Trump convida Xi Jinping para visitar a Casa Branca em setembro

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, convidou o líder chinês, Xi Jinping, para uma visita à Casa Branca em setembro. O convite foi feito nesta quinta-feira (14), durante a primeira viagem de um presidente estadunidense a Pequim em quase uma década. No encontro, Trump referiu-se ao anfitrião como “amigo” e “grande líder”.A recepção no Grande Salão do Povo incluiu tapete vermelho, banda militar, salva de 21 tiros e crianças entoando mensagens de boas-vindas. Parte da cerimônia e das conversas bilaterais contou com a presença de empresários da delegação americana, como Jensen Huang, da Nvidia, e Elon Musk, da Tesla.Trump declarou que a relação bilateral será “melhor do que nunca” e manifestou interesse em firmar acordos comerciais em setores como o agrícola e o aeroespacial.Xi Jinping, por sua vez, defendeu que os dois países devem atuar como “parceiros e não rivais”. O líder chinês questionou se as duas nações podem superar a “Armadilha de Tucídides” — teoria histórica sobre o risco de guerra entre uma potência emergente e uma dominante — para forjar um novo modelo de relações.Segundo Xi, o projeto de “rejuvenescimento da nação chinesa” e o movimento político de Trump para “tornar a América grande novamente” podem coexistir.Apesar das sinalizações de cooperação, a pauta foi marcada pela questão de Taiwan. Nas conversas, que duraram duas horas e 15 minutos, Xi definiu a ilha como o tema central das relações entre os dois países. Segundo veículos de Estado da China, ele declarou que uma má administração do assunto pode levar as nações a colidirem ou entrarem em conflito.Pequim reivindica Taiwan como seu território e tem aumentado a pressão militar na região sem descartar o uso da força. Os Estados Unidos reconhecem formalmente apenas Pequim, mas a legislação americana exige o fornecimento de armas para a defesa de Taiwan. Em resposta à fala de Xi, o governo em Taipei chamou a China de “único risco” para a paz regional e afirmou que Washington reiterou seu apoio à ilha.Na segunda-feira (11), Trump havia afirmado que conversaria com Xi sobre a venda de armas americanas a Taiwan. A declaração representou uma mudança na política de Washington de não consultar Pequim sobre essas transações.A Casa Branca classificou as conversas iniciais desta quinta-feira como “boas”, sem mencionar Taiwan no comunicado. O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, informou que o presidente falará mais sobre a ilha nos próximos dias.Para especialistas, o tom da China indica uma estratégia de negociação. Adam Ni, editor do boletim China Neican, apontou que o uso de linguagem direta pelo próprio líder chinês é fora do padrão. Já Chong Ja Ian, pesquisador da Universidade Nacional de Singapura, avalia que Pequim pode estar identificando uma oportunidade de convencer Trump a assumir compromissos em relação à ilha.As reuniões também envolveram discussões sobre o Oriente Médio, especificamente a guerra no Irã. Analistas apontam que o conflito forçou o adiamento inicial da viagem de Trump e tem potencial para impactar sua posição política.Os líderes concordaram em manter o Estreito de Ormuz aberto para o fluxo de energia. O governo estadunidense informou que a China se opõe à militarização da hidrovia ou à cobrança de taxas de uso. O Ministério das Relações Exteriores chinês confirmou o debate sobre a região, sem fornecer detalhes.O encontro foi encerrado com um banquete de Estado, que incluiu pratos como lagosta e pato de Pequim. Na ocasião, Trump avaliou as reuniões como “positivas” e classificou o jantar como uma oportunidade para conversar “entre amigos”.