Nilce Kiill: fé, simplicidade e amor pela família

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Foto: Eduardo MustafaFilha de trabalhadores humildes, criada entre as dificuldades da roça e da vida simples em Mirandópolis, Nilce Kiill de Souza construiu uma trajetória marcada pelo trabalho, pela fé e pelo amor à família. Nascida em Mirandópolis, em 1957, ela acompanhou de perto as transformações da cidade enquanto escrevia sua própria história, passando pela Cooperativa Agrícola de Cotia, pelo Hospital Estadual e pela vida comunitária no Kaikan. Mãe de dois filhos, entre eles o prefeito Grampola Pantaleão, Nilce carrega consigo a simplicidade de quem nunca esqueceu suas origens. Em entrevista ao jornal, ela falou sobre infância, maternidade, fé, perdas, desafios e a alegria de viver hoje uma fase dedicada ao artesanato, aos netos e à gratidão pela vida.Como foi sua infância em Mirandópolis?Minha infância foi simples, mas muito feliz. Nasci em 1957, filha do seu Albino Kiill e da dona Ana Pim Kiill. Meu pai trabalhava na roça, no sítio do meu avô materno. Minha mãe tinha muitos problemas de saúde, mas naquela época era difícil descobrir exatamente o que ela tinha. Depois descobriram que era um problema cardíaco sério. Ela vivia muito debilitada, e meus avós ajudaram bastante na nossa criação. Somos três irmãs: eu, a Maria, que hoje já é falecida, e a Marta.Quando sua família veio morar na cidade?Eu tinha uns cinco ou seis anos. Meu pai começou trabalhando com transporte, como carrinheiro, levando mercadorias para o Matarazzo. Depois surgiu a oportunidade dele trabalhar na Cooperativa Agrícola de Cotia. Foi uma grande mudança para nós. Passamos a morar nas casas da Cooperativa, e depois fomos para uma casa nos fundos de hoje onde é a Nutribem. Cresci praticamente ali, daí com 16 anos comecei a trabalhar justamente na Cooperativa, como auxiliar de escritório. Foi uma experiência muito importante para mim. Aprendi muito sobre responsabilidade e convivência.Foi nessa época que conheceu seu marido?Foi sim. Conheci o Vanderlei Pantaleão de Souza ainda adolescente, quando estudávamos. Casamos quando eu tinha 19 anos. Começamos nossa vida praticamente do zero, fomos morar no Kaikan. Em troca da moradia, eu ajudava cuidando do local, limpando o Nipo uma vez por semana. Não era fácil. Meu marido trabalhava na fábrica, mas depois ela acabou fechando. Mais tarde ele foi trabalhar na montagem da usina.Nilce e seu esposo, Vanderlei Pantaleão (In Memoriam). Foto: Acervo PessoalFoi nesse período que nasceram seus filhos?Sim. Primeiro nasceu o Ederson, que todo mundo conhece como Grampola. Depois veio o Peterson. O Peterson nasceu na semana do Bon Odori, então imagina a movimentação. Com quatro dias de nascido já tinha festa dentro de casa praticamente (risos). Em 1992 entrei no Hospital Estadual na área de serviços gerais. Depois fiz curso de auxiliar de enfermagem. Durante o curso abriu concurso, eu fiz, passei e fui chamada. Foi uma bênção muito grande na minha vida. Trabalhei muitos anos na enfermagem até me aposentar, em 2020.Como foi enfrentar a perda do seu marido?Foi muito difícil. Meus filhos já estavam casados. Meu marido tinha muito medo de não conhecer os netos, mas graças a Deus ainda conseguiu acompanhar um pouco da gravidez do primeiro netinho. Depois da partida dele, precisei encontrar forças na fé e nos meus filhos.Como é ser mãe de um prefeito?Olha, é difícil (risos). A gente vive preocupada. Política mexe muito com as pessoas. Mas desde pequeno o sonho dele era ser prefeito. E mãe acredita nos filhos. Eu sempre orava para que ele realizasse o sonho dele.E ser avó?Ah, ser avó é maravilhoso. Eu sempre brinco com meus filhos: “criem bem seus filhos para vocês poderem paparicar os netos”. Avó é para estragar mesmo (risos). É um amor diferente, muito especial.Foto: Eduardo MustafaComo surgiu o artesanato na sua vida?Depois que me aposentei comecei a olhar mais para isso. Sempre gostei de fazer alguma coisa manual, mas nunca tinha tido tempo para me dedicar. Hoje amo artesanato. Trabalho com barbante, bordados, pintura… faço encomendas e participo da Casa do Artesão toda quarta-feira junto com outras mulheres.Qual mensagem neste Dia das Mães?Quero deixar meu abraço e meus parabéns a todas as mães. Principalmente às mães que lutam sozinhas pelos seus filhos. Ser mãe é uma bênção de Deus. É um amor que não se explica. Toda mãe merece reconhecimento todos os dias, por cada renúncia, cada preocupação, cada oração silenciosa. Que Deus dê força, saúde e paz para todas continuarem essa missão tão bonita.O post Nilce Kiill: fé, simplicidade e amor pela família apareceu primeiro em AGORA NA REGIÃO.