“Sol da Meia Noite”: cidade no Alasca terá três meses de sol ininterrupto

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Em uma cidade no extremo norte do Alasca, o Sol só deve se pôr em agosto deste ano, ou seja, daqui a quase três meses. Até lá, os moradores enfrentarão o fenômeno anual de claridade constante.Conhecido como “Sol da meia-noite”, o evento se iniciou no último domingo (10), em Utqiagvik, e deve durar aproximadamente 84 dias. Para dormir no escuro, é recomendado que as cortinas estejam bem fechadas.Segundo o astrônomo Marcelo Rubinho, isto ocorre quando a Terra realiza um movimento de rotação. Devido a inclinação de 23 graus do eixo de rotação do nosso planeta, neste período, o Sol deve cobrir grande parte do Círculo Polar Ártico. Leia Mais Tempestade solar jogou radiação na Terra, criou aurora boreal e afetou GPS Do risco de geada à chuva intensa; veja previsão no país para hoje (13) Vórtice polar pode provocar uma mudança drástica nos padrões climáticos À CNN Brasil, o profissional ainda explicou que processo deve se inverter daqui seis meses. No percorrer da volta, o fenômeno também irá atingir o Polo Sul, que passará dias ao lado do Sol.“A gente vai ter um momento muito grande de dia claro, enquanto que a noite, a noite vai continuar o Sol, daí vem o nome Sol da meia-noite”, explicou.Ilustração do processo:Demonstração do processo • Arquivo PessoalEmerson Roberto Perez, astrônomo do Urânia Planetário, conta também que, o hemisfério norte está passando pela transição de primavera para o verão. Na estação, a região fica mais exposta ao Sol.Leia também: “Coisa mais sinistra que já amei”, diz astronauta da Artemis sobre eclipse“Agora lá na Antártica nós vamos ter três meses de noite direto, é o contrário lá do norte agora, lá vai ter três meses de sol direto e na Antártica vai ter três meses de noite direto” informou.2026: Brasil vai ter eclipses, chuvas de meteoros e Superlua | CNN PRIME TIMEPor que o Sol não se põe?Segundo Thiago S. Gonçalves, astrônomo e Diretor do Observatório do Valongo da UFRJ, o chamado “Sol da meia-noite” não acontece apenas no norte do Alasca, mas em qualquer região localizada acima do Círculo Polar Ártico — ou abaixo do Círculo Polar Antártico, no hemisfério sul.De acordo com o astrônomo, o fenômeno é uma consequência direta da inclinação de aproximadamente 23 graus do eixo de rotação da Terra em relação à sua órbita ao redor do Sol, o mesmo movimento responsável pelas estações do ano. Durante o verão no hemisfério norte, essa inclinação faz com que o topo do planeta permaneça constantemente voltado para a luz solar. “Essa parte norte vai estar sempre virada para o Sol. O Sol pode ficar um pouco mais baixo ou um pouco mais alto, mas ele nunca vai se esconder abaixo do horizonte”, explicou o professor à CNN Brasil.Thiago destaca ainda que, embora o céu permaneça claro por 24 horas, isso não significa que o Sol fique alto como acontece em regiões tropicais. “O Sol está sempre baixo, mais próximo do horizonte, mas nunca desaparece completamente”, afirmou.Segundo ele, o processo se inverte durante o inverno no hemisfério norte, quando essas mesmas regiões passam semanas ou até meses sem ver o Sol, vivendo o fenômeno conhecido como noite polar. *Sob supervisão de Thiago Félix