Após assinar a renovação de três contratos de distribuição de energia, a CPFL ganha maior previsibilidade de longo prazo no segmento e se posiciona como uma consolidadora, devendo avaliar ativos que sejam colocados à venda, disse o CEO da companhia elétrica à Reuters nesta quinta-feira.Segundo Gustavo Estrella, a empresa controlada pela chinesa State Grid tem como cenário-base o crescimento orgânico na distribuição, com um plano de mais de R$25 bilhões em investimentos que serão executados nos próximos anos para ampliar a base regulatória de ativos das concessionárias do grupo.Leia tambémAneel evita estimar prazo para votação de processo sobre caducidade da Enel SPQuestionada sobre o pedido de perícia técnica feito pela distribuidora, diretora da Aneel disse que há uma série de “estratégias processuais” e reforçou que as respostas serão devidamente analisadasEnel contesta processo de caducidade em SP e pede que Aneel faça períciaConcessionária apresentou defesa à agência, que vai decidir se recomenda ou não fim da concessão‘A escala (no setor) a gente já tem, o que nos habilita a olhar qualquer tipo de ativo que venha a mercado. Isso posto, vamos olhar caso a caso… A gente se coloca, sim, como sendo um agente consolidador desse mercado’, afirmou.A CPFL e outras grandes companhias elétricas assinaram na semana passada com o governo federal aditivos contratuais na distribuição de energia, garantindo a continuidade de seus negócios por mais 30 anos. A expectativa entre agentes do setor é de que, finalizado este processo, algumas companhias possam decidir vender ativos.Estrella afirmou que a renovação antecipada dos contratos de três distribuidoras da CPFL permitirá que o grupo realize ainda mais investimentos, por exemplo, em medição inteligente do consumo de seus clientes. Mas, para acelerar a troca de medidores, a companhia entende que os investimentos precisam passar a ser reconhecidos anualmente nas tarifas de energia, algo que já está sendo discutido com o órgão regulador.‘Como não tem reconhecimento automático desse tipo de investimento (na tarifa), deixo para fazer os investimentos no final de cada ciclo tarifário, o que me gera muita ineficiência… Da forma como está, estamos falando em fazer todos os investimentos em medição inteligente em 20 anos. Não faz o menor sentido, a gente não tem esse tempo todo’.A CPFL anunciou nesta quinta-feira um lucro líquido de R$1,91 bilhão, avanço de 18,2% na comparação anual. Já o Ebitda ficou estável no período, em R$3,86 bilhões.Desafios de inadimplência e GD SolarEntre os desafios para 2026, Estrella disse que a CPFL vê risco de aumento da inadimplência nas contas de luz, algo que já começa a aparecer diante da piora no endividamento das famílias. Distribuidoras do grupo tiveram aprovados recentemente reajustes tarifários de dois dígitos, puxados sobretudo por uma alta de encargos.O executivo afirmou ainda que a companhia está preocupada com expansões irregulares em sistemas de geração distribuída solar conectados à rede de suas distribuidoras.‘Em alguns casos, a gente começou a fazer inspeção relacionada a esse tema, a gente vê cliente com quatro a cinco vezes mais (potência) do que o projeto aprovado’, disse, destacando que isso causa problemas operativos para as concessionárias de energia.‘Muitas vezes a gente descobre por um problema que já aconteceu na rede, uma sobrecarga… Isso traz para a gente um desafio muito grande, com prejuízo de qualidade, prejuízo de queima de equipamento, troca de equipamento de rede’, completou.A agência reguladora Aneel avançou no mês passado com um processo que visa combater essas ampliações irregulares, que podem criar até mesmo riscos para todo o sistema elétrico nacional.The post CPFL renova contratos e se posiciona como consolidadora na distribuição, diz CEO appeared first on InfoMoney.