As novas revelações sobre os contatos entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro intensificaram a pressão dentro do PL para que o partido encontre uma alternativa para disputar a Presidência da República.A crise, que já dura mais de uma semana, tem gerado desconfiança entre aliados, pré-candidatos ao Senado e representantes do mercado financeiro.A divulgação do encontro entre Flávio e Vorcaro após o ex-banqueiro ter ido para a prisão domiciliar ampliou o desgaste político do senador. O episódio aumentou a desconfiança especialmente entre pré-candidatos ao Senado, estratégicos para a pretensão da direita de impeachment de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), ao temor de que suspeitas dificultem as eleições nos estados.Troca de marqueteiro e busca por apoio empresarialEm meio à crise, a pré-candidatura de Flávio promoveu a troca de marqueteiro. O publicitário Eduardo Fischer passou a integrar a equipe. Para Caio Junqueira, analista de política da CNN, a mudança, por si só, não é suficiente para resolver os problemas da campanha.“A crise da campanha do Flávio é maior do que parece na superfície”, afirmou. Ele identificou três frentes de crise simultâneas: uma entre os políticos, outra no eleitorado e uma terceira no mercado financeiro.Junqueira destacou ainda divisões internas na campanha, que opõem uma ala bolsonarista de raiz, composta pela família e seu entorno, a uma ala política mais ampla. “Elas não se cruzam, têm divergências quanto à estratégia, quanto ao estilo, quanto à forma como o Flávio deve tratar”, explicou.Na quarta-feira (20), o senador realizou encontros reservados com empresários e representantes do mercado financeiro em São Paulo, buscando se apresentar como o único nome capaz de chegar a um segundo turno e derrotar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).Reações de adversários e dados das redes sociaisAdversários aproveitaram o momento para ganhar apoio. Ronaldo Caiado (PSD), em participação na marcha dos prefeitos, declarou, sem citar nomes: “A pessoa que está contaminada não tem estatura para sentar na cadeira da presidência da República, ele não tem autoridade moral para chamar a atenção de ministro supremo e nem do Congresso Nacional.”Já Romeu Zema (Novo) afirmou estar decepcionado: “As explicações para mim não foram convincentes e precisamos tê-las.”O cientista de dados e e CEO da AP Exata, Sergio Denicoli, apresentou dados preocupantes colhidos nas redes sociais. Segundo ele, Flávio atingiu 70% de menções negativas, um índice inédito desde que a candidatura passou a ser monitorada.“Quando um candidato chega a esse ponto, ele fica muito tóxico”, avaliou. Denicoli apontou também uma forte fragmentação da direita nas redes, enquanto a esquerda tem operado de forma mais unida, dominando as narrativas digitais. Leia mais Flávio Bolsonaro articula ida aos EUA para encontro com Trump Falta de “fiador” econômico pode dificultar diálogo de Flávio na Faria Lima Análise: A direita diante do envolvimento de Flávio com Vorcaro Mercado financeiro mantém distânciaA âncora da CNN Thais Herédia relatou que, segundo apuração da CNN, há uma percepção no mercado de que Flávio está evitando encontros presenciais com o setor financeiro. “A frase que eu tenho mais ouvido nas conversas com empresários, tanto do setor real quanto do setor financeiro, é: você lembra que eu te falei que ele não era um bom candidato, que ele não era o ideal?”, revelou.Herédia ressaltou que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), sempre foi visto como o candidato ideal pelo setor, e que Flávio Bolsonaro (PL) foi aceito de forma quase compulsória. “Hoje não há disposição para acomodar o Flávio, porque, na verdade, ele nunca foi acomodado”, concluiu.Análise política e o eleitor de centroO cientista político e CEO da Arko Advice, Murillo de Aragão, avaliou que a situação de Flávio já era delicada antes mesmo das revelações sobre os diálogos com Vorcaro. Para ele, o episódio trouxe “um componente dramático para a candidatura”, agravado pelas explicações contraditórias e pelos questionamentos dos demais candidatos da direita.“Eu acho que a candidatura do Flávio subiu no telhado, mas a gente não pode dizer que ela vai cair do telhado”, ponderou, ressaltando que novas revelações podem agravar ou estabilizar a situação.Aragão destacou que o eleitor de centro, decisivo para o resultado da eleição, é o mais afetado pela associação entre a candidatura do senador e o escândalo do Banco Master. “Este eleitorado acha o episódio do Banco Master uma tragédia, fica horrorizado com tudo que aconteceu”, disse.O CEO da AP Exata acrescentou que a confiança em Flávio nas redes despencou de 20 para 10 pontos, e que o candidato, que antes conseguia dialogar com o eleitor de centro, foi deslocado para o espectro da extrema direita.Segundo Denicoli, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por outro lado, começa a avançar em direção ao centro nos últimos três dias. 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