Irlanda atrai brasileiros com empregos, inglês e caminho para viver na Europa

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Há seis anos Leandro Molina, hoje com 34 anos, decidiu trocar São Paulo por Dublin. Trabalhando na área de tecnologia o profissional viu numa oferta de emprego para trabalhar numa big tech na Irlanda sua grande oportunidade para morar fora do País. “Eu vim com uma proposta, mas a maior parte dos brasileiros que vem para cá acaba vindo por facilidade de visto, porque é tudo muito tranquilo para fazer um curso de inglês e acabar conseguindo um emprego, permanecendo no país”, afirma Molina. Foi o que fez a jornalista Caroline Sassatelli, de 36 anos, que está em sua segunda temporada no país. Ela foi estudar inglês em 2022, gostou tanto que agora voltou com o marido e tem planos de ficar por um tempo. “Aqui é tudo muito seguro e, mesmo em trabalhos fora da nossa área, temos um bom poder de compra, porque, entre os países da Europa, o salário-mínimo daqui é um dos melhores”, explica ela.Caroline admite que o clima desanima, especialmente para os brasileiros. “Chove praticamente o tempo inteiro. Por outro lado, é um país que tem muita segurança e paisagens fantásticas”, acrescenta.Leandro Molina recebeu uma proposta de trabalho numa big tech e foi morar na Irlanda – Arquivo PessoalO caso de Molina e Caroline ajudam a explicar o porquê da Irlanda estar deixando de ser apenas um destino tradicional de intercâmbio e se consolidando como uma das rotas de imigração de crescimento mais acelerado na Europa para brasileiros. Por trás desse avanço está uma combinação de fatores cruciais como mercado de trabalho aquecido, possibilidade de estudar e trabalhar legalmente, aprender o inglês e ter acesso facilitado ao restante do continente europeu.O avanço é expressivo. Ao todo, o país registrou em 2025 mais de 125 mil novos imigrantes, refletindo um ciclo de expansão populacional e econômica que transformou o pequeno país europeu em polo de atração internacional. Só a comunidade brasileira formalmente residente no país saltou de 13.640 pessoas em 2016 para cerca de 35 mil atualmente, enquanto estimativas do Itamaraty apontam que o contingente pode chegar a 80 mil brasileiros vivendo na Irlanda. Isso torna o destino a 7ª maior comunidade brasileira na Europa.Mudança estratégicaPor trás desse movimento está uma mudança importante: a Irlanda está deixando de ser vista apenas como um ponto de passagem para estudantes de inglês e passa a entrar no radar de profissionais qualificados, famílias e até empreendedores em busca de mobilidade internacional.“A Irlanda conseguiu unir fatores que hoje são extremamente relevantes para o brasileiro, como a possibilidade de estudar e trabalhar legalmente. Além disso, tem um mercado aquecido, possui um idioma globalmente valorizado (inglês) e acesso facilitado ao restante da Europa”, afirma Leonardo Leão, CEO e fundador da Leao Group, uma consultoria jurídica internacional que ajuda brasileiros a migrar para outros países.Paralelamente, Dublin vem se consolidando como um centro global de tecnologia e inovação, impulsionado pela presença de gigantes multinacionais como Google, Meta e Pfizer entre outras. Segundo o especialista, esse movimento elevou a demanda por profissionais estrangeiros.“A Irlanda deixou de ser vista apenas como destino de intercâmbio e passou a ser percebida como uma oportunidade real de construção de carreira internacional e residência na Europa”, diz.Abertura para profissionais qualificadosEssa presença de multinacionais e hubs globais de tecnologia já desperta o interesse de muitos profissionais brasileiros qualificados não só da área de tecnologia como  engenharia, saúde, marketing e finanças. Mas o movimento não se restringe à mão de obra altamente especializada. “Existe também uma demanda constante em hospitalidade, logística e construção civil”, afirma Leonardo Leão.Na prática, isso amplia o espectro de brasileiros interessados na mudança, desde jovens em início de carreira até profissionais experientes que buscam reposicionamento internacional. “Hoje vemos uma procura forte também de empreendedores, criadores de conteúdo e famílias que buscam qualidade de vida e internacionalização.”Porta de entrada na EuropaUm dos fatores que mais impulsionam a Irlanda é justamente a percepção de barreira menores para entrada do que outros destinos tradicionais, como os Estados Unidos e alguns países da Europa. Ao contrário de programas migratórios mais caros ou mais restritivos, o país permite que estudantes internacionais ingressem com autorização legal para trabalhar.O visto Stamp 2, bastante utilizado por estudantes brasileiros, permite jornada de até 20 horas semanais durante o período letivo e 40 horas em períodos específicos de férias. Esse modelo virou porta de entrada para milhares de brasileiros que chegam inicialmente para estudar inglês e depois tentam converter a experiência em permanência mais longa.“O caminho de estudante ainda é muito utilizado porque permite uma entrada mais acessível e autorização de trabalho”, explica o especialista, ressaltando que esse não é o único modelo. “Profissionais qualificados também conseguem entrar diretamente com vistos vinculados a oportunidades específicas.”Leia Mais: Portugal promulga lei que endurece regras para nacionalidadeMudança de eixoO endurecimento migratório em destinos tradicionais, especialmente os Estados Unidos, também aparece como componente indireto desse redirecionamento. “Sem dúvida houve aumento de interesse por alternativas internacionais fora do eixo tradicional americano”, afirma Leão.Mas ele pondera que a ascensão da Irlanda não pode ser explicada apenas por isso. Segundo o executivo, trata-se de uma convergência entre oportunidade econômica real e planejamento internacional mais sofisticado por parte dos brasileiros. “O projeto migratório deixou de ser apenas uma mudança de país. Hoje envolve estratégia de carreira, mobilidade global e planejamento familiar.”Quanto custa mudar para a Irlanda?Apesar da percepção de acesso mais simples, mudar para a Irlanda exige planejamento financeiro.Segundo Leonardo Leão, um projeto de intercâmbio com permissão de trabalho normalmente demanda investimento inicial entre 8 mil e 15 mil euros, considerando:cursosegurocomprovação financeirainstalação inicialJá processos profissionais ou familiares podem exigir valores maiores. “O sucesso hoje depende menos da sorte e mais de estratégia e cumprimento rigoroso dos requisitos”, explica. Entre eles está a comprovação financeira exigida para determinadas categorias migratórias.Todas as mudanças ajudam a explicar por que a Irlanda virou uma espécie de nova fronteira para brasileiros que buscam oportunidades fora do país. Assim, mais do que uma fuga econômica, trata-se cada vez mais de uma estratégia de mobilidade global e oportunidade de vida.The post Irlanda atrai brasileiros com empregos, inglês e caminho para viver na Europa appeared first on InfoMoney.