Funcionários do Google querem ‘revelar a verdade sobre a IA’ e pedem revisão de contrato

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Funcionários do Google que afirmam ter interesse em “revelar a verdade sobre a IA” estão pressionando a gigante da tecnologia por mudanças em seus acordos de confidencialidade que os impedem de se manifestar contra a empresa mesmo após deixarem seus empregos. É o que revelou uma reportagem do The Washington Post publicada na quarta-feira (4).O problema afeta pesquisadores do Google DeepMind em Londres (Inglaterra), divisão responsável pelas soluções de inteligência artificial, de acordo com fontes internas ouvidas sob a condição de anonimato. Os envolvidos pedem a revisão dos contratos para garantir sua segurança jurídica ao tornarem públicas suas preocupações com a tecnologia.Procurada, a gigante das buscas disse que a cláusula de não difamação deixou de ser aplicada aos funcionários após o encerramento do acordo de trabalho nos novos contratos.O público “merece saber”Segundo a reportagem, dezenas de funcionários da unidade de IA do Google no Reino Unido participaram, recentemente, de discussões sobre o contrato em uma plataforma interna. Além de críticas às exigências da empresa, alguns participantes postaram emojis em referência ao livro 1984, de George Orwell, que retrata um estado de vigilância distópico.As reclamações começaram depois da entrevista de Sofia Liguori, ex-funcionária da divisão DeepMind, que ignorou a cláusula contratual e criticou publicamente o desenvolvimento de IA militar pela big tech;Os antigos colegas de Liguori revisaram seus contratos e muitos descobriram que estão sujeitos às mesmas restrições;Mesmo com as leis britânicas protegendo denunciantes, desde que o fato revelado seja de interesse público, os pesquisadores temem serem processados pelo Google;Diante do impasse, eles seguem sem saber o que fazer até a companhia de Mountain View esclarecer os termos do acordo. As queixas são concentradas no laboratório DeepMind do Google em Londres, segundo a reportagem. Foto: Getty Images/Reprodução “Essa tecnologia é realmente impactante e está mudando muito rápido. O público quer saber e merece saber, e muitas vezes essa é a única maneira de as pessoas descobrirem os danos e os danos potenciais que estão acontecendo”, disse um funcionário, ao jornal.A publicação lembra que poucos representantes do Google se juntaram aos pedidos para a desaceleração no desenvolvimento da IA. O debate foi levantado principalmente por executivos e funcionários da Anthropic e da OpenAI.Empresa diz incentivar o diálogoUm porta-voz do Google disse à reportagem que a big tech sempre incentivou um “diálogo aberto sobre segurança e responsabilidade”. Ele também confirmou a remoção da cláusula de não difamação após o fim do contrato para as novas contratações.No entanto, os funcionários do laboratório DeepMind querem a ampliação para todos os contratos existentes, para que possam se manifestar. “Não é apenas mais uma tecnologia. Ela tem um potencial enorme de impacto na humanidade e na democracia”, declarou uma das fontes.O chefe da unidade alertou, no mês passado, sobre os riscos de incidentes graves relacionados aos agentes de IA. Relembre o que ele disse.Com informações de The Washington Post e Futurism.