti, presidente da Associação Nacional dos Auditores do Banco Central do Brasil (ANBCB). Ele ressalta que a operação provavelmente envolveria custos, que precisariam ser apresentados de maneira transparente ao consumidor. A taxa de conversão da moeda também seria um fator importante para tornar o serviço competitivo.O projeto não se limita a compras em lojas. Segundo o Banco Central brasileiro, a conexão entre infraestruturas de pagamentos instantâneos também poderá facilitar remessas internacionais, com recursos disponibilizados na moeda local em poucos segundos.Eventual conexão entre as plataformas permitiria que brasileiros utilizassem suas contas bancárias no país para realizar pagamentos em estabelecimentos europeus – Imagem: Blossom Stock Studio/ShutterstockLeia mais:Existem mais de um bilhão de chaves Pix no Brasil: ‘maior caso de sucesso’Grupo brasileiro invade sistema bancário em ataque ligado ao PixEm tempos de Master e Ueno, o Brasil tem o PixO que é o sistema europeu TIPS?O TARGET Instant Payment Settlement (TIPS) é uma infraestrutura do Eurosistema criada para processar pagamentos instantâneos. Na prática, desempenha função semelhante à do Pix no Brasil.A plataforma permite que instituições financeiras participantes ofereçam transferências em tempo real, 24 horas por dia, durante todos os dias do ano. Os pagamentos têm liquidação final e irrevogável diretamente em moeda de banco central.Atualmente, o TIPS opera com euros, coroas suecas e coroas dinamarquesas. O sistema também já permite operações entre essas moedas, possibilitando, por exemplo, que um consumidor sueco pague por uma compra em um país da zona do euro utilizando sua moeda local. Esse mecanismo de conversão entre moedas está disponível desde outubro de 2025.A possível integração com o Pix faz parte de estratégia mais ampla do BCE para conectar sua infraestrutura a sistemas de pagamentos instantâneos de outras regiões. Entre as iniciativas também estão projetos de interligação com a Índia e a Suíça, além da participação na rede internacional Nexus.Quando a integração poderá ficar pronta?Apesar do avanço nas negociações, ainda existem etapas importantes antes de uma eventual implementação.Segundo informações obtidas pela Folha em setembro, nove áreas do Banco Central brasileiro foram mobilizadas para estabelecer diretrizes de governança e avaliar a compatibilidade entre as plataformas.Os estudos também precisam considerar os custos de implementação, a sustentabilidade do modelo operacional, os volumes potenciais de transações, a demanda esperada e os impactos sobre o mercado de pagamentos.Naquele momento, a previsão preliminar dos técnicos era que o corredor de integração pudesse ficar tecnicamente operacional em novembro de 2027, com um projeto-piloto em junho de 2028. Esses prazos, entretanto, dependem das avaliações e de futuras aprovações dos dois bancos centrais.A conexão também representaria novo passo na internacionalização do Pix. Atualmente, existem iniciativas que permitem transações internacionais envolvendo o sistema brasileiro por meio de acordos entre instituições financeiras de diferentes países, incluindo Argentina, Estados Unidos e Portugal.A proposta com o TIPS, porém, busca estabelecer conexão entre as próprias infraestruturas de pagamentos, ampliando as possibilidades de operações internacionais.O post Pix pode chegar à Europa após novo avanço nas negociações apareceu primeiro em Olhar Digital.