Diretor da CIA viaja a Cuba em meio à crise histórica e reabre canal com Washington

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Uma visita rara e altamente simbólica voltou a colocar Cuba no centro do tabuleiro geopolítico das Américas. O diretor da Central Intelligence Agency, John Ratcliffe, esteve em Havana nesta quinta-feira, 14 de maio, para reuniões de alto nível com integrantes do governo cubano e do setor de inteligência da ilha.Segundo autoridades americanas e cubanas ouvidas pela Associated Press, Ratcliffe se reuniu com o ministro do Interior cubano, Lázaro Álvarez Casas, com chefes da inteligência da ilha e também com Raúl Guillermo Rodríguez Castro, neto do ex-líder cubano Raúl Castro.O encontro aconteceu em um momento de extrema tensão entre os dois países, mas também de uma grave crise econômica e energética em Cuba, que enfrenta apagões frequentes, escassez de combustível, inflação e falta de alimentos e medicamentos.De acordo com autoridades americanas, Ratcliffe levou pessoalmente uma mensagem do presidente Donald Trump ao governo cubano: os Estados Unidos estariam dispostos a discutir temas econômicos e de segurança, mas apenas se Havana promover “mudanças fundamentais” no país.As conversas abordaram cooperação em inteligência, estabilidade econômica, segurança regional e a presença de adversários dos Estados Unidos na ilha. O governo americano voltou a acusar Cuba de funcionar como abrigo para interesses hostis no hemisfério ocidental – uma referência indireta à aproximação de Havana com China, Rússia e Irã.Nos bastidores, autoridades americanas também pressionam Cuba sobre questões envolvendo direitos humanos, presos políticos e acesso à internet na ilha.O encontro chama atenção porque é extremamente raro. Esta foi apenas a segunda visita oficial de um diretor da CIA a Cuba desde a Revolução Cubana de 1959.A viagem acontece poucos meses depois de o governo Trump endurecer novamente a pressão sobre Havana. Em janeiro, Trump ameaçou impor tarifas e sanções a países e empresas que forneçam petróleo à ilha, medida que agravou ainda mais a crise energética cubana.Ao mesmo tempo, Washington também ofereceu cerca de 100 milhões de dólares em ajuda humanitária para combustível, alimentos e medicamentos – ajuda condicionada à autorização do governo cubano e a avanços nas negociações.O governo cubano, por sua vez, afirmou durante as reuniões que o país “não representa ameaça à segurança nacional dos Estados Unidos” e voltou a pedir sua retirada da lista americana de países patrocinadores do terrorismo.A aproximação acontece também em meio ao aumento da atividade militar e de inteligência americana ao redor da ilha. Nas últimas semanas, houve crescimento no número de voos de vigilância dos EUA próximos ao território cubano, segundo análises de dados de aviação e relatórios da imprensa americana.Apesar do clima ainda hostil, a reunião é vista por analistas como um sinal de que Washington e Havana tentam manter um canal mínimo de diálogo aberto, principalmente diante do risco de agravamento da crise humanitária e do temor americano sobre a influência crescente da China e da Rússia em Cuba.