Lucro dos três maiores bancos soma R$ 22,6 bi no 3º trimestre, alta de 2,4% em um ano

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Os três principais bancos privados de varejo do País – Itaú Unibanco, Bradesco e Santander Brasil – registraram lucro combinado de R$ 22,61 bilhões no terceiro trimestre, de acordo com dados compilados pela Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado. O número representa crescimento de 2,4% na comparação com igual período do ano passado e de 0,6% ante os três meses imediatamente anteriores.A expectativa do mercado era de que o grupo tivesse apurado ganho agregado de R$ 22,6 bilhões no trimestre encerrado em setembro, conforme a média das estimativas das casas consultadas pelo Prévias Broadcast.O aperto no bolso das famílias e no caixa das empresas continuou como o tema central na temporada de balanços, diante do ritmo lento de alívio dos juros. Com a renda dos consumidores comprometidas, sobra menos espaço para honrar compromissos de crédito em dia, em um movimento que eleva a inadimplência no setor bancário.O fenômeno ficou visível nos resultados dos três bancos, mas se refletiu em níveis bem distintos de deterioração. O Santander enfrenta a pressão mais forte do trio, diante de desafios nas carteiras de agronegócio baixa renda.O Bradesco, por sua vez, deu novos sinais de evolução na recuperação estrutural que vem implementando há dois anos, mas o ambiente macroeconômico restritivo retardou a melhora da rentabilidade e impôs revés na inadimplência. Já o Itaú seguiu como o mais resiliente do grupo, como consequência, de uma disciplinada gestão de risco que, desde antes da piora do ciclo, vinha dando preferência para linhas de crédito mais seguras.Fiscal e juros pesamA reação dos mercados à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve complicar ainda mais as perspectivas. O petista tem dado poucos sinais de que pretende promover um ajuste fiscal significativo, considerado uma das condições para que o Banco Central consiga reduzir mais rapidamente a Selic, hoje em 13,75% ao ano.“O contexto pós-eleitoral reforça um cenário de taxas de juros elevadas por um período prolongado, aumentando a atratividade de negócios bancários com lucros previsíveis, forte retorno de capital e geração de caixa no curto prazo”, afirmam analistas do Citi.Para o Bradesco, que abriu a temporada de balanços, a mudança no cenário degenerou o humor do mercado com a recuperação capitaneada pelo presidente da instituição, Marcelo Noronha. O Banco da Cidade de Deus teve o 11° trimestre consecutivo de crescimento sequencial do lucro líquido, a R$ 7,1 bilhões, graças à resiliência das receitas com serviços e o controle dos custos.No entanto, viu seu retorno sobre patrimônio cair para 15,6%, embora tenha havido um efeito da operações de aumento de R$ 10 bilhões no capital, sem o qual a métrica teria ficado praticamente estacionada em 16,1%. Ao apresentar os números, Noronha reconheceu o quadro macro complexo. “Com comprometimento da renda das famílias maior e endividamento das empresas, temos que ter mais cautela e andar mais devagar”, disse.No Santander, o lucro líquido registrou tombo de 28% no comparativo anual, a R$ 2,9 bilhões no terceiro trimestre. O resultado produziu um retorno sobre o patrimônio 5,6 pontos porcentuais mais baixo, em 11,9%, na contramão da meta de elevar o indicador a 20% até 2028, estabelecida pela matriz espanhola. Em Madri, a ação da matriz recuava 5%, influenciada em parte pelo Brasil.“São números obviamente abaixo do patamar de rentabilidade que buscamos”, admitiu o presidente do Santander Brasil, Gilson Finkelsztain, em teleconferência com analistas. “Ao mesmo tempo, precisam ser considerados o cenário macroeconômico que estamos passando e o processo de rebalanceamento do banco”, argumentou.Já o Itaú teve um trimestre de relativa estabilidade, com lucro líquido de R$ 12,617 bilhões e RoE de 23,6%, de longe o maior do setor. O banco continuou mostrando disciplina na gestão do crédito e de custos, mas apresentou um desempenho fraco na geração de receitas, principalmente em bancos de capitais.“Os resultados vieram muito bem em termos absolutos e melhor ainda em termos relativos, quando comparados com os desempenhos de outros nomes no mercado”, disse o diretor de Estratégia Corporativa, Relações com Investidores e M&A Proprietário do banco, Renato Lulia, em entrevista à Broadcast.