Clube do Valor estipula meta de crescimento ambiciosa e vai brigar pela liderança

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A consultoria gaúcha Clube do Valor traçou uma meta ambiciosa para os próximos meses: aumentar o patrimônio sob gestão até o fim de 2026, saltando dos atuais R$ 6 bilhões para R$ 10 bilhões. O plano será cumprido sem compras de concorrentes, segundo o cofundador e presidente-executivo da casa, Bruno Strack.A receita combina dois caminhos. De um lado, o atendimento direto ao investidor, alimentado pela captação digital e pela indicação de clientes ativos. De outro, a abertura da estrutura da casa para profissionais autônomos e empresas que queiram atender suas próprias carteiras dentro da infraestrutura do Clube.Descubra o novo modelo de remuneração para assessores XP“O atendimento direto ao cliente e a operação com parceiros são complementares dentro do nosso ecossistema, e ambos vão nos ajudar a atingir os objetivos”, afirma.Fundada em 2015 em Porto Alegre por Strack e Ramiro Gomes Ferreira, a casa nasceu como blog de educação financeira e migrou para a gestão de carteiras antes mesmo de existir regulamentação para a atividade de consultoria de investimentos no Brasil.Veja mais: Assessora capta R$ 8 mi na 1ª semana e atrai cliente de R$ 100 mi via redes sociaisE também: XP contrata Ricardo Urada como Head de Varejo e Consumo do Investment BankingBriga pela liderançaNo prêmio XP Wealth Services Awards de 2025, o Clube do Valor terminou em segundo lugar, atrás da Portfel. Strack reconhece a vantagem da rival, mas evita transformar a colocação em obsessão.“A Portfel tem um modelo de crescimento mais agressivo, especialmente pelo alcance das suas principais figuras. Nosso objetivo é continuar crescendo e nos aproximarmos deles, sempre com foco no nível de serviço, que é o mais importante”, diz.Mais do que captar novos clientes, o executivo afirma medir o sucesso pela retenção da base atual. “Demonstra diretamente a satisfação dos nossos clientes e é extremamente importante para a saúde do negócio.”A casa tem hoje cerca de 100 consultores certificados e atende clientes em todos os estados brasileiros, com sede em Porto Alegre e escritórios em Belo Horizonte, entre outras praças. A expansão física para 2026 deve priorizar cidades do Sudeste, Sul e Centro-Oeste.Como a IA redesenhou a gestão de investimentos: “não é mais opção, é obrigação”O plano da Nord Wealth para dobrar os R$ 10 bi sob consultoria até 2027Cobrança por taxa fixa ganha traçãoA Resolução 179 da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) forçou XP (XPBR31) e BTG Pactual (BPAC11) a se reposicionarem para a remuneração por taxa fixa — modelo no qual o Clube do Valor opera desde a fundação. Para Strack, não foi a regra que virou o jogo.“O que motivou o reposicionamento da XP e do BTG não foi a Resolução 179, mas sim a demanda crescente dos investidores por um nível de serviço mais elevado”, afirma. Vários assessores autônomos vêm abrindo consultorias próprias mesmo com a opção da taxa fixa em suas plataformas atuais.Para a casa, a chegada de mais concorrentes é bem-vinda. “Quem vai sair ganhando cada vez mais é o cliente”, diz o executivo.Diferente da maioria das consultorias, o Clube do Valor mantém uma gestora de recursos própria. As estratégias rodam em paralelo à consultoria e respondem hoje por cerca de 10% do patrimônio total. Strack acredita que esse percentual pode chegar a 30% no longo prazo.Leia tambémOregon gasta R$ 2 mil para captar R$ 1 milhão e mira R$ 100 mi em maioOperação é sustentada por uma estrutura de oito pessoas dedicadas ao atendimento dos clientes captados pelo funil digitalEstratégias próprias e tecnologiaDuas novas estratégias de ações Brasil estão em desenvolvimento, e ao menos uma deve ser lançada ainda em 2026. A casa também desenha produtos para alocadores institucionais, sem comprometer a capacidade das carteiras hoje exclusivas dos clientes de gestão patrimonial.A estratégia das “Ações Mais Baratas da Bolsa”, marca registrada da casa, superou cerca de 85% dos fundos comparáveis nos últimos cinco anos, segundo levantamento interno. Mesmo com juros altos, Strack vê espaço para a renda variável brasileira.“Com a Selic em 15%, prefixados a 14% e indexados à inflação acima de 7%, temos razões para estar muito mais otimistas com a bolsa brasileira do que se poderia estar cinco anos atrás”, afirma.Para crescer sem multiplicar a equipe na mesma proporção do patrimônio, a aposta é em inteligência artificial. O Clube do Valor mantém escola interna de formação de consultores e desenvolve ferramentas próprias para automatizar tarefas operacionais e elevar a produtividade do atendimento.Cinco anos pela frenteA meta de longo prazo é virar uma das maiores casas de gestão patrimonial do país, sem se transformar em corretora. A operação internacional segue intermediada e sem planos imediatos de braço próprio fora do Brasil.A sucessão patrimonial e o planejamento tributário devem ganhar peso a partir do fim de 2026, com os efeitos da reforma tributária. Hoje, o planejamento financeiro é a vertical que mais cresce dentro da casa.O setor passa por consolidação acelerada, com diversas casas sendo compradas. O cofundador afirma que o Clube do Valor não busca aquisições nem se posiciona como alvo. “O Clube do Valor cresceu até hoje de forma 100% orgânica.”“Não temos planos de nos tornar uma corretora, mas objetivamos cada vez mais ser um ecossistema em que os nossos clientes consigam encontrar soluções completas para ter mais tranquilidade na sua vida financeira”, resume Strack.The post Clube do Valor estipula meta de crescimento ambiciosa e vai brigar pela liderança appeared first on InfoMoney.