Cerveja, cigarro e refrigerante: quanto será cobrado pelo imposto do pecado?

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Cerveja, cigarro e refrigerante: quanto será cobrado pelo imposto do pecado?O nome parece ter saído de um sermão, mas o assunto é dinheiro. O chamado imposto do pecado começa a ser cobrado em 2 de fevereiro de 2027 e vai atingir desde o cigarro até o refrigerante, além de determinadas atividades consideradas prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente. A ideia não é julgar os hábitos dos brasileiros, mas fazer com que produtos associados a custos para a sociedade tenham uma tributação específica.Oficialmente chamado de Imposto Seletivo (IS), o tributo foi criado pela reforma tributária e teve suas primeiras alíquotas definidas pela Medida Provisória 1.399/2026, publicada na quarta-feira (4). Para o primeiro ano, o governo pretende manter uma carga equivalente à do atual Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), deixando mudanças mais expressivas para 2028.A Black Friday da Suno já começou! Essa é a chance de desbloquear mais de R$ 300 mil em bônus e garantir um plano de investimentos para os próximos três anos. Confira as condições especiais!Quanto será cobrado pelo imposto do pecado?A lista inclui produtos bastante conhecidos dos consumidores, mas as alíquotas variam de acordo com a categoria e a classificação de cada item.Confira alguns dos percentuais previstos para 2027:Cigarros: 66,7% sobre uma base equivalente a 15% do preço de varejo, mais R$ 3,50 por maço de 20 unidades.Destilados, como uísque e vodca: 24%, conforme a classificação do produto.Cachaça e determinados destilados de cana: 20%.Vinhos comuns: 8%.Cervejas de malte: 4,2%.Refrigerantes e bebidas açucaradas abrangidas: 2,6%.Loterias e concursos de prognósticos: 0,5%.Isso não significa que uma cerveja ficará automaticamente 4,2% mais cara ou que o preço de um maço de cigarros aumentará 66,7%. O imposto será recolhido pelas empresas, e o eventual repasse ao consumidor dependerá da base de cálculo e das condições de mercado.No caso dos veículos, a cobrança terá regras específicas, considerando características como emissões de poluentes e eficiência energética. Alguns modelos sustentáveis poderão ter alíquota zero, assim como determinadas compras por pessoas com deficiência e taxistas.A legislação também contempla aeronaves, embarcações e extração mineral. Para os minerais extraídos, entretanto, a alíquota ficará zerada até o fim de 2027.Por que cigarros e refrigerantes estão na lista?A explicação está nos efeitos que o consumo desses produtos pode provocar além da decisão individual de compra.No caso do cigarro, o tabagismo está associado a doenças cardiovasculares e diferentes tipos de câncer. Segundo estudo divulgado pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca), os custos médicos e as perdas econômicas relacionados ao tabaco chegam a R$ 153,5 bilhões por ano no Brasil.As bebidas alcoólicas também podem gerar consequências para a saúde e custos sociais relacionados à dependência e aos acidentes. Já o consumo excessivo de bebidas açucaradas está associado ao aumento do risco de obesidade e diabetes tipo 2.A lógica ambiental é semelhante. Veículos mais poluentes, por exemplo, contribuem para emissões que afetam a qualidade do ar e o clima.A proposta é que a tributação ajude a desestimular esses consumos. Representantes de setores atingidos, porém, alertam para possíveis efeitos sobre os preços e o mercado ilegal.Quando o novo imposto começa a pesar no bolso?A cobrança está prevista para 2 de fevereiro de 2027, respeitando o prazo constitucional de 90 dias após a publicação das alíquotas. O governo estima arrecadar R$ 41,9 bilhões com o tributo no próximo ano, conforme a previsão orçamentária elaborada antes da mudança no calendário.As regras atuais são transitórias. Até 31 de maio de 2027, o Executivo deverá encaminhar ao Congresso um projeto com as alíquotas permanentes, previstas para começar em 2028.Assim, o imposto do pecado chega primeiro como parte da substituição dos tributos atuais, sem previsão de aumento generalizado da carga sobre esses produtos em 2027. O efeito mais relevante sobre o consumo dependerá das alíquotas que forem definidas para os anos seguintes.